Gestão

ACSP e Facesp são contra cota mínima para utilização dos Correios


Para entidades, medida que exige pagamento mensal de R$ 2 mil para novos contratos inviabiliza a operação dos micro e pequenos e-commerces


  Por Redação DC 15 de Outubro de 2018 às 18:20

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) encaminharam um documento a Carlos Roberto Fortner, presidente dos Correios (EBCT), criticando a decisão da empresa de dobrar o valor do frete do e-commerce para pequenos empresários que não assinarem contrato garantindo aos Correios faturamento mensal mínimo de R$ 2 mil.

As entidades resolveram pressionar os Correios após reclamações de associados com relação ao novo posicionamento dos Correios

De acordo com a medida, ativa desde agosto nas agências dos Correios, as empresas que formarem novos contratos com a instituição deverão pagar a cota mínima mensal, independentemente de quanto utilizarem o serviço.

Ou seja, se uma loja enviar apenas um item para um consumidor, numa remessa de R$ 50, terá que pagar os mesmos R$ 2 mil no mês.

No documento, Alencar Burti, presidente da Facesp e da ACSP, destaca que a medida resulta em tratamento discriminatório contra as empresas de pequeno porte, comprometendo a concorrência com grandes negócios.

O faturamento mínimo também pode inviabilizar a operação dos pequenos e-commerces devido ao elevado custo do frete em relação ao valor dos bens a serem enviados.

De acordo com o dono de uma indústria de produtos de higiene e limpeza, associado à ACSP, que preferiu não se identificar, a medida é uma barreira de entrada para empreendedores que desejam iniciar uma operação de e-commerce.

“Caso a empresa não queira aderir ao contrato, terá de enviar os produtos como remessas individuais, nas mesmas condições de pessoas físicas”, afirmou o associado.

Numa simulação feita pelo empresário ouvido pelo Diário do Comércio, o transporte de uma mercadoria de cinco quilos, da capital paulista com destino para a Grande São Paulo, custaria R$ 16, de acordo com o contrato oferecido pelos Correios. Como remessa individual, o preço do mesmo pacote seria de R$ 26,40.

“Uma pequena loja online em início de operação, que não possui estimativas de faturamento e que já tem despesas com fornecedores, funcionários e estrutura física e digital, não suporta assumir um custo fixo mensal de R$ 2 mil”, diz o associado.

Ao analisar o caso, Burti destaca que é necessário estimular o surgimento e expansão das empresas para recuperação da economia e do emprego e que os pequenos empreendimentos são os que mais rapidamente podem contribuir para esses objetivos.

“Uma parceria para o fortalecimento das microempresas, que permita a elas crescer, resultará em benefício para os Correios, na medida em que os pequenos negócios ganharem escala e se tornarem maiores clientes”, diz Burti no documento.

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RESPOSTA DOS CORREIOS

De acordo com nota enviada pela assessoria de imprensa, os Correios disponibilizam um conjunto de soluções que atendem às necessidades de preços e prazos das empresas de e-commerce, desde micro e pequenas empresas até grandes lojistas virtuais.

A nota afirma que a empresa, constantemente, realiza revisões das modalidades de contratação de soluções ao mercado e que foi disponibilizada uma nova modalidade de contratação.

Batizada de Correios Fácil, a solução é contratada em ambiente 100% digital, sem a necessidade de apresentação de documentos físicos, para garantir agilidade e comodidade, principalmente às micro e pequenas empresas.

De acordo com os Correios, o serviço possui valores mais baixos do que as tabelas de balcão, sem custo fixo mensal (cota mínima) e com prazo para pagamento.

No site dos Correios consta a informação de que o serviço também oferece utilização de plataformas, integradas entre o e-commerce e o site dos Correios, para precificação automática, emissão de código de rastreamento e geração de e-tickets para postagens.

A tecnologia também permite o serviço de logística reversa para o envio e devolução de remessas postais para troca, manutenção, reposição ou expedição de objetos entre filiais e/ou representantes comerciais.

IMAGEM: Agência Brasil