Finanças

Ibovespa ofereceu o maior retorno para o investidor em junho e no semestre


Na contramão, dólar e euro terminam o mês na lanterna por causa do Brexit, com quedas de 11,12% e 11,34% respectivamente


  Por Karina Lignelli 30 de Junho de 2016 às 17:35

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


As perspectivas do mercado de melhora da economia brasileira fizeram a bolsa encerrar o mês de junho com alta de 6,30%.

Com isso, a aplicação voltou a liderar o ranking de rentabilidade elaborado pelo administrador de investimentos Fabio Colombo no mês e no ano. No primeiro semestre de 2016 o Ibovespa (índice das ações mais negociadas e de maior valor de mercado da bolsa) ofereceu ganhos de 18,86% ao investidor. 

Segundo Alvaro Bandeira, economista-chefe do homebroker Modal Mais, embora pouco de concreto tenha sido realizado pela equipe do presidente interino Michel Temer - já que medidas precisam passar pelo Congresso - o governo e a atuação de alguns de seus ministros puxou a recuperação do índice da bolsa. É o que ele chama de efeito Temer. 

“O Senado anunciou que vai votar medidas como a da terceirização, do jogo de azar e do estabelecimento de um teto para as despesas da União. Tudo isso trouxe uma perspectiva positiva ao mercado interno”, diz. 

A recuperação no preço de commodities como minério de ferro e petróleo também animaram os investidores, valorizando ações de siderúrgicas e de empresas como Vale e Petrobras, completa. 

Colombo tem opinião semelhante. Para ele, além do efeito contrário a maio, quando o dólar subiu e a bolsa fechou em queda, os agentes de mercado acreditam que, aos poucos, os fundamentos da economia estão melhorando – o que explica o resultado positivo do Ibovespa. 

“Se não fosse o Brexit, teria subido até mais”, afirma, lembrando que, além desse otimismo, o índice está na casa dos 57 mil pontos e ainda há espaço para avançar.

Olhando o lado externo, a saída da Grã-Bretanha da União Europeia – o“Brexit” - trouxe nervosismo aos mercados e, com isso, bastante volatilidade, assim como a desaceleração da economia chinesa. Apesar disso, houve uma leve recuperação das bolsas internacionais no fim do mês. 

Embora a bolsa de Londres, por exemplo, tenha recuperado todas as perdas na sequência à decisão, este ainda não foi um ponto final para essa volatilidade. Para Bandeira, as bolsas europeias podem sentir o baque “mais para frente”, ou seja, quando surgirem novas projeções para o crescimento da União Europeia e do Reino Unido. 

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Já no caso da bolsa brasileira, o que guiará o desempenho será a definição de algumas incertezas e a principal delas é em relação ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, segundo o economista-chefe da Modal Mais.

Dentro desse cenário, Fabio Colombo recomenda ao investidor a venda parcial e gradativa de papéis na bolsa. Já Bandeira orienta o investidor a aguardar se tiver ações de empresas maduras e com boa governança corporativa.

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Influenciados tanto pelo cenário interno como externo, o dólar, que havia liderado o ranking de investimentos em maio, fechou junho com queda de 11,12%, acumulando recuo de 18,80% no ano. Operando em patamar baixo, a moeda terminou o mês em R$ 3,21. 

O euro também ficou na lanterna, com queda de 11,34% no mês e 17,41% no ano.  O resultado negativo de ambos se deve à queda das bolsas, em dólares, à decisão de manutenção dos juros pelo Fed (o Banco Central norte-americano), e ao Brexit, segundo Colombo.

O Brexit também influenciou o desempenho do ouro, de acordo com o ranking: apesar da alta no exterior, no mercado brasileiro o metal fechou junho em baixa de 3,06%, e de 0,37% no ano. 

Internamente, a desvalorização do dólar teria espaço para se aprofundar no curto prazo, mas não por um período mais longo, já que afetaria as exportações, de acordo com Bandeira.   

Para o economista-chefe da Modal Mais, a tendência de longo prazo das moedas é de valorização do dólar sobre o euro, já que a economia da Europa vai enfraquecer com o Brexit. “Já a economia americana tem sinalizado recuperação, por isso a moeda tende a se fortalecer mais.”

RENDA FIXA 

A perspectiva do mercado financeiro é que a Selic entre em trajetória de queda a partir do fim deste ano, o que tem mantido os juros futuros estáveis.

Isso beneficiou os fundos de renda fixa puros, que tiveram rentabilidade média bruta de 1,05% a 1,20% em junho e de 6,81% no ano, oferecendo assim a segunda maior rentabilidade em junho no ranking de Colombo. Quando as taxas futuras não oscilam de forma brusca, melhor é o valor presente dos títulos nas carteiras desses fundos. 

"Principalmente se esses fundos alocam o recurso em títulos com prazo de cinco anos, que pagam 14% ao ano. Lá na frente, se a taxa de juros cai para 11%, o fundo teve ganho", diz Amerson Magalhães, diretor da Easynvest Corretora. 

Os fundos DI, com o terceiro melhor desempenho mensal do ranking de Colombo, com rendimento bruto de 1,05% a 1,20% no mês e de 6,74% no ano foram beneficiados por causa dos juros ainda altos, que mantêm o CDI (Certificado de Depósito Interbancário, taxa praticada entre bancos) atrativo. 

Segundo Amerson, os títulos públicos indexados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) continuam sendo um boa alternativa, pois pagam um cupom de juros e mais a inflação, especialmente se o pequeno investidor puder resgatar no vencimento.

Quem saca antes pode ter prejuízo se a taxa do dia não estiver atrativa. Os cupons de juros desse título mudam diariamente, e têm oscilado de 5,9% a 6,40% ao ano, de maio para junho. 

Em junho, esse título público rendeu na faixa de 0,80% a 0,95%, dependendo do prazo do papel. No ano, ainda continua a acumular uma boa rentabilidade indicativa, de 7,43%. 

"A expectativa é que a inflação comece a ceder, e isso abre espaço para a redução na taxa de juros. Pode ser uma oportunidade para ter uma parcela dos recursos em títulos prefixados", diz Magalhães. 

O fato é que, no curto prazo, o ganho real das aplicações ainda está pressionado pela inflação. O IPCA acumulado em 12 meses até maio está em 9,32% - só menor do que o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) que neste período acumulou alta de 12,21%. 

O índice que reajusta contratos de aluguel encerrou junho em 1,69% e superou os ganhos de todas as aplicações de renda fixa na comparação mensal. 

No acumulado do ano, quem teve um bom desempenho foi o Certificado de Depósito Bancário (CDB, uma espécie de empréstimo ao banco), que ofereceu rendimento médio de 6,55% nesse período. No mês, a rentabilidade média oscilou de 1% a 1,15%. 

Já a poupança continua perdendo da inflação medida pelo IGP-M e pelo IPCA no mês e no ano, rendendo 0,71% e 4%, respectivamente. 

Foto: Thinkstock / Colaborou Rejane Tamoto