Finanças

Brasil terá centro de educação financeira em parceria com OCDE


A proposta é disseminar conhecimento entre os países da América Latina e Caribe


  Por Agência Brasil 31 de Maio de 2016 às 20:31

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


Acordo firmado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), vinculada ao Ministério da Fazenda, e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), cria o Centro de Educação Financeira para a América Latina e o Caribe, que funcionará a partir de junho próximo, na sede da comissão, no Rio de Janeiro. 

O terceiro pavimento da sede da autarquia está sendo reformado. O local será equipado com biblioteca, sala de aula, sala com computadores, espaço para exposição e espaço para o Núcleo de Memória da CVM, cujas atividades educacionais começaram em 1998. 

O novo centro vai fazer parte da Rede Internacional de Educação Financeira (Infe, do nome em inglês) da OCDE, considerada a maior do gênero em todo o planeta. 

“Nós temos na Infe, hoje, mais de 100 países e mais de 400 entidades integrantes, e é o primeiro centro educacional fora de Paris que a OCDE organiza, e escolheu a CVM, que integra essa rede desde 2008”, disse o superintendente de Proteção e Orientação aos Investidores da CVM, José Alexandre Vasco.

Como integrante da rede internacional, a comissão pretende disseminar pela América Latina as melhores práticas e os documentos de políticas públicas que forem produzidas pela Infe. 

“Mais do que disseminar, o nosso centro também será uma forma de ouvir o que está sendo feito na região e compartilhar isso de forma organizada com os demais integrantes da Rede Internacional de Educação Financeira”. Trata-se, reforçou Vasco, de produção de conteúdo e de compartilhamento com a rede mundial.

A atuação educacional da CVM é voltada para vários públicos. A autarquia desenvolve ações para jovens, idosos, mulheres, universitários, pequenas e médias empresas, entre outros, além de iniciativas em conjunto com instituições do mercado. 

“Essas iniciativas continuarão e serão ampliadas”, de acordo com o superintendente. Ele destacou, por outro lado, a dimensão internacional do novo centro, que levará a CVM a desenvolver também projetos em parceria com órgãos similares de outros países.

Embora a nova unidade tenha um objetivo educacional, a CVM vê o Centro de Educação Financeira para a América Latina e o Caribe como parte do seu objetivo internacional de gerar sinergia e integração com os demais reguladores do mercado de capitais da região e partes interessadas.

POUPANÇA

Ainda que o foco da atividade educacional seja a proteção dos investidores, Vasco disse que os objetivos de regulação do mercado de capitais são também a redução do risco sistêmico e o desenvolvimento do mercado, de maneira a torná-lo uma forma efetiva de direcionar a poupança popular para investimentos produtivos, por meio do mercado de capitais. 

Salientou que a educação financeira é especialmente importante no Brasil, porque “nós precisamos formar investidores, ajudar as pessoas a formar poupanças, reservas financeiras e aplicar essas reservas nos investimentos que estiverem mais adequados ao seu perfil”. 

O Brasil apresenta uma das menores taxas de poupança da América Latina.

Vasco advertiu que um país sem poupança interna tem dificuldade de financiar o investimento produtivo nas companhias abertas. Por isso, é importante que haja equilíbrio e planejamento financeiro, além de formação de poupança para que as pessoas se tornem investidoras. 

IMAGEM: Thinkstock