Finanças

Total de famílias endividadas em junho foi recorde


Percentual de 67,1% é o maior da série histórica iniciada em janeiro de 2010, segundo a CNC. Porém, entidade afirma que transferências emergenciais do 'coronavoucher' vão impactar positivamente renda e consumo


  Por Estadão Conteúdo 18 de Junho de 2020 às 11:45

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Em meio à crise da pandemia da covid-19, o percentual de famílias brasileiras com dívidas atingiu novo recorde histórico em junho. Com alta de 0,6 ponto percentual, chegou a 67,1%. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio (CNC), iniciada em janeiro/2010.

A inadimplência também acelerou no período avaliado. Em nota, a CNC afirma que a renovação da alta do endividamento indica que as famílias estão demandando mais crédito no sistema bancário, seja para pagar dívidas e despesas correntes, seja para manter algum nível de consumo.

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"As incertezas sobre a recuperação da economia no pós-crise somam-se à proporção elevada de consumidores endividados no País. Assim, mostra-se importante ampliar o acesso ao crédito a custos mais baixos e alongar os prazos de pagamentos das dívidas, para com isso mitigar o risco do crédito no sistema financeiro", afirma a CNC.

O número de famílias com dívidas ou contas em atraso chegou a 25,4% em junho, atingindo o maior nível desde dezembro de 2017 e registrando crescimento nas bases mensal (0,3 ponto percentual) e anual (1,8 ponto). 

Já o total de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes chegou a 11,6% - o patamar mais alto desde novembro de 2012. O indicador também apresentou aumento mensal (+1,0 ponto percentual) e anual (2,1 pontos percentuais).

De acordo com a CNC, apesar do contexto negativo no mercado de trabalho (com alta expressiva dos desligamentos) e para a renda, a queda da taxa Selic e a inflação controlada em níveis historicamente baixos são fatores que podem favorecer o poder de compra dos consumidores.

A instituição destaca que "as transferências emergenciais do 'coronavoucher' também impactam positivamente a renda e o consumo, especialmente, dos itens considerados essenciais".

Na análise por faixas de renda dos brasileiros, o comportamento do indicador que mede o endividamento é distinto. Para as famílias com renda até dez salários mínimos, o percentual de endividados cresceu de 67,4% em maio para 68,2% em junho. Já para as com renda acima de dez salários mínimos, caiu de 61,3% para 60,7%.

"No corte por faixa de renda, o endividamento é crescente e segue tendência positiva desde fevereiro de 2020 entre as famílias com menor renda. Já nas famílias que recebem mais de dez salários, o endividamento vem caindo desde abril deste ano", destaca em nota a economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira.

Em relação aos tipos de dívida, o cartão de crédito continua sendo o mais apontado pelos brasileiros como a principal modalidade de endividamento (76,1%). Carnês (17,4%) e financiamento de veículos (11,7%) também permanecem na segunda e terceira posições, respectivamente.

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