Finanças

Cadastro positivo pode elevar o PIB em 0,5 ponto percentual ao ano


Efeito da redução do risco de inadimplência, que torna o crédito mais barato, ajudando a impulsionar a economia, segundo Cláudia Viegas, da LCA Consultoria


  Por Renato Carbonari Ibelli 23 de Novembro de 2017 às 19:14

  | Editor rcarbonari@dcomercio.com.br


A recente aprovação pelo Senado do PLS 212/2017, que permite a inclusão de consumidores no cadastro positivo sem prévia autorização, tem potencial para levar o mercado de crédito do país a um outro estágio, segundo Cláudia Viegas, consultora da LCA Consultoria. Vale lembrar que a lei ainda precisa passar pelo crivo da Câmara dos Deputados.

Em palestra realizada no 18º Congresso da Federação das Associações Comerciais do estado de São Paulo (Facesp), a consultora afirmou que, assim que o cadastro positivo atingir massa crítica, poderá reduzir a inadimplência em 45%.

 

CLAUDIA VIEGAS, CONSULTORA
CLAUDIA: MENOR SPREAD, MENOS INADIMPLÊNCIA

Esse efeito, diz ela, terá impacto direto no spread bancário (diferença entre o custo do dinheiro para o banco e quanto ele cobra do consumidor nas operações de crédito), que pode ser reduzido em 4,05 pontos percentuais.

 

Se isso se concretizar, a redução da taxa básica de juros será de 1,5 ponto percentual, tendo um impacto positivo de 0,54 ponto percentual ao ano no produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Em outras palavras, os efeitos da redução do risco do crédito – garantida pela menor inadimplência – ajudarão o país a crescer.

Isso é possível, disse Cláudia, porque o cadastro positivo permite separar o bom pagador daquele que não cumpre com suas obrigações financeiras.

Isso é bom para a economia como um todo, mas também pode trazer vantagens individuais a este consumidor que honra suas dívidas. “Se consigo identificar o consumidor como bom pagador, separo ele do risco médio e ofereço taxas de juros melhores a ele”, disse a consultora.

O cadastro também pode funcionar como uma ferramenta de inclusão social, explicou Cláudia. “Quem está de fora do mercado de crédito não consegue mostrar que honra as obrigações financeiras.

Com o cadastro positivo, será possível enxergar esse consumidor, vendo seu histórico de pagamento, e oferecer crédito a ele”, disse.

Não se trata de algo experimental. Alguns países, como Japão e Estados Unidos, já desfrutam dos benefícios da segregação entre bons e maus pagadores. No Japão, por exemplo, o cadastro positivo conseguiu aumentar em 10 pontos percentuais a penetração do crédito entre a população, ajudando a aumentar o PIB daquele país em 0,33pontp percentual.

COMO FUNCIONA

O cadastro não traz exatamente novas informações. O fato é que o histórico de crédito de um consumidor já está por aí, mas de maneira pulverizada.

Os gastos mensais com energia elétrica já estão nas mãos das distribuidoras de energia. As parcelas restantes para quitar financiamentos habitacionais, com os bancos. E assim vai. O que o cadastro positivo faz é agrupar essas informações em um único banco de dados.

O acesso a esse conjunto de informações dos consumidores só poderá ser realizado por empresas associadas a um dos birôs de crédito autorizados a manter o Cadastro.

Essas informações poderão ser compartilhadas entre os birôs, ou seja: lojistas associados à Boa Vista SCPC, por exemplo, poderão ter acesso às informações de consumidores capturadas pela Serasa Experian.

Lojistas ou instituições financeiras poderão acessar as informações dos consumidores quando desejarem. Assim, comerciantes podem traçar o perfil financeiro dos seus clientes; e financeiras podem prospectar potenciais tomadores de crédito, por exemplo.

É importante lembrar que os dados aos quais os lojistas terão acesso são relativos ao comportamento financeiro do consumidor.

Aqui entram seus gastos com financiamentos e compromissos fixos, como aqueles com tv a cabo, telefone ou água, entre outros. Não haverá acesso algum a informações da conta bancária do consumidor, ou aplicações financeiras.

IMAGEM: Thinkstock e Vinicius Cordeiro/Divulgação