Finanças

Caixa volta a financiar o segundo imóvel e aumenta empréstimos


O banco anunciou a reabertura do crédito para imóveis usados em que os interessados poderão contratar até 80% do valor do imóvel


  Por Agência Brasil 08 de Março de 2016 às 16:29

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


As pessoas que ainda estão pagando pela compra de um imóvel financiado pela Caixa Econômica Federal (CEF) poderão fazer um segundo contrato do gênero. A medida integra ações para reaquecer o mercado imobiliário e foi anunciada nesta terça-feira (08/03) pela presidente da CEF, Miriam Belchior, durante a divulgação do balanço financeiro do banco. “A meta é aquecer a demanda para que se tenha um impacto de maior acesso à moradia e à retomada da construção civil”, disse.

Para Eduardo Zylberstajn, pesquisador da Fipe, o impacto da medida da Caixa não vai ser completo, pois é preciso resolver o problema demanda, já que a confiança do consumidor está baixa para adquirir imóveis.

Segundo Nelson Antônio de Souza, vice-presidente de Habitação da CEF, esse tipo de financiamento estava fechado desde maio de 2015. Explicou que as regras para o financiamento serão as que estão vigentes. E os recursos a serem disponibilizados pela CEF serão semelhantes aos do ano passado.

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Também foi elevada a cota de financiamento para os imóveis, que antes era de 50% e passou para 70% nos contratos pelo Sistema de Financiamento Habitacional (SFH) com valor até R$ 750 mil.

Para viabilizar os empréstimos, a CEF contará com recursos adicionais de R$ 16,1 bilhões, elevando em 64 mil o número de unidades habitacionais em relação ao ano passado.

Serão disponibilizados R$ 7 bilhões do total de R$ 9,5 bilhões pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS - para a linha de crédito Pró-Cotista. As taxas de juros vão variar de 7,85 a 8,85% ao ano, no caso dos imóveis de até R$ 750 mil.

IMÓVEIS USADOS

A CEF anunciou, ainda, a reabertura do crédito para imóveis usados em que os interessados poderão contratar até 80% do valor do imóvel.

Com participação de 67,2% do mercado, os contratos habitacionais em 2015 atingiram R$ 91,1 bilhões. Desse total, R$ 55,5 bilhões se referem aos recursos do FGTS e R$ 34,8 bilhões são provenientes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

O vice-presidente da CEF, Márcio Percival, informou que o crédito habitacional e os aportes para a infraestrutura são as principais linhas operacionais de empréstimo.

Dos R$ 679,5 bilhões da carteira de crédito do ano passado, R$ 384,2 bilhões foram para a habitação que teve um aumento de 13%. Ele informou que, pelo modelo conservador na concessão do crédito, é baixo o risco de calotes com uma inadimplência pequena, de 3,55%.

MUDANÇA É POLÊMICA

A decisão da Caixa Econômica Federal de aumentar a fatia financiável para aquisição de imóveis usados, cerca de um ano após reduzir essa porcentagem, indica a falta de convicção do banco em sua política para crédito imobiliário, afirmou Eduardo Zylberstajn, pesquisador da Fipe.
 
O especialista ressaltou que essa volatilidade é negativa para o mercado, uma vez que afeta o planejamento do consumidor para um processo de prazo tão longo quanto o financiamento imobiliário.

"A volatilidade nas regras do jogo prejudica o mercado, pois o consumidor não sabe como serão as normas quando comprar um imóvel", afirmou o especialista. 

"Isso faz com que o planejamento, de um processo de prazo tão longo, seja bastante afetado", acrescentou.

A Caixa anunciou a elevação da cota de financiamento do imóvel usado pelo Sistema de Financiamento Habitacional (SFH) de 50% para 70% no caso de clientes do setor privado que queiram adquirir imóveis de até R$ 750 mil. 

Para setor público, cota foi elevada de 60% para 80%. Os imóveis usados financiados pelo Sistema Financeiro Imobiliário, acima de R$ 750 mil, em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, e de R$ 650 mil nos demais Estados, passarão a ser financiados em 60%, dos atuais 40%, para o setor privado. Para o setor público, cota passou de 50% para 70%

A decisão foi anunciada menos de um ano após a fatia ser reduzida pela Caixa. Em maio de 2015, a Caixa havia informado a redução da cota de 80% para 50% no caso do SFH e de 70% para 40% no caso do SFI. Na época, o banco disse que o objetivo era focar a oferta de crédito habitacional em moradias novas.

O pesquisador da Fipe ressaltou que o mercado imobiliário precisa ser analisado como um todo, em vez de segmentar entre novos e usados. 

"Não são mercados separados. Tem quem compre um novo com o dinheiro da venda do usado. É uma relação próxima e mudanças nas regras, e nas prioridades, podem criar desequilíbrios", afirmou.

De acordo com o anúncio, a Caixa também vai passar a financiar a compra de um segundo imóvel, nas mesmas condições utilizadas para financiar o primeiro. 

Dessa forma, o cliente poderá ter dois imóveis financiados ou mais tempo para vender o primeiro, destacou a presidente do banco.

Apesar da intenção da Caixa em estimular o mercado, o problema do setor não está apenas na disponibilidade de crédito, mas também na demanda por unidades residenciais, afirmou pesquisador da Fipe. 

"As pessoas estão com dificuldades no mercado de trabalho e falta confiança para aquisição de um imóvel", afirmou. "O impacto da medida da Caixa não vai ser completo, pois é preciso resolver a demanda também, embora o banco não tenha grande influência sobre isso", afirmou.

Essas mudanças na política da Caixa, de acordo com o especialista, indicam a necessidade de discutir o modelo de financiamento imobiliário no Brasil. 

"As alterações mostram que não é clara a maneira pela qual busca-se melhorar o crédito imobiliário", afirmou. "É preciso pensar no longo prazo e sair do imediatismo", acrescentou.

FOTO: Thinkstock

Atualizado às 18h10