Finanças

Crédito restrito abre espaço para o crescimento do consórcio


O número de participantes cresceu 2,4% em setembro - com destaque para imóveis, veículos e máquinas. Veja os cuidados na hora de decidir por essa modalidade de aquisição de bens


  Por Rejane Tamoto 03 de Novembro de 2015 às 21:00

  | Editora rtamoto@dcomercio.com.br


De um lado a dificuldade de obter o financiamento de imóveis, veículos e máquinas. De outro, o pagamento de parcelas de um consórcio e a incerteza sobre quando o bem será adquirido: isso depende de sorteio ou oferta do maior lance em um determinado grupo.

Esta segunda opção, embora não possa ser totalmente comparável ao financiamento - que permite a aquisição do bem antes do pagamento - cresceu nos últimos 12 meses encerrados em setembro. 

Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras Consórcio (Abac), o número de participantes pulou de 6,98 milhões em setembro do ano passado para 7,15 milhões no mesmo mês deste ano - um crescimento de 2,4%.

Na hora de contratar um consórcio, o interessado deve avaliar bem a ideia dessa modalidade - na qual a liberação do dinheiro está condicionada ao sorteio ou à oferta do maior lance - , bem como às condições do contrato e idoneidade das administradoras.

No caso de imóveis, por exemplo, o risco é conseguir a carta de crédito ao fim de um período de 200 meses, por exemplo. Na prática, seria pagar antes para depois ter o montante para a compra da casa.

De acordo com os dados da Abac, as cotas de consórcios mais vendidas foram justamente as de imóveis, que cresceram 47% no acumulado de janeiro a setembro ante igual intervalo do ano passado. Foram 179,6 mil ingressos de pessoas nesse período contra 122,2 mil em 2014.

Outro segmento que cresceu foi o de veículos leves, com incremento de 14,5% nas vendas de novas cotas de janeiro a setembro deste ano na comparação com igual período sobre o ano anterior. 

Os veículos pesados, tais como caminhões, ônibus e tratores - mais demandado por empresas - também atraíram 37,5 mil novos consorciados nessa base de comparação, um incremento de 8,7% sobre os primeiros nove meses de 2014.

No grupo de veículos pesados, o destaque foi o incremento de consórcios de máquinas agrícolas, cujos participantes passaram de 62,9 mil em 2014 para 78 mil em 2015, aumento de 24% no total de participantes ativos. 

Para ter uma ideia, nesses segmentos de maior crescimento dos cotistas de consórcios houve uma desaceleração e até um recuo nas concessões de crédito, segundo dados do Banco Central.

Nos primeiros nove meses deste ano, os financiamentos imobiliários com recursos direcionados (com taxas subsidiadas pelo governo) caíram 26,8% para empresas sobre igual período de 2014. Para os consumidores, o recuo foi de 12,6%, na mesma base de comparação.

As concessões de financiamentos de veículos com recursos livres (captados pelo banco no mercado) seguiram a mesma toada: queda de 11,9% para a pessoa física e de 23% para as empresas no acumulado do ano até setembro, sobre igual período de 2014.

Ao todo, havia 3,12 milhões de participantes de consórcios de veículos de passeio e caminhonetes em setembro deste ano, crescimento de 8,3% em comparação a setembro do ano passado. No mesmo mês de 2014, havia 2,88 milhões de participantes.

Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC, diz que o crédito restrito exerce influência sobre o crescimento do setor. Além disso, ele avalia que houve uma mudança de comportamento do consumidor e do empresário.

Ambos preferem planejar financeiramente a aquisição de bens em vez de pagar altas taxas de juros. No caso dos imóveis, pesou principalmente o endurecimento nas regras dos bancos em relação ao valor máximo de financiamento e ao limite de comprometimento de renda do consumidor com essa dívida. 

O QUE OBSERVAR ANTES DE CONTRATAR

Rossi diz que é importante que o interessado em fazer um consórcio entenda bem como o produto funciona antes de contratar e pesquise se a administradora é autorizada pelo Banco Central.

"Em algumas cidades pequenas há informalidade. Por isso, recomendamos essa verificação. É preciso ler atentamente o contrato para saber o que ocorre no caso de desistência", afirma o executivo. 

Quem entra em um consórcio pode ser sorteado a qualquer momento para obter a carta de crédito. Outra opção para conseguir adiantar o recurso é dar o maior lance do grupo.

Isso pode acontecer logo no começo ou no fim do prazo de pagamento das parcelas. Durante todo o período, o consorciado arca com o custo da taxa de administração. 

Se o consorciado tiver dificuldades de pagar as parcelas, geralmente deverá seguir três caminhos: primeiro tentar negociar uma carta de crédito de valor 50% menor do que a escolhida inicialmente e reduzir suas contribuições.

A segunda alternativa é vender a cota para outra pessoa que queira obter o mesmo valor de consórcio, mas isso só pode ser feito com a autorização da administradora. A terceira opção é esperar para ser sorteado e receber uma parte do valor total pago de volta, já que há multa neste caso. 

André Massaro, educador e consultor financeiro, diz que o consórcio opera com um raciocínio contrário ao crédito, no qual primeiro se paga pelo bem antes de obtê-lo. É um tipo de poupança forçada, segundo avalia, na qual o consumidor tem mais custo do que rendimento. 

"Por isso, é preciso avaliar bem antes de entrar porque o consórcio em si não deve ser comparado com o crédito. É preciso que cada um pense na própria decisão de consumo. Com o desemprego subindo e a recessão se aprofundando no Brasil, as chances de perda de fonte de renda são maiores. E para conseguir de volta o dinheiro do consórcio é um processo longo, que implica em algum tipo de perda", avalia. 

Na opinião de Rossi, esse é um bom momento para quem está sendo sorteado com carta de crédito imobiliário. "Quem havia planejado comprar um imóvel com um determinado valor há alguns anos, hoje pode aproveitar os descontos e barganhar para comprar outro melhor à vista", diz.

O presidente da Abac diz que há opção de utilizar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) no lance, na complementação e na amortização da carta de crédito imobiliária. Os manuais com todas as regras estão no site da entidade

IMAGEM: Thinkstock





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