Finanças

Carteiras de crédito para pequenas empresas diminuem


De acordo com diretor do Banco Central, as instituições financeiras aguardam a recuperação da economia para ampliarem suas linhas


  Por Estadão Conteúdo 17 de Outubro de 2017 às 16:36

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Souza, avaliou nesta terça-feira, 17/10, que a carteira de crédito para pequenas e médias empresas vem caindo nos últimos anos, enquanto se mantém um porcentual de ativos problemáticos. 

"Quando houver um cenário de estabilidade, os bancos terão que voltar a conceder crédito para as pequenas e médias empresas. A tendência é que o nível de ativos problemáticos nessa carteira diminua", afirmou Souza, que também comentou que a oferta para grandes corporações também vem caindo

CONCENTRAÇÃO

O diretor de Fiscalização do Banco Central avaliou também que a concentração bancária no Brasil ocorre porque as instituições que deixaram o País não conseguiram ter sucesso ao concorrer no mercado nacional. "Houve uma crise financeira internacional significativa e essa questão da concentração não impacta apenas o mercado brasileiro. Estamos ainda em situação favorável em relação a outras economias", afirmou.

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Segundo ele, a existência de dois grandes bancos públicos, dois grandes bancos privados nacionais e um grande banco estrangeiro traz um equilíbrio para o sistema. "Visualizamos uma melhora na concorrência com inovações tecnológicas em determinados nichos de mercado", disse.

Para Souza, instrumentos que estão sendo propostos pela autoridade monetária, como o cadastro positivo, podem fazer com que taxas de juros caiam.

Questionado sobre o fato de os bancos começarem a retomar imóveis devido à inadimplência dos mutuários, o diretor avaliou que a há uma dificuldade natural das pessoas em função do quadro recessivo, mas disse acreditar que essa situação melhore nos meses adiante.

COMPULSÓRIOS

Sobre os compulsórios no Sistema Financeiro Nacional (SFN), Souza afirmou que a retomada da economia pode influenciar as discussões sobre estes níveis.

"O nível de liquidez do sistema é significativo. A partir do momento em que houver uma retomada, isso tem que ser convertido em empréstimo financeiro, em crédito", comentou. "Vai chegar um momento em que você tem, de fato, um cenário mais favorável de crescimento, e o compulsório será mais bem discutido. Com certeza, também terá impacto favorável ao próprio crédito final aos tomadores", acrescentou.

BASILEIA

O diretor de Fiscalização do Banco Central avaliou que, apesar do cenário de crise, os bancos brasileiros estão em posição confortável para atender todas as regras de Basileia III. "As instituições estão inclusive bem posicionadas para cumprirem os requerimentos que serão exigidos a partir de 2019", completou, ao comentar o REF divulgado pelo BC.

Souza destacou que os testes de estresse feitos pelo BC demonstram que, mesmo em um cenário mais severo com condições macroeconômicas desfavoráveis, o impacto sobre os bancos seria menor do que vinha sendo observado. "Hoje os resultados desses choques seriam mais benignos do que foram no passado. O próprio resultado dos bancos seria suficiente para absorver esses choques", afirmou.

Os testes de sensibilidade para o risco de crédito e para o risco específico do crédito imobiliário mostram que esses cenários também exigiriam pouco reforço de capital às instituições.

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