Finanças

Endividamento atingiu 66,3% dos consumidores em dezembro de 2020


O cartão de crédito continua a ser a principal fonte de comprometimento da renda do brasileiro, segundo levantamento da CNC


  Por Redação DC 06 de Janeiro de 2021 às 13:55

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Após três reduções seguidas, o número de brasileiros com dívidas voltou a subir no último mês de 2020, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de dezembro apontou que 66,3% dos consumidores estão endividados, uma alta de 0,3 ponto percentual com relação a novembro. No comparativo anual, o indicador registrou aumento de 0,7 ponto percentual.

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o crédito deve ganhar destaque na retomada da economia, em 2021. “É importante não somente seguir ampliando o acesso aos recursos com custos mais baixos, mas também alongar os prazos de pagamento das dívidas para mitigar o risco da inadimplência no sistema financeiro”, diz Tadros.

Sle lembra que “grande parte do crédito ofertado durante a pandemia foi concedido com carência nos pagamentos e deve começar a vencer no início deste ano”.

No corte de renda, as trajetórias do endividamento passaram a apresentar tendências semelhantes em dezembro. Entre as famílias que recebem até 10 salários mínimos, o percentual subiu para 67,7% do total – após três reduções consecutivas.

Para as famílias com renda acima de 10 salários, esta mesma proporção aumentou para 60%.

Segundo a economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, com o fim do auxílio emergencial em janeiro as famílias de menor renda assistidas pelo benefício precisam adotar maior rigor na organização dos orçamentos domésticos.

“O crédito pode voltar a funcionar como ferramenta de recomposição da renda, ainda no contexto de incertezas sobre a evolução do mercado de trabalho”, afirma Izis.

INADIMPLÊNCIA EM QUEDA

Apesar da alta do endividamento, os consumidores seguem conseguindo quitar débitos e compromissos financeiros.

O total de famílias com dívidas ou contas em atraso apresentou a quarta redução consecutiva, caindo de 25,7%, em novembro, para 25,2%, em dezembro.

Em comparação com igual mês de 2019, a proporção cresceu 0,7 ponto percentual.

A parcela das famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permanecerão inadimplentes teve nova retração, passando de 11,5% para 11,2%. Em dezembro de 2019, o indicador havia alcançado 10%.

TIPO DE DÍVIDA

Com relação aos tipos de dívida, a proporção de brasileiros que utilizam o cartão de crédito voltou a crescer, alcançando 79,4% das famílias – a maior taxa desde janeiro de 2020 – mantendo-se como a principal modalidade de endividamento.

Além do cartão de crédito, o cheque especial também aumentou a sua participação entre as famílias endividadas. “Ambas são modalidades associadas ao consumo imediato e de curto e médio prazos”, destaca Izis.

 

IMAGEM: Thinkstock






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