Finanças

Quanto maior o aporte em renda fixa, mais curto o caminho para o milhão


Na última reportagem da série sobre o primeiro milhão a partir de R$ 1.520, Mauro Calil mostra que, para chegar a ele, vale mais o tamanho do investimento mensal do que uma 'rentabilidade absurda'


  Por Karina Lignelli 28 de Março de 2019 às 08:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


CDBs, RDBs, LCIs, LCAs... A sopa de letrinhas dá nome a um dos tipos de investimento mais atraentes para quem tem perfil conservador e procura segurança e baixo risco: os títulos de renda fixa. São eles, aliás, que encerram a série de reportagens do Diário do Comércio sobre as possibilidades reais de conquistar o primeiro milhão com um aporte inicial de R$ 1.520 - aquele mesmo, o do polêmico vídeo da jovem Bettina Rudolph, que viralizou e virou meme. 

Nesse investimento, que funciona como um tipo de empréstimo que se faz ao emissor do título, como bancos ou corretoras, em troca de rentabilidade fixa (pré ou pós-fixada), sempre é preciso avaliar primeiro se o seu objetivo é de curto ou médio prazo ou metas mais longas, como a aposentadoria, já que a rentabilidade é atrelada à Selic ou à inflação (IPCA). 

Um levantamento recente da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostra que, em 2018, a procura desse ativo por investidores com patrimônio acima de R$ 1 milhão cresceu 6,1%.

Para quem persegue o objetivo de ficar milionário, o cenário promete. Por permitir um investimento a partir de R$ 100 - apesar da recomendação de iniciar com mais de R$ 1 mil, para melhorar a rentabilidade -, analistas preveem amplo espaço para o avanço desses fundos em 2019 no segmento varejo - ou seja, dos que ainda buscam o milhão. 

CLIQUE PARA LER OUTRAS REPORTAGENS DA SÉRIE

O sangue-frio de quem busca o milhão investindo na bolsa

Quem quer ficar milionário com previdência privada?

Do Tesouro Direto para o primeiro milhão é (quase) um pulo

Como fazer para conquistar o primeiro milhão (de verdade) 

Porém, é preciso ficar atento a fatores como o atual cenário de juros baixos. Nesse caso, o ideal é investir em títulos pós-fixados a longo prazo, de quatro a cinco anos, pelo menos, para obter rendimentos de 120% a 125% do CDI (acima dos 100% da taxa acumulada em 12 meses do Certificado de Depósito Interbancário, que lastreia esses títulos). 

Esse retorno é considerado bem alto para o investidor, segundo o professor Mauro Calil, fundador da Academia do Dinheiro e especialista em investimentos da Ourinvest. Então, é possível mesmo chegar ao milhão com um aporte de R$ 1.520 por mês em renda fixa? É possível sim, reforça Calil, que reafirma que é preciso desmistificar essa questão: basta ter disciplina, aportes regulares e foco no objetivo. Mas, de novo, demanda um pouco mais de paciência. 

"O resultado dessa conta é o tempo frente aos diferentes investimentos que se faz", afirma. "Porém, é mais importante conseguir fazer aportes maiores do que alcançar uma rentabilidade absurda", conforme ele mostra, a seguir.  

 EDIÇÃO E IMAGENS: Will Chaussê / FOTO: Thinkstock