Finanças

Avanço nas reformas puxam a alta da Bolsa ao longo de 2019


Ao alcançar os 117 mil pontos pela primeira vez no último dia 26, o ativo liderou o ranking elaborado pelo administrador de investimentos Fábio Colombo. Mas a manutenção da alta depende da aprovação de novas reformas e seus impactos na economia


  Por Karina Lignelli 31 de Dezembro de 2019 às 07:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Após idas e vindas, a aprovação da Reforma da Previdência, que deve gerar uma economia de R$ 800 bilhões aos cofres públicos em 10 anos, animou o mercado e levou o Ibovespa (indice de ações mais negociadas e de maior valor de mercado na Bolsa) a atingir 117 mil pontos no último dia 26. 

Num cenário de crescimento do PIB baixo (entre 1% e 1,2%), redução da taxa Selic ao menor nível histórico (4,5%), além de fatores políticos como a reversão pelo STF da prisão após condenação em segunda instância, e ataques aos procuradores da Operação Lava Jato, o mercado de ações foi o mais atrativo, apesar de encerrar o último dia de pregão (30/12) em queda de 0,76%, aos 115 mil pontos.

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No acumulado do ano, porém, a Bolsa fechou em alta de 31,58%, liderando o ranking elaborado pelo administrador de investimentos Fábio Colombo. "Em razão disso, no Brasil, em 2020, os mercados ficarão muito atentos a aprovação de novas reformas e seus impactos na economia", sinaliza. 

Conforme havia sido mencionado anteriormente pelo especialista ao final de 2015, 2016, 2017 e 2018, a bolsa brasileira tinha grande espaço de recuperação, devido a preços ainda muito defasados. Porém, esse fato se materializou nesses últimos quatro anos, conforme destaca.

"Porém, apesar dessas altas, para 2020, ainda persiste essa defasagem, com boa chance de continuidade desse processo. Tudo dependerá das reformas a serem implementadas", reforça. 

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No caso das bolsas mundiais, em 2019 elas apresentaram, em sua maioria, fortes altas, devido à  melhora nas expectativas de crescimento da economia mundial. A bolsa americana ainda continua em patamar muito elevado (28,6%), fato que pode levar a ajustes no futuro, com seus impactos nas bolsas ao redor do mundo. Por outro lado, a Europa e a Ásia apresentam melhores perspectivas.

Já o câmbio deverá continuar calmo e com viés de baixa, caso o governo tenha êxito nos ajustes da economia. "Por outro lado, a política econômica dos Estados Unidos pode afetá-lo", diz Colombo, fazendo referência à guerra comercial do país com a China, que ainda não chegou a um acordo.

Neste último dia útil do ano, o dólar comercial fechou em R$ 4,0098 (-1%), encerrando 2019 no 9º lugar no ranking de investimentos, com alta de 3,50%. Já o euro, por conta do baixo crescimento da economia europeia, termina na lanterna, com ligeira alta acumulada de 1,36%. 

COMO FICA A RENDA FIXA  

As aplicações a juros tiveram ganhos reais baixos em 2019, na faixa de 0 a 1% ao ano (após taxa de administração, imposto de renda e inflação), segundo Colombo, devido à queda da inflação e da Selic, assim como os fundos DI tiveram queda do rendimento real líquido em 2019 pelos mesmos motivos

"A expectativa é que o rendimento real em 2020 fique na faixa de -1 a 1% ao ano", afirma.

Já os fundos de renda fixa puros, que tiveram rendimento líquido de 5,71%, em média, no ano deverão apresentar resultados muito parecidos com os Fundos DI (alta de 5,74%).

"Seu comportamento dependerá da política de juros do Banco Central e da participação de títulos prefixados e indexados à inflação em suas carteiras e de sua marcação a mercado", destaca. 

Para quem pretende diversificar o portfólio, o especialista lembra que os títulos indexados ao IPCA, que cresceram 6,72% em 2019 (indicativo), continuam sendo opções interessantes de longo prazo, pelo cupom de juros na faixa de 1,5% a 3,5% ao ano, mais variação do IPCA, conforme prazo do papel. 

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