Finanças

Juro no cheque especial sobe a 324,7%


A taxa média de juros no crédito livre subiu de 40,3% ao ano em dezembro para 41,1% ao ano em janeiro


  Por Estadão Conteúdo 27 de Fevereiro de 2018 às 11:02

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A taxa média de juros no crédito livre subiu de 40,3% ao ano em dezembro para 41,1% ao ano em janeiro, informou nesta terça-feira (27/2), o Banco Central (BC). Em janeiro de 2017, essa taxa estava em 52,8% ao ano.

Para pessoa física, a taxa média de juros no crédito livre subiu de 55,1% para 55,8% ao ano de dezembro para janeiro, enquanto para pessoa jurídica aumentou de 21,6% para 22,3% ao ano.

Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, destaque para o cheque especial, cuja taxa subiu de 323,0% ao ano para 324,7% ao ano de dezembro para janeiro. No crédito pessoal, a taxa caiu de 44,3% para 46,1% ao ano. Para veículos, os juros subiram de 22,2% para 22,7% ao ano, de dezembro para janeiro.

A taxa média de juros no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), foi de 25,6% ao ano em dezembro para 26,3% ao ano em janeiro. Em janeiro de 2017, estava em 32,9%.

ICC

Já o Indicador de Custo de Crédito (ICC) permaneceu estável em janeiro ante dezembro, em 15,6% ao ano. O porcentual reflete o volume de juros pagos, em reais, por consumidores e empresas no mês, considerando todo o estoque de operações, dividido pelo próprio estoque. Na prática, o indicador reflete a taxa de juros média efetivamente paga pelo brasileiro nas operações de crédito contratadas no passado e ainda em andamento.

MÉDIA DIÁRIA 

A média diária de concessões de crédito livre caiu 19,4% em janeiro ante dezembro, para R$ 11,7 bilhões, informou o Banco Central. Houve avanço, no entanto, de 6,8% em 12 meses até janeiro.

No crédito direcionado, a média de concessões caiu 48,5% em janeiro ante dezembro, para R$ 0,8 bilhão. Em 12 meses até janeiro, há baixa de 5,8%.

Quando se soma o crédito livre e o direcionado, a queda das concessões médias foi de 22,3% em janeiro, para R$ 12,5 bilhões. No acumulado de 12 meses, há uma alta de 5,5%.

SPREAD MÉDIO 

O spread bancário médio no crédito livre subiu de 31,8 pontos porcentuais em dezembro para 32,9 pontos porcentuais em janeiro, informou o Banco Central. Um ano antes, o indicador estava em 41,7 pontos. O spread é a diferença entre a taxa de captação paga pelo banco e o juro efetivamente cobrado dos clientes que tomam o crédito.

O spread médio da pessoa física no crédito livre subiu de 46,2 pontos para 47,2 pontos porcentuais no período.

Para pessoa jurídica, o spread médio passou de 13,7 pontos para 14,7 pontos porcentuais.

O spread médio do crédito direcionado passou também subiu e de 4,3 pontos em dezembro para 4,8 pontos porcentuais em janeiro.

Já o spread médio no crédito total (livre e direcionado) avançou de 18,9 pontos para 19,8 pontos porcentuais no período.

INADIMPLÊNCIA

A taxa de inadimplência no crédito livre passou de 4,9% em dezembro para 5,0% em janeiro, informou o Banco Central. Em janeiro de 2017, a taxa estava em 5,7%.

Para pessoa física, a taxa de inadimplência ficou estável em 5,2% no mês passado. Para as empresas, a taxa passou de 4,5% para 4,8%.

A inadimplência do crédito direcionado passou de 1,5% em dezembro para 1,7% em janeiro.

Já o dado que considera o crédito livre mais o direcionado mostra que a taxa de inadimplência foi de 3,2% para 3,4%.

BC

Para o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, a queda de 0,8% no saldo total de crédito total do sistema financeiro nacional em janeiro ante dezembro decorreu de fatores sazonais de fim de ano, que se esgotaram no primeiro mês de 2018.

Ele destacou que o saldo de crédito para pessoas físicas continuou crescendo no mês passado, com alta de 0,5%, enquanto houve retração de 2,3% no estoque de financiamentos para empresas.

"As operações para pessoas jurídicas devolveram o crescimento de dezembro com a queda de janeiro", diz.

Ainda de acordo com Rocha, a redução constante no volume de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) continua afetando o resultado para as empresas.

Além disso, operações de curto prazo no crédito livre - como capital de giro, antecipação de fatura de cartão e desconto de duplicatas - normalmente apresentam redução no primeiro mês do ano.

"Temos uma sazonalidade bem marcada".

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