Finanças

Bolsa lidera ranking de investimentos em abril


Avanço do processo fez Ibovespa subir 7,7% no mês e garantiu a maior rentabilidade entre as aplicações no acumulado do ano (24,36%)


  Por Karina Lignelli 30 de Abril de 2016 às 09:30

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


O avanço do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, agora no Senado, animou o mercado financeiro: a segurança a respeito do desfecho ajudou a puxar a alta do Ibovespa em abril, que fechou o mês em 7,7%.  

No acumulado do ano até abril a bolsa também desponta no topo do ranking de rentabilidade de aplicações financeiras elaborado pelo administrador de investimentos Fabio Colombo, com rentabilidade de 24,36%.  

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“O mercado já dá como certo o afastamento da presidente por 180 dias e a posse de (Michel) Temer”, afirma ele, que indica como variáveis a serem acompanhadas em maio a formação do novo ministério, e possíveis medidas para a correção da crise em um eventual novo governo. 

Mesmo tendo fechado em queda de 0,74% nesta sexta-feira (29/04) o último dia útil do mês, a bolsa, de acordo com Colombo, manterá o potencial positivo em maio, com a nomeação de uma nova equipe econômica com nomes confiáveis. 

"O mercado tem antecipado a melhora das perspectivas e das ações que serão tomadas, que incluem um cenário de juros mais baixos e dólar mais barato", diz Jansen Costa, planejador financeiro da Fatorial Investimentos.

A seu ver é necessário, no entanto, devolver a confiança e alinhar as expectativas. “Os próximos 90 dias serão decisivos: se as mudanças não forem executadas pelo novo governo, (o mercado) volta a desconfiar de novo”, completa. 

Mauro Calil, especialista em investimentos do Banco Ourinvest, faz um alerta. Se de um lado, o mercado dá mostras de que se fortalece com o avanço do processo de impeachment, de outro, fica a dúvida sobre o que pode acontecer com a entrada do novo governo provisório. 

"Não dá para ficar na expectativa de que a bolsa vai pular dos 50 mil para 100 mil pontos e os ativos vão disparar", afirma.

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Se na época pós-impeachment de Fernando Collor de Mello bastou controlar a hiperinflação para economia crescer, isso não deve se repetir agora: segundo Calil, o cenário é muito mais complexo, com empresas fechando, desemprego, inflação alta mas não galopante... 

“A bolsa deve reagir positivamente (caso o impeachment seja confirmado), mas será uma alegria para o investidor somente no curtíssimo prazo”, afirma. 

Para o consultor, o ideal é ficar de olho aos acontecimentos, e colocar um stop loss (ordem para um corretor vender uma ação quando atingir determinado preço) adequado ao porte do investimento. 

DÓLAR E OUTROS

Em âmbito mundial, os mercados se mantiveram relativamente calmos, segundo Colombo, e apresentaram recuperação em dólar na sua grande maioria. Por aqui, a expectativa de mudança também tem mexido com o dólar, porém em trajetória inversa. 

A moeda fechou abril com queda de 4,43%, e o acumulado do ano negativo em 13,08%. No último dia de abril, caiu a R$ 3,44 –o menor valor em nove meses. “Já vai dar para as pessoas voltarem a ir para a Disney”, brinca Costa, da Fatorial Investimentos.  

Ouro e euro tiveram comportamentos similares, com quedas de 0,35% e 3,88% em abril, respectivamente, também devido ao cenário político interno. 

“Continuam como opção de diversificação de portfólio para investidores com perfil conservador e moderado e visão de longo prazo”, afirma Colombo. 

Ainda que a desvalorização do dólar seja a tendência para os próximos meses, Calil só aconselha os investidores a começarem a comprar caso estejam com viagem marcada. “É melhor esperar o desdobramento dos acontecimentos”, diz.

Já a poupança, que obteve rentabilidade líquida de 0,63% em abril para cadernetas com aniversário em 1º de maio, continua a perder em competitividade para os fundos, em especial os DI, com o atual nível da taxa Selic. 

Aplicações mais conservadoras, como os fundos de Renda Fixa, DI ou CDBs, que ficaram logo abaixo da bolsa no ranking em abril, devem continuar apresentando resultados voláteis em maio, segundo Fabio Colombo.

“Eles dependem da política de juros do Banco Central e da participação de títulos prefixados e indexados à inflação em suas carteiras”, afirma. 

Alguns bancos menores, porém, têm oferecido rentabilidade de 14% na renda fixa prefixada – uma boa pedida, segundo Mauro Calil. 

Em um cenário com dólar em queda, que deve dar um refresco na inflação e abrir espaço para a redução na taxa de juros Selic, hoje no patamar de 14,25%, e da dívida privada, que está em 17,5%, se o investidor conseguir prefixar para quatro anos, ao menos, terá garantido a rentabilidade.

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“Só não pode esquecer de pensar antes quanto se tem para o investir, qual o prazo e qual o objetivo”, orienta Calil.

Para Jansen Costa, quem decidir antecipar esse resgate, não haverá risco de redução do rendimento pelo menos no curto prazo. 

Isso porque a expectativa é de que os juros futuros caiam. “Quem se antecipar e comprar os títulos com taxa prefixada vai ganhar dinheiro”, afirma, lembrando que esses títulos devem ser de apenas de 10% a 15% da carteira em caso de investidores com perfil moderado. 

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