Finanças

Crise abala retorno de aplicações, mas poupa quem planeja


Ouro e moedas lideram o ranking de rentabilidade em maio. Investidores que precisam tomar decisões em junho devem agir de acordo com objetivos e prazos


  Por Rejane Tamoto 01 de Junho de 2017 às 08:00

  | Editora rtamoto@dcomercio.com.br


O impacto da crise política deflagrada pelas delações dos controladores da JBS sobre o retorno das aplicações financeiras foi expressivo.

Como é recorrente quando incertezas colocam em xeque o prazo de recuperação da economia, a bolsa foi para a lanterna. Moedas internacionais e ouro dispararam. 

As moedas estrangeiras lideraram em rentabilidade. O euro subiu 5,12% no mês, acumulando valorização de 6,65% no ano.

Já o dólar encerrou maio em alta de 1,93%, mas com variação negativa de 0,44% no acumulado do ano. 

A Bolsa, que mantinha uma tendência positiva até o dia 18, caiu 4,12% no mês, aos 62.711 pontos. No ano, ainda mantém rentabilidade positiva de 4,12%.

Para Fabio Colombo, administrador de investimentos e responsável pelo ranking, o mercado financeiro vai acompanhar em junho o avanço das reformas Trabalhista e da Previdência.

É, segundo afirma, o fator que realmente influenciará, qualquer que seja o desfecho da crise política envolvendo o presidente Michel Temer. 

Enquanto o mercado tenta encontrar equilíbrio nos preços dos ativos, os investidores devem buscar boas oportunidades, desde que as aplicações sejam realizadas com planejamento -com objetivos e prazos claros - para evitar solavancos que ainda podem surgir. 

"Não adianta tentar adivinhar para onde vai o mercado porque é impossível", afirma André Bona, educador financeiro da Valor Investimentos. "Decisões de investimentos devem estar sintonizadas com os os objetivos pessoais."

Bona afirma que aqueles que investem na Bolsa para realizar projetos de 10 a 20 anos tem longo prazo e não precisa, se preocupar com o que ocorre em maio, porque o efeito desse movimento provavelmente vai se diluir no resultado da carteira no futuro.

A seu ver, enquanto persistir a incerteza sobre o avanço da reforma da Previdência aplicações de maior risco continuarão apresentando oscilação na rentabilidade. 

Isso pode ocorrer até mesmo nas taxas oferecidas em aplicações de renda fixa de longo prazo, como os títulos do Tesouro com vencimento em 20 anos ou mais.

Mas -de novo - se o investidor necessitar do dinheiro apenas no vencimento, pouco será afetado pelo que acontece hoje ou amanhã.

BONA: SEGURANÇA NO PRAZO DE RESGATE

Com a deflagração da crise política em maio, por exemplo, a rentabilidade oferecida no título público indexado ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) cresceu, assim como no título prefixado (quando o retorno é conhecido no ato da aplicação).

Esse exemplo é ilustrativo de boa oportunidade de aplicação para quem tem um projeto para realizar com esse dinheiro apenas no vencimento do título.

Mas deixa de ser vantajoso para quem já havia investido nesses títulos e, por alguma emergência, precisa resgatar o valor, uma vez que poderá ter um retorno inferior ao esperado. 

No mês passado, os títulos indexados ao IPCA obtiveram um retorno bruto indicativo de 0,80% a 0,95% dependendo do prazo do papel. No ano, a variação foi de 3,83%. 

?Bona diz que boas opções para quem precisa investir por pouco tempo, como seis meses, por exemplo, continuam sendo as aplicações pós-fixadas que remunerem pela taxa Selic cheia ou mais de 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário, taxa de juros praticada entre bancos). 

Com esse perfil, os Fundos DI encerraram maio com retorno bruto médio de 0,85% a 1% no mês passado, conforme a taxa de administração do fundo. No ano, o ganho médio alcançou 4,88%.

O resultado foi positivo devido à inflação baixa, mas no médio e longo prazo tende ser menor, segundo Colombo. 

Para quem pretende utilizar o dinheiro no curto prazo, essas aplicações valem pelo baixo risco, mesmo com a Selic reduzida nesta quarta-feira (31/05) em 1 ponto percentual para 10,25% ao ano.

Em comunicado, o Banco Central sinalizou que o ritmo de corte de juros será reduzido na próxima reunião ainda devido às incertezas introduzidas no cenário. 

"Já tem quem um projeto de maior prazo pode abrir mão da possibilidade de resgate no curto prazo e avaliar oportunidades em outras aplicações pós ou prefixadas (quando se sabe o retorno no ato da aplicação)", afirma. 

Nesse sentido, Bona recomenda ao investidor estudar as opções mais adequadas ao seu perfil de risco, como os títulos do Tesouro, letras de crédito, CDBs e debêntures. 

Os CDBs, por exemplo, renderam em média de 0,80% a 0,90% em maio e 4,54% no ano.

Na média, o resultado foi superior ao dos fundos de renda fixa, que obtiveram de 0,75% a 0,90% no mês passado.

Esses fundos devem continuar apresentando oscilações, segundo Colombo, porque têm suas taxas atualizadas diariamente de acordo com as variações de mercado -a chamada marcação a mercado. 

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