Finanças

Dólar supera R$ 4, maior valor desde a criação do Real


Incertezas sobre o desfecho das crises política e econômica estão pressionando a cotação da moeda norte-americana


  Por Redação DC 22 de Setembro de 2015 às 16:47

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Em um dia de turbulência no mercado financeiro, a moeda norte-americana fechou acima de R$ 4 pela primeira vez desde a criação do Plano Real. 

O dólar comercial subiu 1,83% e encerrou esta terça-feira (22/09) vendido a R$ 4,054. O recorde anterior correspondia a 10 de outubro de 2002, quando a cotação tinha fechado em R$ 3,99.

O dólar operou acima de R$ 4 ao longo de toda a sessão. Na máxima do dia, por volta das 14h30, chegou a ser vendido a R$ 4,061. A divisa acumula alta de 11,76% apenas em setembro e de 52,47% em 2015.

As incertezas sobre a crise política e o ajuste fiscal do governo, além da sinalização de alta dos juros nos Estados Unidos influenciaram a cotação da moeda ao longo do dia. 

Diferentemente de segunda-feira (21/09), quando vendeu US$ 3 bilhões das reservas internacionais com compromisso de recompra, o Banco Central não interveio diretamente no mercado de câmbio hoje. 

O órgão apenas continuou com a rolagem (renovação) dos leilões de swaps cambiais, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro.

Até agora, o BC rolou US$ 6,74 bilhões do lote total de US$ 9,46 bilhões, equivalente a 71% do total. Nos leilões de rolagem, o BC não vende contratos novos de swap cambial. Apenas adia o vencimento de contratos leiloados nos meses anteriores.

Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central, evitou fazer comentários sobre o dólar. "Não faço referência ao patamar da taxa de câmbio", disse, acrescentando que o câmbio flutuante reflete as condições de oferta e demanda e traz equilíbrio às contas externas.

"As condições de mercado definem o câmbio e temos visto oscilação. Vemos o regime funcionando com repercussões em diversos itens, tanto em transações correntes quanto em outras contas", afirmou durante divulgação de números do setor externo. 

Maciel disse ainda que as atuações do Banco Central nesse mercado têm como referência reduzir a volatilidade do mercado e oferecer liquidez ao sistema.

INCERTEZAS

As incertezas em relação ao desfecho da crise econômica e política estão pressionando a moeda nos últimos dias.

Os boatos de mais um rebaixamento pelas agências de classificação de risco também exerceram influência sobre o dólar na semana passada.

A agência de classificação de risco Fitch passou a manhã desta terça-feira (22/09) no Ministério da Fazenda reunida com secretários para avaliar a situação econômica do país.

A classificação do Brasil, segundo a Fitch, ainda é de grau de investimento, ou seja, de um país seguro para o investidor estrangeiro.

Em Nova York, Mauro Leos, analista sênior de rating soberano da agência de classificação de risco Moody's, disse que será difícil a presidente Dilma Rousseff conseguir avançar no ajuste fiscal sem a aprovação da CPMF no Congresso. 

A avaliação dele é que há muita incerteza sobre se a medida será ou não aprovada e as chances são de 50% de passar e 50% de não passar. 

"É difícil ver o orçamento sem a CPMF, porque é muito difícil no curto prazo ajustar o gasto (do governo). Não é a solução mais eficiente, mas é a possível e a única, dada a situação como está", disse. 

Segundo ele, não há evidências de que o governo está conseguindo chegar perto de um acordo para o pacote fiscal. Leos frisou que a oposição está jogando forte, o que ajuda a elevar a incerteza.

Também contribuiu para a alta do dólar o cenário internacional. Nesta terça-feira (22/09), integrantes do Federal Reserve (Fed), Banco Central norte-americano, deram indicações de que o banco pode aumentar os juros dos Estados Unidos antes do fim do ano.

Na semana passada, o Fed decidiu adiar o aumento dos juros básicos da maior economia do planeta, que estão entre 0% e 0,25% ao ano desde o fim de 2008. 

Segundo o órgão, uma elevação neste momento poderia trazer riscos para a economia mundial.

Altas de juros nos Estados Unidos pressionam a cotação do dólar em todo o planeta. 

Taxas maiores incentivam os investidores a retirar recursos de países emergentes, como o Brasil, para aplicarem em títulos do Tesouro norte-americano, considerados a aplicação mais segura do planeta.

FOTO: Thinkstock

* Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil

* Atualizado às 17h49






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