Finanças

Com aumento da cotação do ouro, penhor se torna mais atrativo


A valorização do metal fez a Caixa Econômica Federal aplicar um reajuste médio de 10% sobre as tabelas. Penhora de joias é alternativa para obter crédito a juros menores


  Por Agência Brasil 23 de Novembro de 2015 às 16:19

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


Com o aumento do preço do ouro no mercado interno, o penhor, opção de crédito em que joias são dadas como garantia de um empréstimo e depois podem ser resgatadas, tornou-se mais atraente. 

A Caixa Econômica Federal informou que, em setembro, aplicou reajuste médio de 10% sobre as tabelas de ligas de ouro da modalidade, a fim de acompanhar a alta da cotação do metal.

De 30 de dezembro de 2014 até o fim da primeira semana de novembro deste ano, o metal acumulou valorização de 29,41% no mercado doméstico, informa a Reserva Metais, empresa especializada no mercado do ouro. 

O pico da valorização em 2015 ocorreu em 28 de setembro, quando havia 44,61% de alta acumulada. O motivo para a disparada dos preços é a alta do dólar, conforme explica Edson Magalhães, gerente de operações da empresa.

“A alta do ouro deve-se quase exclusivamente à alta do dólar. Os dois componentes que formam o preço [no mercado interno] são o valor internacional e a cotação do dólar. O preço internacional do ouro permaneceu quase inalterado ao longo do ano, com pequena queda. O preço do dólar no mercado doméstico saiu de R$ 2,65 [no fim do ano passado] para R$ 3,86 [este ano]”, disse.

Na avaliação do gerente de operações, dado o patamar de valorização do ouro este ano, a Caixa poderia inclusive ter aplicado um reajuste maior aos valores que paga pelas joias deixadas como garantia no penhor. 

“Quando a pessoa deixa o ouro penhorado, está deixando uma garantia maior hoje do que deixava no ano passado. Uma joia que valia um determinado valor, hoje vale mais”, comentou.

A Caixa informou que tem tabelas próprias de avaliação de garantias e que não há periodicidade fixa de reajuste. A instituição financeira disse também que, em função da greve dos bancos em outubro, ainda não foi possível mensurar se o reajuste sobre as tabelas aumentou a procura dos clientes pelo penhor.

O militar Eduardo Gonçalves, 50 anos, recorre ao penhor há cinco anos. Ele sabe que o ouro valorizou recentemente acima do reajuste da tabela da Caixa. Mas, ainda assim, prefere penhorar a vender.

“Vender ouro é muito difícil. Você tem que ter um certificado, comprovar uma série de coisas e geralmente demora. Já penhorar é fácil, e o dinheiro sai na hora. Quem precisa de dinheiro rapidamente, a juros mais baixos, e não quer se desfazer de um bem, procura o penhor”.

A aposentada Raimunda de Souza, 83 anos, também destaca a facilidade de conseguir os recursos. “Você vem aqui e rapidamente sai com dinheiro. Há pelo menos 20 anos uso esse recurso para ganhar dinheiro quando preciso, sem necessidade de me desfazer de nenhuma joia. Geralmente, quem penhora não quer se desfazer de um colar, um anel, que pode ser de família. É melhor que vender”, acredita.

Também é a opinião do aposentado Djalma Borges, 77 anos, que usa o penhor inclusive quando viaja. “A gente bota uma joia no banco e ela fica protegida contra roubo”, diz.

Além de penhorar ou vender o ouro que já se tem em casa, outra possibilidade é investir no metal, apostando na continuidade da atual valorização. Edson Magalhães acredita que em 2016 o ouro ainda estará em alta no mercado doméstico.

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“O momento político e de acertos fiscais faz com que investidores retirem um pouco de dinheiro, mantendo a cotação do dólar elevada. Por isso, o ouro deve ser uma boa aplicação também no ano que vem”.

FOTO: José Cruz/Agência Brasil