Finanças

Otimismo continua a alimentar alta do Ibovespa


O índice que reúne as ações mais negociadas da bolsa terminou fevereiro com alta de 3,08%. No ano já subiu 10,68%


  Por Redação DC 24 de Fevereiro de 2017 às 18:47

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Sinais iniciais de recuperação da economia - representados pelo ritmo de queda da inflação combinado com a diminuição gradual da taxa básica de juros - são elementos que reforçam a confiança de que a saída da crise está próxima. Junto a isso, reformas estruturais, como a da Previdência, continuaram a reforçar o otimismo de quem opera no mercado de ações. 

Um bom termômetro disso é o Ibovespa - o índice que reúne as ações mais negociadas e de empresas de maior valor de mercado da bolsa -, que encerrou o mês de fevereiro em alta de 3,08% aos 66.662 pontos. No ano, acumula valorização de 10,68%.

Apesar da boa performance nesse intervalo de tempo, o índice terminou esta sexta-feira (24/02) em baixa de 1,18%, acompanhando a queda de bolsas internacionais por causa das incertezas em relação às políticas inflacionárias de Donald Trump. Outros fator que pesou ao longo do dia foi a queda do preço do petróleo, o que fez a ação ordinária (com direito a voto) da Petrobras cair 3,16%. 

Os movimentos da gestão Trump ainda devem ser acompanhados em março, segundo Fabio Colombo, administrador de investimentos que elabora o ranking. Para ele, outras "cascas de banana" que podem trazer nervosismo ao mercado de renda variável são o andamento das reformas no Congresso e os desdobramentos da Lava Jato, que terá delações importantes. 

O segundo destaque do ranking de Colombo é o ouro, que teve valorização de 2,06% no mês e de 4,55% no ano. 

Na contramão, as moedas internacionais continuaram se enfraquecendo em relação ao real. O dólar caiu 1,19% no mês e 4,26%  no ano. O euro caiu 3,26% no mês e 3,53% no ano. 

RENDA FIXA 

Segundo Colombo, a inflação em queda rápida combinada com a redução gradual de juros ainda garante ganhos ao investidor na renda fixa.

Para ter uma ideia, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de fevereiro variou apenas 0,08%. No entanto, o administrador lembra que essa vantagem pode ser desfrutada em um intervalo de curto prazo, ou seja, de até um ano. 

O comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), após a redução da taxa Selic de 13% ao ano para 12,25% ao ano, reforçou a previsão de que os juros podem encerrar esse ano em 9,5% ao ano, se não houver solavancos nas reformas que buscam equilibrar a economia. 

Com a taxa ainda em dois dígitos, o ganho médio mensal proporcionado pelos fundos de renda fixa puros foi de 0,80% a 0,95%, dependendo da taxa de administração. Os fundos DI também encerraram o mês com retorno médio de 0,75% a 0,90%.

No ano, esses fundos renderam em média 2,06% e 2%, respectivamente. Os CDBs, em média, ofereceram rentabilidade de 0,75% a 0,90%, dependendo do risco de crédito do banco emissor. No ano, o ganho aproximado foi de 1,85%. 

"Nesse cenário ainda considero oportuno o investimento em títulos públicos atrelados à inflação, que pagam um cupom de 5% a 6% mais a inflação do período. É preciso cuidado para não deixar uma parcela grande da carteira nesses títulos porque são de longo prazo, o que pode trazer oscilações na rentabilidade", diz.  Ou seja, os títulos pagam um bom rendimento no vencimento, mas ao longo do prazo aplicação  ele pode oscilar, como tem ocorrido neste início de ano.

Os títulos públicos indexados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ofereceram uma rentabilidade indicativa de 0,70% a 0,85%, dependendo do prazo do papel, em fevereiro. No ano, acumularam retorno de 1,68%. 

A caderneta de poupança, nesse cenário, continuou oferecendo uma rentabilidade limitada, de 0,53% no mês e de 1,20% no ano, mas livre de impostos e taxas. Ganhou da inflação medida pelo IGP-M em fevereiro, e continua sendo indicada apenas a quem não tem acesso a outras aplicações. 

FOTO: Thinkstock

Arte: William Chaussê