Finanças

Consumidor paulistano melhora disposição para tomar crédito


Índice de Intenção de Financiamento teve alta de 24,9% em setembro e se aproxima da média histórica de 10,2%


  Por Estadão Conteúdo 27 de Setembro de 2016 às 19:40

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A situação econômica do País ainda exige cautela. Mesmo assim, o Índice de Intenção de Financiamento teve alta de 24,9% em setembro, na comparação com agosto, passando dos 15,3 pontos para 19,1 pontos.
 
Com isso, atualmente quase 10% dos consumidores paulistanos estão dispostos a tomar crédito, bem próximos dos 10,2% da média histórica.

O índice é um dos indicadores que compõem a Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (PRIE), apurada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). 

A pesquisa tem o objetivo de acompanhar o interesse dos paulistanos em contrair crédito e a evolução da proporção de famílias endividadas na capital paulista que possuam aplicações financeiras, o que gera um índice de risco inerente a essas operações. Os dados foram coletados em 2,2 mil entrevistas.

Para os técnicos da FecomercioSP, o aumento na intenção de assumir novas dívidas vem acompanhada de risco de crédito relacionado à inadimplência, caso o desemprego suba ainda mais neste ano.

RISCO DE CRÉDITO

O Índice de Segurança de Crédito, que mede a capacidade do consumidor de pagar dívidas, apresentou queda de 3,1% em setembro na comparação com agosto e atingiu 81,7 pontos", dizem os técnicos. 

No comparativo anual o indicador mostrou retração ainda maior, de 4,9%. Entre os endividados, o índice teve retração mensal de 1,7%, enquanto, entre os não endividados, foi de -4,1%.

De acordo com a FecomercioSP, o Índice de Intenção de Financiamento tende a se manter em patamares baixos nos próximos meses e a apresentar evolução mais constante. 

Prevê-se ligeira elevação em relação ao final de 2015 e início deste ano, refletindo uma percepção mais otimista da economia. 

De acordo com a entidade, essa baixa procura do crédito se deve tanto a um fator cultural quanto às condições adversas à expansão da modalidade no Brasil. Trata-se de um mercado muito recente no Brasil.

POUPANÇA

Ainda segundo a pesquisa, a poupança continua sendo a aplicação preferida dos paulistanos. Em setembro, 60,2% das famílias afirmaram que essa categoria de investimento foi o principal destino dos seus recursos. 

O resultado representa uma queda de 4,1 pontos porcentuais na comparação com agosto. Em setembro de 2015, a proporção era de 69,3%.

Apesar de ainda ter a preferência, a poupança perdeu espaço ao longo dos últimos meses tanto para a renda fixa quanto para a previdência privada. Além dos juros nominais mais altos, de 14,25%, a escolha se deve também ao envelhecimento da população. 

A proporção de aplicadores em renda fixa passou de 17,7% em agosto para 21,3% em setembro, alta de 3,6 pontos. No mesmo mês de 2015, a proporção era de 17,5%.

PERSPECTIVA PARA AÇÕES

Aplicações em ações, segundo a FecomercioSP, podem ganhar espaço nos próximos meses por conta da melhoria das condições econômicas e pelo baixo valor dos papéis após um longo período de queda da bolsa. 

A proporção de aplicadores em ações, de 1,9% em junho, passou para 2,6% em julho, 3,3% em agosto e 3,8% nesse mês. Em setembro de 2015, essa proporção era de 3,5%.

Apesar da queda na comparação mensal, a proporção de aplicadores na previdência privada subiu 2,8% em relação a setembro de 2015, passando de 5,8% para 8,6%.