Finanças

CDBs ganham fôlego com novas regras do BC


Em outubro, o estoque de CDBs somou R$ 729 bilhões, retomando o patamar registrado em 2010


  Por Estadão Conteúdo 18 de Dezembro de 2017 às 13:28

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Após perder espaço para aplicações isentas de Imposto de Renda, como as letras de crédito (LCI e LCA), um dos investimentos mais conhecidos do brasileiro, o Certificado de Depósito Bancário (CDB), voltou a ganhar fôlego este ano.

Em outubro, o estoque de CDBs somou R$ 729 bilhões, retomando o patamar registrado em 2010. A captação líquida chegou a níveis recordes em 2017, segundo dados da Cetip, e fechou outubro em R$ 356 bilhões.

Os CDBs são títulos emitidos por bancos para captar dinheiro. Outra forma que as instituições financeiras tinham para obter recursos era via operações compromissadas: quando o banco "vende" um título com o compromisso de recomprá-lo numa data futura em troca do pagamento de juros.

Mas, no início deste ano, o Banco Central restringiu esse tipo de captação, uma vez que ela afetava a dívida pública federal.

"Havia uma série de benefícios em operar por compromissadas e o BC tirou isso, então os bancos mudaram o veículo de captação e voltaram a tomar recursos via CDB", diz Gilberto Abreu, diretor de Investimentos do Santander.

Além da mudança regulatória, outro fator favorável à ascensão dos CDBs foi a desaceleração das Letras de Crédito Imobiliário (LCIs).

A aplicação é um título de renda fixa emitido por bancos, cujos recursos são utilizados na concessão de crédito imobiliário. Mas, com a economia desaquecida e poucos projetos no setor, esse produto ficou escasso no mercado.

Segundo dados da Cetip, após saltar em 2014 e 2015, o estoque de LCIs vem perdendo força e tem se estabilizado em torno de R$ 194 bilhões.

Esse produto é um dos preferidos dos investidores em renda fixa pela isenção de Imposto de Renda. Porém, o gestor de carteiras Luiz Pardal explica que, ao não encontrar as LCIs no mercado pela falta de lastro, uma saída natural é investir em CDB.

Esse movimento não parte só do investidor pessoa física, mas também de gestores de fundos. O produto funciona como um colchão de rentabilidade, principalmente quando os títulos públicos não estão rendendo como antes por causa da queda da Selic (taxa básica de juros).

EXPECTATIVA

Com a previsão da Selic abaixo dos 7% ao ano, Rodrigo Puga, sócio-gestor da corretora Modalmais, acredita que a tendência é de que os CDBs continuem avançando.

Segundo ele, o CDB compensa em relação ao Tesouro Direto e outras opções de renda fixa quando paga acima de 100% do CDI - taxa que tem a Selic como referência -, e isso geralmente ocorre em papéis de bancos pequenos e médios.

Outro aspecto que pode favorecer o produto é o receio do pequeno investidor a partir para a renda variável. "A volatilidade em tempos de eleições pode assustar", diz Puga.

Dentro da corretora, ele observa que os investidores estão migrando para CDBs de prazos mais longos, que geralmente dão retornos maiores e têm desconto menor de IR.

O professor de finanças da FIA, Alexandre Cabral, afirma que a maioria dos CDBs de bom rendimento têm prazo de resgate de pelo menos seis meses. Com liquidez diária, o mais fácil é encontrar opções que pagam 100% do CDI.

Outro alerta é verificar o emissor para saber se existe risco de ele não honrar com o pagamento. Os CDBs, porém, contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em até R$ 250 mil por investidor, por banco. 

PGBL

 
Já é de praxe o crescimento dos aportes em planos de previdência nos últimos meses do ano. De olho no Leão, muitos investidores colocam suas economias em um PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres) a fim de garantir abatimento no Imposto de Renda (IR) a ser entregue no ano seguinte.
 
Essa estratégia, porém, não vale para todos: segundo especialistas, ela só compensa para quem tem renda anual acima de R$ 120 mil.

Quem aplica em PGBL pode deduzir até 12% da renda tributável, o que faz com que a alíquota do IR incida sobre uma base menor, reduzindo o valor do imposto.

No entanto, a conta chega mais à frente: ao resgatar o investimento no futuro, haverá a incidência de IR - por isso, a estratégia só é indicada para uma renda mais alta e para quem pode manter a aplicação no longo prazo.

"Notamos uma alta nos aportes no fim do ano, mas muitas vezes por desconhecimento do próprio gerente que indica o produto, já que essa nem sempre é a melhor opção para o investidor", diz a planejadora financeira Annalisa Blando Dal Zotto.

De maneira geral, a orientação é fazer um PGBL quando a declaração de IR é completa. Para a versão simplificada, o VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres) é mais indicado.

No entanto, Annalisa destaca que, para quem ganha abaixo de R$ 120 mil por ano e que não teve despesas médicas altas para abatimento, optar pela versão simplificada de declaração e não aportar recursos no PGBL pode ser mais vantajoso do ponto de vista tributário.

"Identificamos essa diferença depois de fazer muitas simulações para clientes. Isso porque, pelo modelo simplificado, já existe a dedução de 20%. Na declaração completa, o limite de dedução do IR com os aportes no PGBL é de até 12% da renda."

Em uma simulação simples, considerando rendimentos brutos, uma pessoa com renda anual de R$ 50 mil conseguiria deduzir do IR até R$ 6 mil na declaração completa com os aportes no PGBL. Já pela versão simplificada, pode abater até R$ 10 mil.

O sócio do banco e responsável pelo BTG Pactual digital, Marcelo Flora, concorda que, dependendo da renda, o desconto da simplificada pode ser mais interessante.

"A dedução padrão desse grupo é de até R$ 16 mil, então para quem tem renda mais baixa, não faz tanto sentido fazer um PGBL."

Também é importante levar em conta o tipo de tributação: tabela progressiva ou regressiva.

"Para o longo prazo, a regressiva é a melhor opção, porque a alíquota de IR diminui e, além de postergar o pagamento do imposto, a pessoa paga uma alíquota menor", diz o presidente da Federação Nacional de Previdência Privada (FenaPrevi), Edson Luis Franco.

Tal qual outros fundos de investimento, é preciso atentar para as taxas de administração. De acordo com especialistas, taxas em torno de 1% ao ano são consideradas aceitáveis - muito acima disso, o retorno fica comprometido.

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