Finanças

Governo segura a primeira parcela do 13º a aposentados


O pagamento de 50% do abono aos beneficiários do INSS no mês de agosto não é obrigatório, mas o governo faz esse adiantamento desde 2006


  Por Estadão Conteúdo 14 de Agosto de 2015 às 15:57

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A dois dias das manifestações programadas para todo o país contra Dilma Rousseff, o governo decidiu que não vai pagar em agosto o adiantamento do décimo-terceiro salário de aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social)

Fonte do Ministério da Fazenda confirmou que a decisão foi tomada. As manifestações estão previstas para o próximo domingo (16/08).

O pagamento no mês de agosto de 50% do abono aos beneficiários da Previdência Social não é obrigatório, mas o governo vinha adotando essa prática de fazer o adiantamento desde 2006. 

No ano passado, um decreto assinado ainda no dia 4 de agosto pela presidente Dilma permitiu que os repasses fossem feitos entre 25 de agosto e 5 de setembro. O valor foi creditado junto com o pagamento do benefício mensal.

De acordo com um auxiliar do ministro Joaquim Levy, a pasta tenta encontrar uma solução para o problema até o fim do mês, mas ainda não há previsão de nova data para o pagamento. 

O Ministério da Previdência Social não confirma a informação e ressalta que o assunto está sendo tratado pelo Ministério da Fazenda. Oficialmente, a Fazenda ainda não anunciou a decisão.

IMPACTO NA CADERNETA DE POUPANÇA

Sangrando por causa do baixo rendimento e da piora do mercado de trabalho, a poupança deve receber mais um duro golpe em agosto, por causa da decisão do governo de não pagar este mês o adiantamento do décimo-terceiro salário de aposentados e pensionistas do INSS. 

Os depósitos que ainda são feitos na caderneta nos últimos tempos têm vindo justamente da parcela de recursos extras de trabalhadores e aposentados. Tanto que o grosso das aplicações tem sido concentrada no último dia de cada mês, quando muitas baixas automáticas são realizadas.

Confirmado esse não pagamento, aumenta a chance de, com menos sobra ainda de recursos, a poupança sofrer mais este baque. 

Desde o começo do ano, os resgates têm superado as aplicações. De janeiro a julho de 2015, os saques já superam os depósitos em R$ 41 bilhões. A falta desses recursos atingiu diretamente duas áreas importantes de crédito para o país: o imobiliário e a agricultura.

Por causa disso, no final de maio o governo apresentou uma complexa engenharia financeira para tentar prover funding (captação de recursos) a essas operações. 

O resultado revelado até agora por meio de dados do Banco Central é positivo e mostra que a ação ajudou no redirecionamento dos recursos. Mas a escassez nessa aplicação é de infraestrutura e segue como um problema ainda a ser resolvido pelo governo.

Tradicionalmente, agosto é mais fraco para a poupança na comparação com mês anterior. 

Julho é um período em que muitos trabalhadores tiram férias e podem receber adiantamento do décimo-terceiro salário, além dos demais benefícios. 

Há, portanto, mais chances de sobra dos rendimentos para investimento. Com a situação crítica da caderneta, o quadro tende a piorar. Em julho, o volume de resgates foi R$ 2,5 bilhões maior do que o de aplicações. Nos primeiros 10 dias deste mês, o resultado já está negativo em R$ 2,3 bilhões.

Foto: Thinkstock