Finanças

Inadimplência representa 38,27% do custo do crédito


Relatório de Economia Bancária, do Banco Central, prevê crescimento de 7% para o saldo de crédito para as pessoas físicas e queda de 2% para empresas


  Por Estadão Conteúdo 12 de Junho de 2018 às 10:02

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A inadimplência de cidadãos e empresas foi responsável por 38,27% do spread do Indicador de Custo de Crédito (ICC) em 2017, conforme o Relatório de Economia Bancária (REB), publicado pelo Banco Central. Em 2016, o custo da inadimplência representava 38,57% do spread.

O ICC é um indicador que reflete o volume de juros pagos, em reais, por consumidores e empresas no mês, considerando todo o estoque de operações, dividido pelo próprio estoque.

Na prática, o indicador reflete a taxa de juros média efetivamente paga pelo brasileiro nas operações de crédito contratadas no passado e ainda em andamento. Já o spread diz respeito à diferença entre o custo de captação dos bancos e o que é efetivamente cobrado do consumidor final. 

Os dados do BC mostram ainda que as despesas administrativas dos bancos foram responsáveis por 25,55% do spread do ICC no ano passado, ante 24,23% em 2016. Já o custo com tributos e Fundo Garantidor de Crédito (FGC) representou 22,13% do spread, sendo que em 2016 a fatia era de 22,79%. 

Os números indicam ainda que a margem financeira dos bancos somou 14,04% do spread do ICC no ano passado, ante 14,41% em 2016. 

O Relatório de Economia Bancária (REB), publicado hoje pelo BC, busca jogar luz sobre a questão dos spreads no Brasil, que tem sido alvo de discussões no Congresso, nos meios acadêmicos e no próprio mercado financeiro.

O Banco Central registra no Relatório de Economia Bancária (REB) que suas projeções apontam para crescimento do crédito em 2018.  

"Projeta-se crescimento de 7,0% para o saldo de crédito para as pessoas físicas e queda de 2,0% para o saldo das pessoas jurídicas", informou o BC no relatório.

"Assim, a projeção de crescimento da carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional SFN é de 3,0% em 2018."

No relatório, o BC também defendeu que, mesmo que as reduções da Selic (a taxa básica da economia) sejam repassadas integralmente para o custo de captação e para as taxas de juros das operações de crédito, a queda nos juros do crédito a famílias e empresas em termos porcentuais será menor do que a da taxa Selic.

Isso ocorre, conforme o BC, porque a Selic é apenas "um dos ingredientes na formação do custo do crédito".

"E, quanto menor for a participação da Selic no custo do crédito, como no caso de modalidades com altas taxas de inadimplência, menor será o impacto em termos percentuais", pontuou o BC.

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