Finanças

Inadimplência fica estável em junho


Cautela maior do consumidor para comprar a prazo contribui para que o indicador não acelere – tendência é de manutenção da taxa entre 2% e 3% até o fim do ano


  Por Karina Lignelli 08 de Julho de 2015 às 16:11

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


O brasileiro está procurando se endividar menos. Essa é uma das conclusões possíveis do levantamento da Boa Vista Serviços SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), divulgado nesta quarta-feira (08/07). A inadimplência do consumidor cresceu 0,3% em junho se comparada ao mês anterior, o que é considerada uma estabilidade. No entanto, na comparação com o mesmo mês do ano passado, a alta no número de inadimplentes é de 1,2% – no acumulado de janeiro a maio de 2015 ante 2014, a alta foi de 1%.

Apesar da piora do cenário macroeconômico dos últimos meses, com a alta dos juros, dos preços e dos impostos, o indicador não acelera mais devido à falta de confiança do consumidor, que tem evitado as compras a prazo.

No mês de maio, o nível de desemprego chegou a 6,7%, recorde em 5 anos e a demanda por crédito caiu 3,9%. Estes são claros sinais de que o consumidor está procurando evitar as novas dívidas, na leitura de Flávio Calife, economista da Boa Vista Serviços SCPC. 

A boa notícia é que, com tanta cautela, o estoque (de inadimplentes) também não está crescendo. Calife acrescenta que “o indicador não deve ter maiores efeitos, pois evidencia que a ligeira alta do índice é por motivos estruturais”, diz. Na expectativa do economista, o indicador não deve passar dos 2%, 3% em 2015.

Emílio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), concorda que o controle da inadimplência reside sobre a queda na confiança do consumidor, que nos últimos meses têm evitado comprar bens duráveis e eletrodomésticos. Mais que isso, os bancos também aumentaram as exigências e a concessão de crédito etá mais seleta. 

“Há uma prudência tanto de quem concede como de quem compra. No varejo, isso ajudou a diminuir o número de carnês inadimplentes. Por outro lado, a situação está feia em outras formas de pagamento, como cartão de crédito e dívidas com bancos”, afirma o economista da ACSP.

Assim como o economista da Boa Vista, Aliferi não acredita em um “estouro” de inadimplência nos próximos meses, já que a desaceleração do consumo e do crédito tende a abafar as variáveis macroeconômicas. Apesar do cenário econômico nebuloso, os economistas não esperam que o indicador chegue perto da marca de 1998, quando a inadimplência acumulada de 100% desestruturou lojas como Mappin e Mesbla.

“Hoje há lojas fechando, mas é mais por falta de demanda. Por outro lado, 1,5% de alta (da inadimplência) não mata ninguém", diz Alfieri. "A tendência é que fique estável até começar a retomada da economia. Muita gente terá dificuldades, mas não serão grandes problemas."

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