Finanças

Inadimplência das famílias paulistanas é a maior desde 2013


Pesquisa da FecomercioSP mostra que 1,88 milhão de pessoas na cidade têm dívidas e 7,1% acreditam que não vão conseguir pagar os débitos no próximo mês


  Por Estadão Conteúdo 06 de Novembro de 2015 às 20:17

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), produzida mensalmente pela Federação do Comércio de Bens de São Paulo (FecomercioSP), indicou em outubro que 18% das famílias paulistanas estavam inadimplentes, uma alta puxada pela fatia de baixa renda (renda inferior a 10 salários mínimos). 

O índice representa a terceira alta seguida no ano e o maior valor desde julho de 2013.

A pesquisa foi feita com 2.200 pessoas na cidade de São Paulo e também aponta que 52,4% das famílias paulistanas têm alguma dívida. 

Apesar do recuo em relação ao mês anterior, no qual 54,7% das famílias estavam endividadas, a comparação com outubro de 2014 é preocupante: o total chegou a 1,88 milhão de pessoas, alta de 7,1%.

Entre a população de baixa renda, 57,5% das famílias possuem algum tipo de contas a pagar. 

Para Vitor França, assessor econômico da FecomercioSP, o aumento do número de endividados nesta faixa de renda apresenta um primeiro estágio da contração do consumo.

"As famílias foram até onde podiam ir, já queimaram as reservas que tinham, e estão sofrendo muito com a alta dos preços, e também com o aumento rápido do desemprego", pondera.

O levantamento mostra que 54% dos paulistanos possuem dívidas com prazos superiores a seis meses, mas houve a expansão da parcela de dívidas por períodos mais curtos - o que envolve empréstimos mais arriscados, como com o cartão de crédito.

CARTÃO E CHEQUE

Em 73,7% das famílias, a dívida principal envolve o cartão de crédito, com larga vantagem para débitos com financiamentos automotivos (18%), carnês em geral (17,7%), residencial (12,8%), crédito pessoal (10,9%) e cheque especial (8,2%).

Tanto o cartão quanto o cheque especial - que têm as taxas mais altas entre as operações para pessoas físicas - tiveram aumento no último mês.

"Essa elevação sugere que as famílias de baixa renda estão correndo cada vez mais atrás destas linhas de crédito emergenciais. Isso é extremamente preocupante, pois a gente sabe como essa taxa é alta e como se pode perder o controle das finanças assim", afirma França.

Dentre os entrevistados, 7,1% acreditam que não vão conseguir honrar suas dívidas no próximo mês, o maior percentual desde 2009. Entre aqueles que recebem menos de 10 salários mínimos, a afirmação é positiva para quase 10% dos casos.

IMAGEM: Thinkstock






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