Finanças

BC e Febraban promovem mutirão para renegociar dívidas


Acordo prevê que agências bancárias de todo o país ficarão abertas até às 20h entre os dias 2 e 6 de dezembro. Ações podem atingir 144 milhões de brasileiros


  Por Redação DC 21 de Novembro de 2019 às 12:04

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) assinaram nesta quinta-feira (21/11), um entendimento que prevê um mutirão de renegociação de dívidas em agências bancárias de todas as 27 capitais do País.

Segundo o presidente da Febraban, Murilo Portugal, as agências bancárias ficarão abertas até as 20 horas entre 2 e 6 de dezembro para renegociar esses débitos. Ao todo, 261 agências bancárias participarão do mutirão.

Além de renegociação de dívida, os clientes também terão acesso a orientações de educação financeira. A medida é parte do Acordo de Cooperação Técnica assinado entre a autoridade monetária e a associação hoje, com o objetivo de promover ações coordenadas na área de educação financeira.

O entendimento prevê ainda a criação de um plataforma que, além de conteúdo educacional, irá "medir a saúde financeira dos que desejarem participar. E, ainda, premiação para incentivar ações de educação financeira. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destacou que as ações podem atingir 144 milhões de brasileiros com relacionamento bancário.

Campos Neto havia anunciado a iniciativa na última terça-feira (19/11), durante audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional. 

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Na ocasião, ele explicou que as agências deverão funcionar além do expediente normal para a renegociação de dívidas bancárias. Em contrapartida, os clientes passarão por cursos para aprender a administrar o orçamento pessoal e a evitar linhas de crédito com juros elevados, como as do cheque especial e do cartão de crédito rotativo.

Com o mutirão, ressaltou o presidente do BC, os clientes poderão limpar o nome antes das compras de fim de ano. Campos Neto disse que a instituição pretende repetir esse tipo de ação em 2020, aliando a educação financeira à concessão de crédito com juros mais baixos, por meio de um sistema de pontuação semelhante ao dos programas de fidelidade.

“Queremos fazer ações junto com os birôs de crédito. Quem fizer o curso, acabará tendo uma classificação de crédito superior atrelado ao ganho de pontos que gerem desconto em produtos financeiros. Porque quem tem mais educação financeira tem menos inadimplência", disse Campos Neto.

PAGAMENTO INSTANTÂNEO

Na audiência pública, Campos Neto anunciou que o BC pretende lançar, até o fim do próximo ano, um sistema instantâneo de pagamentos que funciona 24 horas por dia e sete dias por semana e funcionará como alternativa à Transferência Eletrônica Disponível (TED) e ao Documento de Ordem de Crédito (DOC), que não funcionam de forma instantânea.

Atualmente, o valor transferido por DOC só chega à conta do destinatário no dia útil seguinte ou dois dias úteis depois, para transações após as 21h59. No caso do TED, o dinheiro é transferido em alguns minutos para operações antes das 17h. No entanto, a partir desse horário, a transação só é concluída no dia útil seguinte.

Segundo ele, o novo sistema diminuirá a demanda por dinheiro em espécie. “Os pagamentos instantâneos devem estar funcionando no fim do ano que vem. O dinheiro vai sair de uma conta para outra, independente de quem seja, empresa ou pessoa física, 24 horas por dia, sete dias por semana. Diminui a demanda por dinheiro em espécie”, declarou.

CHEQUE ESPECIAL

Na audiência pública, Campos Neto reafirmou que o BC lançará, até o fim do ano, um plano para reduzir os juros do cheque especial das pessoas físicas. Ele reiterou que esse produto, que cobra juros em torno de 300% ao ano, prejudica principalmente os clientes de baixa renda.

“O cheque especial é um produto muito regressivo. Quem está pagando o custo está embaixo na pirâmide. É como se quem estivesse embaixo pagasse o luxo de quem está em cima. É um produto mais usado pela renda mais baixa e por quem tem menos educação financeira. Precisamos fazer uma reengenharia para diminuir regressividade”, declarou.

Sobre o spread bancário, diferença entre os juros que o banco paga para captar recursos e cobra do tomador de crédito, o presidente do BC disse que a instituição estuda medidas para tornar mais ágil a recuperação, pelos bancos, de bens dados como garantia (bens usados para cobrir a inadimplência) nas operações de crédito. Segundo Campos Neto, atualmente a recuperação de crédito leva muito tempo sendo discutida na Justiça.

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