Finanças

Taxa de juros do crédito cai ainda mais para consumidores e empresas


Percentual ficou em 0,84% e 0,59%, respectivamente, mas, com a pressão sobre o dólar, há risco de as taxas ficarem elevadas novamente, afirma a Anefac.


  Por Estadão Conteúdo 11 de Fevereiro de 2019 às 15:06

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Empresas e consumidores que contraíram alguma modalidade de crédito em janeiro já conseguiram taxas médias de juro 0,84% e 0,59%, respectivamente, mais baratas que as médias praticadas em dezembro.

É o que aponta pesquisa feita pela Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) no mês passado divulgada nesta segunda-feira (11/02).

A taxa de juros média geral para pessoa jurídica apresentou uma redução de 3,57% em dezembro para 3,54% no mês passado, uma ligeira queda de 0,03 ponto porcentual no mês, correspondente ao recuo de 0,84%, já citado.

Em 12 meses, o recuo da taxa de juro cobrada das empresas acumula queda de 1,01%. Com a queda do juro para as empresas em janeiro, a taxa anual ficou em 51,81%, a menor já registrada desde novembro de 2014, segundo o levantamento da Anefac.

LEIA MAIS: Mercado de crédito está pronto para decolar

Para o consumidor, a taxa média de juro caiu em janeiro para 6,75% ao mês, de 6,79% em dezembro do ano passado, um recuo de 0,04 ponto porcentual correspondente a uma queda de 0,59%.

A taxa média de juro para pessoa física anual fechou em janeiro em 118,99%, a menor desde março de 2015. Para o diretor-executivo de estudos e pesquisas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, essa redução pode ser atribuída à melhora do cenário econômico com crescimento da economia, o que reduz o risco da inadimplência.

Também considera as taxas de juros e spreads em patamares elevados, possibilitando redução das mesmas mesmo com a manutenção da Selic. Oliveira acredita que para os próximos meses a tendência é que as taxas de juros continuem sendo reduzidas, levando em consideração a melhora do cenário econômico com menor risco de crédito e o fato das atuais taxas de juros das operações de crédito estar elevadas.

"Mas, frente às incertezas econômicas que vêm pressionando a cotação do dólar, há risco de as taxas de juros voltarem a ser elevadas nos próximos meses", afirma.

Ele se refere a fatores externos como o quadro econômico em algumas economias emergentes, elevação dos juros americanos, a guerra comercial entre EUA e China, e o Brexit, saída do Reino Unido da União Europeia, entre outros.

JUROS VERSUS SELIC

Considerando todas as elevações e reduções da taxa básica de juros (Selic) desde março de 2013, ocorreu no período uma redução da Selic de 0,75 ponto porcentual (ou 10,34%), de 7,25% ao ano em março de 2013 para 6,50% ao ano em janeiro deste ano.

Neste período, a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 31,02 pontos porcentuais, ou 35,26%, de 87,97% ao ano em março de 2013 para 118,99% ao ano em janeiro de 2019.

Nas operações de crédito para pessoa jurídica, houve uma elevação de 8,23 pontos porcentuais, ou 18,88%, de 43,58% ao ano em março de 2013 para 51,81% ao ano em janeiro último.

IMAGEM: Thinkstock