Finanças

Poupança tem maior retirada da história para meses de setembro


O rendimento da caderneta não repõe a inflação e estimula a migração de investidores para outras aplicações na renda fixa


  Por Agência Brasil 06 de Outubro de 2015 às 17:35

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


Pelo nono mês seguido, a poupança registrou perda de recursos. Em setembro, os correntistas sacaram R$ 5,293 bilhões a mais do que depositaram, o que fez a caderneta registrar a pior captação líquida (diferença entre aplicações e retiradas) da história para o mês.

No mês passado, os brasileiros depositaram R$ 158,178 bilhões na poupança, mas retiraram R$ 163,471 bilhões. O resultado negativo de setembro, no entanto, apresentou leve melhora em relação ao de agosto, quando essa diferença ficou negativa em R$ 7,502 bilhões.

De janeiro a setembro, os investidores sacaram R$ 53,791 bilhões a mais do que depositaram na poupança, também a pior captação líquida registrada para o período. Nos nove primeiros meses do ano, os depósitos somaram R$ 1,391 trilhão, mas os saques totalizaram R$ 1,445 trilhão.

Nos últimos meses, vários fatores estão provocando a fuga de recursos da poupança. Em primeiro lugar, a alta da Selic (taxa básica de juros da economia) tornou a poupança menos atraente que outras aplicações.

Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a caderneta é mais vantajosa do que os fundos de investimento apenas quando as aplicações são inferiores a seis meses, apesar de a poupança ser isenta de Imposto de Renda e de taxas de administração.

Na quinta-feira passada, Anthero Meirelles, diretor de Fiscalização do Banco Central, disse haver evidências de que boa parte dos saques de poupança vistos desde o início do ano é de um grupo considerado como "novos investidores", que tinham escolhido a caderneta no passado como uma forma de aplicação em um momento de maior rentabilidade da poupança. 

"O depósito de poupança é estável tradicionalmente. Mesmo quando há migração, o depósito de poupança - mais a rentabilidade - tem estabilidade grande historicamente, mesmo em momentos de alta de juros. É muito estável", reforçou. Além disso, com um cenário de juros e dólar altos, outros investimentos tornam-se mais atrativos. 

A alta da inflação também contribuiu para a perda de atratividade da poupança. Nos últimos 12 meses, a caderneta rendeu 8,51%, o equivalente à Taxa Referencial (TR) mais juros fixos de 6,17% ao ano.

A inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no entanto, foi de 9,53% em 12 meses até agosto, puxada pela alta de preços administrados, como combustíveis e energia.

Essa fuga da poupança tem ocorrido, entre outros motivos, porque, com a recessão econômica, sobram menos recursos dos trabalhadores para investimentos. 

A retirada excessiva de recursos da caderneta provocou problemas no crédito imobiliário porque os depósitos da poupança são usados para financiamento de imóveis.

No primeiro semestre, o Conselho Monetário Nacional (CMN) remanejou R$ 22,5 bilhões de compulsórios – parcela que os bancos são obrigados a manter depositada no Banco Central – para evitar a escassez de recursos para o setor.

*Com informações de Estadão Conteúdo

IMAGEM: Thinkstock






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