Finanças

Atenção para a alta nos juros e na anuidade dos cartões de crédito


Pesquisas mostram que os bancos aumentaram o valor da tarifa anual e que o Custo Efetivo Total do rotativo chega a 748,67% ao ano


  Por Rejane Tamoto 17 de Setembro de 2015 às 20:09

  | Editora rtamoto@dcomercio.com.br


Ao menor sinal de dificuldade para pagar as contas, a melhor atitude é parar para buscar o crédito de menor custo e evitar ao máximo pagar o valor mínimo da fatura do cartão. Isso porque os custos associados à essa linha - que é o rotativo - podem chegar a quase 750% ao ano. Além disso, o consumidor precisa ficar atento ao valor da anuidade, que também subiu desde o ano passado. 

O rotativo do cartão tem a incidência de juros altos, impostos e outros encargos que fazem a dívida crescer, levando facilmente os consumidores a entrar na lista de inadimplentes

Segundo dados do Banco Central, o índice de inadimplência das pessoas físicas na linha do rotativo do cartão de crédito atingiu 37% em julho. É muito maior do que, por exemplo, o índice de calotes registrados no cheque especial, que é de 14% ou mesmo o de financiamentos de bens, que é de 9,9%. 

O Banco Central, com base na informação que as instituições financeiras passam, apurou que a taxa de juros média do rotativo, em julho, foi de 395,3% ao ano, o que equivale a 14,26% ao mês.

O fato é que quem começa a efetuar o pagamento mínimo da fatura entra em uma espiral difícil de sair. Dependendo do aperto financeiro, pode ter dificuldade de quitar o valor integral da dívida, já que o valor cresce com a cobrança de juros sobre juros. 

Pesquisa realizada pela associação Proteste mostra que o Custo Efetivo Total (CET) cobrado no rotativo do cartão de crédito pode chegar a 748,67% ao ano - o que equivale a 19,51% ao mês. Esse CET, segundo o levantamento da entidade, é de cartões da bandeira Hipercard. 

Desta forma, o consumidor que efetua o pagamento mínimo de R$ 200 de uma fatura de R$ 1 mil - ou seja, 20% do total - e deixar a dívida de R$ 800 rolar sem efetuar novos pagamentos, terá de arcar com cerca de R$ 7 mil daqui um ano. 

Um consumidor nessa situação, por exemplo, terá de reduzir muito esse valor na hora de negociar com o banco, de forma que possa pagar sem reincidir na inadimplência. 

Renata Pedro, coordenadora da pesquisa da Proteste, diz que o segundo cartão de maior CET é o Santander Free, com uma taxa de 725,32% ao ano - ou 19,23% ao mês. A entidade coletou a taxa de CET de 108 faturas de cartões de créditos de 12 instituições financeiras, em julho deste ano. As faturas consultadas eram de consumidores com perfis diversos de consumo. 

Especialistas recomendam ao consumidor sempre comparar o CET de operações de crédito. Essa taxa engloba seguros e impostos - ou seja, mostra o que efetivamente será pago. 

No caso do cartão, abrange a taxa de juros e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e eventuais seguros que o consumidor possa ter contratado. 

"Observe sempre o CET. Às vezes, a taxa de juros cobrada por um banco pode ser menor do que o custo total. No crédito, pode ter um seguro embutido e encargos", recomenda Renata. 

O fato é que é mais do que necessário evitar efetuar o pagamento mínimo da fatura. E prestar muita atenção ao CET quando utilizar outros serviços - como o pagamento de compras parceladas, o reparcelamento da fatura e principalmente o saque no cartão de crédito. 

Quem saca dinheiro do limite do cartão está sujeito a um custo efetivo total maior ainda do que o do rotativo. No caso do Santander, pode chegar a 1020% ao ano, segundo a Proteste. 

A entidade também lançou uma campanha na qual pede às autoridades estipulem um limite para a cobrança de juros dos bancos.

TARIFA DE ANUIDADE TAMBÉM SUBIU

Por outro lado, além de ficar atento a essas taxas, é preciso observar outros custos, como o da anuidade. Outra pesquisa, realizada pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do consumidor), revela que os bancos subiram essa tarifa e estão mais duros na hora de negociá-las. 

Segundo o levantamento da entidade, realizado nos sites dos seis maiores bancos (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú e Santander), o custo da anuidade subiu até 188% ao ano no mês passado na comparação com agosto de 2014.

A maior elevação foi a do banco Santander, com 188% ao ano, seguida por HSBC (136% ao ano), Bradesco (83% ao ano), Banco do Brasil (63% ao ano), Itaú (50% ao ano) e Caixa (20% ao ano). O Idec apurou que os bancos ampliaram a oferta de cartões e estão menos propensos a negociar. 

"Por isso, recomendamos ao consumidor ter apenas a quantidade de cartões que realmente utiliza e necessita. Os bancos estão menos flexíveis para isentar a anuidade desde que o Banco Central normatizou a cobrança em 2010", afirma Ione Amorim, economista do Idec. 

Um dos apelos para não isentar o cliente da cobrança de anuidade, segundo ela, é a oferta de programas de pontos que os bancos oferecem. 

"Eles deixaram de reter o cliente com a isenção da anuidade, mas continuam enviando cartões pelo correio. O consumidor que receber o cartão sem ter solicitado pode reclamar", afirma Ione. 

FOTO: Thinkstock







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