Finanças

Avanço de Bolsonaro faz dólar recuar abaixo de R$ 4


O principal motivo para o dólar descolar-se do exterior numa manhã de alta generalizada é o resultado da pesquisa Ibope divulgada na noite desta segunda-feira


  Por Estadão Conteúdo 02 de Outubro de 2018 às 10:14

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O comportamento do mercado de câmbio mostra que o investidor ignora a influência externa neste início de sessão desta terça-feira (2/10).
 
O dólar abriu e segue abaixo dos R$ 4, numa queda de 1% no mercado à vista. O bom humor também é observado nos mercados de juros e no contrato futuro do Ibovespa

O principal motivo para o dólar descolar-se do exterior numa manhã de alta generalizada é o resultado da pesquisa Ibope divulgada na noite de segunda-feira.
 
O petista Fernando Haddad ficou estagnado em intenções de voto, enquanto Jair Bolsonaro (PSL) cresceu 4 pontos porcentuais.
 
"Bolsonaro cresce no primeiro turno e empata com Haddad no segundo turno", afirma um profissional do mercado cambial. No Nordeste, Bolsonaro cresceu 6 pontos percentuais, ainda que Haddad siga liderando a preferência na região. 

No exterior, "a crise em torno do orçamento italiano volta a impactar negativamente nos mercados em geral", escreveram analistas da LCA Consultores. "Dólar é favorecido neste momento de maior incerteza", diz a nota da LCA.

Às 9h27 desta terça-feira, o dólar à vista recuava 1,14% aos R$ 3,9840.
 
O contrato do dólar para novembro recuava 0,70% aos R$ 3,999. No exterior, o dólar subia 0,42% ante o peso mexicano, +0,59% ante o rublo russo, 1,12% ante a lira turca, +1,29% ante o rand sul-africano. O Dollar Index (DXY) avançava 0,30%.
 
Em linha com o dólar, os juros futuros abriram em firme queda. Nas mínimas intraday, as taxas de alguns contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) recuaram quase 20 pontos-base. O bom humor no mercado doméstico contradiz o comportamento negativo dos ativos de risco no exterior. 

"Bolsonaro cresce no primeiro turno e empata com Haddad no segundo turno", destaca um profissional do mercado cambial. No Nordeste, Bolsonaro cresceu 6 pontos porcentuais, ainda que Haddad siga liderando a preferência na região. 

Um operador do mercado de juros futuros também cita como um segundo vetor para a firme queda das taxas dos DIs a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, de manter a proibição ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de conceder entrevistas da prisão. 

No exterior, o dólar ganha força ante as pares de economias desenvolvidas e também em relação às principais emergentes. Há um crescente desconforto na União Europeia com situação fiscal da Itália. "Dólar é favorecido neste momento de maior incerteza", escreveram analistas da LCA Consultores.

Às 9h42 desta terça, o DI para janeiro de 2020 estava em 8,18%, de 8,24% no ajuste da véspera. O DI para janeiro de 2021 exibia 9,41%, de 9,52%, enquanto o vencimento para janeiro de 2023 estava em 10,90%, de 11,02% no ajuste da véspera. 

Sem efeito nos negócios, a produção industrial caiu 0,3% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal, segundo o IBGE divulgou na manhã desta terça-feira.