Finanças

Oferta de microcrédito vai crescer, diz presidente do BC


Roberto Campos Neto (foto) destacou que os grandes bancos estão olhando para essa modalidade com mais atenção


  Por Redação DC 09 de Janeiro de 2020 às 12:48

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta quinta-feira, 9/01, que a expectativa é de que o microcrédito tenha uma expansão grande no Brasil em 2020.

"Alguns bancos que não fazem querem fazer. É um produto que tem inadimplência baixa", afirmou, durante coletiva de imprensa.

Ele observou, no entanto, que para os bancos maiores o microcrédito tem a desvantagem de ter um crescimento mais baixo, em prazos mais longos. Ainda assim, segundo ele, os bancos grandes também estão se interessando pelo produto.

"Temos sentido que bancos grandes estão olhando para o microcrédito com mais carinho. Vocês vão ver novas plataformas fazendo microcrédito", disse Campos Neto.

O presidente do BC citou que a Caixa Econômica Federal quer fazer um programa novo de microcrédito. "O microcrédito pode gerar efeito riqueza de forma mais ampliada", acrescentou. 

PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Campos neto disse também que a inadimplência no mercado de crédito se deve à falta de educação financeira dos tomadores.

Ao fazer um balanço das medidas da Agenda BC#, ele afirmou que a instituição tem estimulado a formação de poupança e a renegociação de dívidas pelos bancos com programas de educação financeiras como contrapartida.

"Queremos incentivar um maior entendimento sobre poupança e outros produtos financeiros", afirmou.

DÍVIDA PRIVADA

O presidente do Banco Central falou ainda que a instituição pretende fazer uma "reinvenção da dívida privada", mas reforçou que é preciso dar valor de liquidez aos títulos privados para possibilitar isso.

"Isso significa ter mais mercado de compra e venda, e mais tranquilidade para os bancos negociarem esses títulos privados".

Campos Neto destacou o crescimento da captação não bancária, sobretudo das emissões de debêntures. "Isso vai desintermediar um pouco o sistema.”

O presidente do BC mais uma vez afirmou que a reinvenção do mercado privado permitirá liberações adicionais de depósitos compulsórios. "Queremos que a substituição do crédito público pelo privado reduza o custo para os tomadores. Assim o ciclo de fecha", afirmou. 

*com informações do Estadão Conteúdo

IMAGEM: José Cruz/Agência Brasil