Finanças

Novembro é o mês de acertar as contas


Feirões de renegociação esperam que o consumidor use o 13º para limpar o nome em condições facilitadas. Evento da Boa Vista SCPC começa nesta terça (10/11) no Memorial da América Latina


  Por Karina Lignelli 10 de Novembro de 2015 às 14:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


É tempo de mais uma temporada de renegociação de dívidas. Em novembro, Boa Vista Serviços e Serasa Consumidor realizarão em São Paulo e Rio de Janeiro os tradicionais feirões gratuitos “limpa-nome”. 

Nos anos de boom do consumo, os consumidores aproveitavam as condições mais flexíveis das empresas para quitar pendências - e fazer novas compras

Mas, no atual cenário, de alta no desemprego e dos juros e de queda na renda, a expectativa é que o pagamento da primeira parcela do 13º salário ou alguma eventual reserva financeira sejam usados para pôr fim à negativação.  

Com mais dificuldade em recuperar crédito, as empresas como Casas Bahia, NET, Santander, Bradesco, Claro, Natura, Banco Pan e Eletropaulo, entre outras, abrirão concessões, darão descontos e ampliarão as condições de parcelamento para incentivar o consumidor a sair dessa situação. 

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“Esse é o momento ideal para pechinchar, quitar as dívidas e melhorar o orçamento para entrar em 2016 com a vida financeira saudável”, diz Raphael Salmi, gerente de recuperação de crédito da Serasa Consumidor. 

Apesar de os indicadores de inadimplência estarem controlados, na casa dos 5,7%, de acordo com informações do Banco Central – um reflexo da redução do consumo e da cautela do consumidor -, esse é o momento de se organizar, afirma Flávio Calife, economista-chefe da Boa Vista.

“O consumo já caiu 3% mas, como todo mundo está com o orçamento apertado, o 13º ajudará a fazer uma boa renegociação e se organizar.”  

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Uma pesquisa realizada no final de setembro da Boa Vista mostra isso: apesar de 20% dos consumidores declararem que sua situação financeira piorou no 3º trimestre de 2015, 77% acreditam ter condições de pagar as dívidas que “sujaram” o nome. 

Outros 67% pretendem regularizar a dívida de forma parcelada, e 66% disseram que vão regularizar nos próximos 30 dias.
 
Apesar do adiamento da parcela do 13º salário dos aposentados para outubro – e muitos fizeram dívidas para ajudar filhos e netos - a expectativa em relação aos anos anteriores é que esses feirões sejam “um sucesso”, acredita Emílio Alfieri, economista da ACSP. 

Ele lembra que muita gente entrou em prestações quando os juros eram menores, mas nesse ano não foi assim. Portanto, o 13º poderá ser a salvação para renegociar ou poupar

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“A renegociação vai predominar de maneira ampla neste ano difícil, por isso as campanhas vêm em boa hora para manter a inadimplência sob controle. Se pelo menos elas ajudarem-na a não subir, já será uma grande coisa.”

NÃO À RECAÍDA

Mesmo com a aparente disposição das empresas em recuperar o crédito, os consumidores também precisam tomar cuidado para não se tornarem “reinadimplentes”.

Isso implica ficar atento a fatores como não se empolgar com o abono de Natal, optar pelas dívidas mais caras se não der para pagar todas... E não fazer novas dívidas, claro. 

Calife, da Boa Vista, diz que, em um ano, mais de 50% dos consumidores que renegociaram suas contas voltaram a ficar inadimplentes.

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“É preciso ir para um evento desse preparado, sabendo o quanto pode comprometer do seu orçamento para renegociar da melhor forma possível.”

Salmi, da Serasa, tem opinião semelhante. Segundo ele, é preciso ter clareza sobre sua renda líquida e colocar na ponta do lápis o quanto se pode efetivamente pagar. 

“É preciso fazer as contas e estar consciente do quanto se terá disponível para solicitar o parcelamento ou o desconto. E aí sim, limpar o nome.” 

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Mas a questão vai mais além: além de mostrar a diferença entre ter dívidas e ser inadimplente – quem não consegue honrar as dívidas - reequilibrar o orçamento depende de orientação, afirma Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira. 

“Esse é um problema de 57 milhões de brasileiros, e envolve hábitos não só do devedor, mas de toda a família, que paralisou sua situação financeira, só compra se for à vista e se sente deprimido por não conseguir quitar suas dívidas”, afirma.  

Caso o devedor não se eduque, nem se programe para ter o valor não só da primeira parcela, mas das próximas, a renegociação não adiantará nada. E é pior do que dever para o cartão de crédito ou cheque especial, já que é uma confissão de dívida documentada.  

“Porém, pode ser o momento de refletir, saber as condições ofertadas e envolver a família para corrigir o problema, ficar adimplente de novo e retomar o padrão de vida.”  

SAIBA MAIS 

No “Acertando suas Contas”, da Boa Vista Serviços,que será realizado de 10 a 14 de novembro, além das negociações, serão distribuídas 800 mil cartilhas de orçamento doméstico. 

Também haverá palestras para orientar o consumidor a lidar com as finanças. Nas edições anteriores, foram realizadas mais de 346 mil negociações com 815 mil famílias.   

Já o “Super Feirão Limpa Nome”, do Serasa, será realizado de 24 e 28 de novembro em São Paulo, também terá uma versão online, entre os 3 e 14, para que os consumidores de qualquer lugar do país possam renegociar suas dívidas.  

De acordo com a Serasa, nas edições anteriores, os descontos nas renegociações chegaram a 95%. 

Foto: José Patrício/Estadão Conteúdo