Finanças

Pedidos de falência sobem 39,6% em 12 meses


O índice de falências decretadas foi ainda maior: de 71,2% na comparação interanual. A alta dos juros e a queda nas vendas estão desestabilizando o caixa das empresas


  Por Karina Lignelli 04 de Agosto de 2015 às 17:30

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Apesar da queda mensal de 1,1% no mês passado sobre junho, os pedidos de falência subiram 39,6% na comparação com julho de 2014, segundo dados da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito)

Especialistas dizem que o empresário deve se proteger dessa situação fazendo projeções do caixa para se antecipar às dificuldades. Isso porque, mesmo no acumulado deste ano, os pedidos de falência registraram alta de 13,6% ante igual período de 2014. 

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No caso das falências decretadas, o indicador subiu ainda mais: 71,2% na comparação com o mesmo mês de 2014. No acumulado do ano, as falências decretadas subiram 37,1% sobre igual período do ano passado.

O aumento das taxas de juros e a maior seletividade na concessão de crédito têm encarecido o capital de giro, piorando os indicadores de solvência das empresas, dizem os analistas da Boa Vista SCPC. 

Outros fatores, como o fim da desoneração tributária, o tarifaço e a recessão econômica - que já provocaram a queda nas vendas - também contribuíram para o resultado, segundo Emílio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

“A alta dos juros e o desemprego não atingem só o consumidor, mas as próprias empresas. Com isso, o  fluxo de caixa fica desestabilizado e faz com que elas acabem quebrando”, diz. 

Os pedidos de recuperação judicial subiram 18,2% no mês, e cresceram 93,2% no ano, segundo a Boa Vista. Já as recuperações judiciais deferidas aumentaram 36,4% ante junho, e subiram 96,7% em relação a julho do ano passado. 

O motivo, segundo Alfieri, é a base fraca de comparação, já que 2014 foi ano de eleições. Portanto, a alta dos juros e dos impostos, assim como o fim das desonerações, ficaram para 2015.    

OLHO NO CAIXA 

A série histórica de falências do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP, medida na capital paulista desde 2003, também traz números desanimadores. O indicador de falências subiu 53% em julho na comparação interanual.

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Apesar de alto, não é o maior para o mesmo mês. O economista mostra que, em outros meses de julho da série histórica, os resultados mais altos foram vistos em 2012, quando o indicador subiu 58%; em 2007, quando chegou a 65%, e em 2006, a 76%. 

O recorde histórico da série se deu em março de 2006, quando o indicador bateu 114% - oito meses após a instituição da nova Lei de Falências.

Mas dentro do atual cenário e com o resultado de julho de 2015, as falências devem ser monitoradas, segundo Alfieri. Para economistas da Boa Vista SCPC, o indicador deve encerrar o ano em patamares maiores. 

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Para a empresa que está em dificuldades, Alfieri recomenda a projeção do caixa para um período de seis meses a um ano, com o objetivo de detectar se o fluxo ficará negativo. 

“Se sim, é preciso começar o quanto antes a cortar custos, diminuir estoques ou achar outros mercados para entrar, como o e-commerce. Só não pode esperar mês a mês o que vai acontecer. Por isso, a recomendação para 2015 é olho no caixa”, finaliza. 

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