Finanças

Dólar é o líder de rentabilidade em maio


Bolsa encerra o mês com queda de 10,09%, com mercado à espera de sinais concretos de ajuste fiscal do novo governo


  Por Karina Lignelli 31 de Maio de 2016 às 21:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Em uma trajetória inversamente proporcional à da bolsa, o dólar encerrou maio em alta de 5,10% e ocupou o topo do ranking de rentabilidade de aplicações financeiras elaborado por Fabio Colombo, administrador de investimentos.  

Mesmo assim, a moeda norte-americana acumula perdas de 8,65% nos cinco primeiros meses de 2016. A reversão na trajetória da moeda ocorreu ao longo do mês. 

No início de maio, o dólar estava em queda, mas com a mudança de governo voltou a subir novamente, afirma Raymundo Magliano Neto, presidente da Magliano Corretora. “Mas se houver uma instabilidade grande, ou mudanças no cenário político, pode subir ainda mais.”

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O euro, por sua vez, seguiu trajetória semelhante por conta do cenário político interno e subiu 2,16% em maio, com queda acumulada de 6,84% no ano. O investimento em moedas pode ser feito por meio de fundos cambiais, que seguem como opção de diversificação, segundo Colombo. 

As dificuldades políticas que o novo governo tem enfrentado por causa dos desdobramentos da Operação Lava-Jato levaram o Ibovespa (índice que reúne as ações mais negociadas e de maior valor de mercado da bolsa) a terminar o mês em queda de 10,09%. No último pregão do mês, o índice recuou 1,01%, aos 48.471, o menor patamar desde 6 de abril. 

O resultado alterou uma trajetória de alta que se intensificou nos dois meses anteriores, puxada pelo avanço do processo de impeachment da presidente Dilma Roussef.  No ano, o Ibovespa acumulou alta de 11,82%.   

As denúncias da Lava Jato, que incluem dois ministros do presidente interino Michel Temer, fizeram o mercado ficar receoso em maio, segundo Colombo, pois não se sabe se o governo terá forças para aprovar as medidas necessárias para ajustar a economia. 

“Esse é o x da questão”, afirma. Mas, para quem tem visão de longo prazo e perfil de risco, pode ser uma boa oportunidade de entrar na bolsa, segundo o administrador. 

A expectativa da saída de Dilma Rousseff, que levou à euforia nos meses anteriores, mudou a percepção do mercado, já que Temer tem encontrado dificuldades em aprovar suas propostas, diz Magliano Neto.  

“Isso gera instabilidade. Mesmo com a entrada de um governo pró-mercado, é preciso retomar a confiança. Vai demorar um tempo para a economia se recuperar”, afirma.  

O momento, segundo o especialista, não é de tomar posição na bolsa, mas sim de ser conservador nos investimentos.  “A sugestão é: saia da bolsa e fique em renda fixa. Mas se ficar, não invente muito, pois a hora é de comprar (ações)”, recomenda. 

O ouro, que ficou uma posição apenas acima da bolsa, fechou maio em queda de 1,89%, devido ao recuo da cotação do metal no exterior. Mas acumula alta de 3,54% no ano e, assim como os fundos cambiais, também pode ser uma opção de diversificação de portfólio, segundo Colombo.   

RENDA FIXA 

Com expectativa de que a Selic termine o ano em 12,88%, segundo o Relatório Focus do Banco Central divulgado na última segunda-feira (30/05), o investidor deve ficar atento aos prêmios na renda fixa. 

De acordo com o ranking elaborado por Fabio Colombo, em maio a rentabilidade desses fundos variou entre 1% e 1,15%, assim como a dos Fundos DI, mas dependem da política de juros do Banco Central. 

Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), com desempenho similar, tiveram remuneração indicativa na faixa de 85% a 110% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário, taxa praticada entre bancos) segundo o levantamento, dependendo do valor investido e do risco.

“Mas, com a inflação alta e a perspectiva de queda nos juros, talvez não seja grande coisa.”

Comparada à bolsa, a opção de investir em renda fixa atrelada aos fundos DI, LCI ou LCA é a melhor dentro do atual cenário político-econômico, na opinião de Raymundo Magliano Neto. 

“Se a ação está com lucro, vende, põe na renda fixa e espera o que vai acontecer”, afirma. “E para quem tem perfil mais agressivo, vale investir num fundo DI diário, onde se pode tirar o dinheiro a qualquer momento e aproveitar uma oportunidade na bolsa.”

Já a poupança, que apresentou rendimento líquido de 0,65% para as cadernetas com aniversário em maio, continua a perder em competitividade para esses fundos, devido ao atual patamar da taxa Selic. 

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