Finanças

Ouro lidera ranking de aplicações com alta de 11,48% em fevereiro


Desdobramentos da Operação Lava Jato e cenário externo levam bolsa a subir 5,91% no mês, aos 42.793 pontos, e o dólar a cair 0,47%


  Por Rejane Tamoto 29 de Fevereiro de 2016 às 19:01

  | Editora rtamoto@dcomercio.com.br


As oscilações nos preços de commodities como o minério de ferro e o petróleo e o movimento de queda de juros em escala global foram os fatores externos que mais alimentaram as incertezas de investidores ao longo de fevereiro. Diante desse estresse, eles recorreram ao ouro como reserva de valor.

"O que ajudou a escalada do ouro foi a queda global da taxa de juros. Para ter uma ideia, os juros futuros de dez anos nos Estados Unidos passaram de 2,30% a 1,70% desde o começo desse ano até hoje. Essa queda traz risco para o investidor e aumenta a incerteza em relação ao crescimento da economia global", afirma Izak Benaderet, gestor de fundos da Porto Seguro Investimentos.

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O metal teve valorização de 11,48% no mês e acumula ganhos de 16,83% no ano, segundo o ranking do administrador de investimentos Fabio Colombo. Na segunda posição do ranking, a bolsa de valores teve alta de 5,91% em fevereiro, mas ainda acumula perdas de 1,28% no ano. 

 

 

A recuperação da bolsa em fevereiro, para Benaderet, ocorreu por um movimento mais técnico, ou seja, depois de um longo período de pessimismo por parte dos investidores. Internamente, a mudança de discurso do Banco Central em relação à trajetória da taxa Selic - que passou de alta para estabilização neste patamar - causou alívio em setores que sofriam na bolsa. 

"Um setor sensível é o de shoppings. Outro papel específico que teve correção ao longo fevereiro foi a ação da Vale, mas por causa da recuperação do preço do minério de ferro, que subia 15% no acumulado do mês até o dia 26. O petróleo caiu um pouco em relação aos preços mínimos no mês e operava em torno de US$ 27/barril e hoje estava perto de US$ 33. São fatores que tiraram um pouco da pressão negativa", afirma o gestor. 

As bolsas internacionais também tiveram um mês tenso, a maioria delas com queda no mês, por causa da incerteza em relação aos rumos da economia chinesa, da economia europeia enfraquecida e do Japão tentando quebrar a perspectiva de inflação fraca, ao anunciar juros negativos. "Vamos ver se esses elementos não prejudicam a recuperação da economia norte-americana ou se ela consegue ganhar tração sozinha", afirma o gestor. 

Para Colombo, no Brasil o mercado também foi influenciado pelos desdobramentos da Operação Lava Jato e a possibilidade de interrupção do mandato da presidente. Segundo ele, além de trazer um respiro para a bolsa, contribuiu para a desvalorização do dólar em 0,47% em fevereiro. No ano, a moeda norte-americana subiu 1,20%. O euro, por sua vez, teve uma alta de 0,06% no mês e de 0,95% no ano. 

RENDA FIXA E A INFLAÇÃO

Com a taxa de juros estacionada em 14,25% ao ano e projetada para encerrar o ano neste mesmo patamar, resta saber se a inflação vai ceder, segundo Benaderet, da Porto Seguro Investimentos. 

Segundo ele, a sinalização do Banco Central de que não vai aumentar os juros já provocou uma queda nas taxas futuras, o que foi positivo apenas para os fundos de investimentos de renda fixa de curto prazo, por causa do efeito da marcação a mercado (correção diária do valor do título). 

No entanto, ainda há dúvidas sobre se a política monetária está na direção correta. "Para uma redução da taxa em longo prazo é preciso que a questão política e fiscal seja resolvida. O câmbio ainda pode ser um fator de pressão", diz. Para o gestor, esse cenário de incerteza à frente ainda mantém arriscadas as aplicações com taxas prefixadas (definidas no ato do investimento).

Para Colombo, a renda fixa "apanhou" no mês passado, perdendo da inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), que foi de 1,29%.

Por isso, diz, só teve um bom retorno o título público indexado ao IPCA, com ganho indicativo de 1,25% a 1,40% no mês.

No ano, esse título ficou na segunda melhor posição do ranking de Colombo, com rentabilidade indicativa de 3,11%, acima do IGP-M de 2,60% no mesmo período. "É um papel que repõe a inflação, mas o problema é que ele tem vencimento longo e o investidor deve ficar até o fim do prazo por causa da volatilidade das taxas", diz. 

Segundo o administrador, mesmo as aplicações pós-fixadas (que seguem um índice ou taxa, com remuneração definida no resgate) não estão conseguindo repor a inflação.

Pelos cálculos dele, o fundo de renda fixa ofereceu retorno médio de 0,90% a 1,05% no mês passado, dependendo da taxa de administração, com ganho acumulado de 2,60% no ano. 

Os fundos DI renderam menos: em média de 0,85% a 1,00% em fevereiro - o mesmo ganho indicativo de CDBs. No ano, os fundos DI acumulam 2,06%, de acordo com a taxa de administração do fundo, e os CDBs, 2,01%, de acordo com o risco de crédito do banco. 

"Ao retirar os impostos dessas aplicações, o ganho real (descontada a inflação) pode até ser negativo no fim deste ano, se a inflação não ceder. As alternativas são as aplicações em letras de crédito imobiliário e do agronegócio, que acompanham o CDI e são livres de impostos", afirma. De todas as aplicações, porém, a que ofereceu o pior retorno foi a caderneta de poupança, com rendimento líquido de 0,60% no mês e de 1,23% no ano. 

FOTO: Thinkstock

ARTE: William Chaussê