Finanças

Ações para reduzir o custo do crédito estão na direção correta


Avaliação é de representantes de entidades e instituições do varejo e de bancos. Conjunto de medidas do Banco Central tem objetivo de reaquecer o mercado de crédito de forma sustentável


  Por Mariana Missiaggia 20 de Dezembro de 2016 às 16:48

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


O conjunto de medidas do Banco Central para diminuir o custo do crédito estão na direção correta e, desta forma, devem ter uma implementação gradativa, assim como os resultados. A avaliação é de Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

“Assim como mostram as medidas anunciadas por Henrique Meirelles (ministro da Fazenda), estas também indicam que não há uma bala de prata que vá acabar com a recessão. O que temos são medidas pontuais”, afirmou.

Ele também avalia como positivo os esforços para garantir mais transparência e bom relacionamento com consumidor, além do aperfeiçoamento dos mecanismos de solução de conflitos.

A expectativa do economista é que além da queda da Selic, o BC também consiga propiciar a redução do spread, que é a diferença positiva entre o custo de captação do dinheiro e o cobrado pelo tomador de crédito pelos bancos. 

O economista diz que sem redução dos custos e uma ampliação da oferta de crédito será difícil recuperar a economia brasileira, que está carente de liquidez e meios que permitam a circulação dos negócios. 

“O credito é o sangue que faz a economia circular”. 

“É preciso mais disponibilidade de crédito, mas com condições favoráveis, porque refinanciar as dívidas das empresas com a atual tabela de juros atual é inviável. A rentabilidade das empresas não sustenta”.

Uma das principais medidas, que agora depende de uma regulamentação, é a legalização do desconto para pagamentos à vista. Para Solimeo, se trata, na verdade, do reconhecimento de uma prática, que com a formalização deve ser intensificada. 

Ele também avalia que não há nenhuma lei que proíba essa prática pelo comerciante. No entanto, no entendimento do Procon, a medida é abusiva e discrimina o usuário de cartão de crédito. “É uma prática de mercado. Não adianta lutar contra”.

Para o economista, a principal medida para melhorar o ambiente de crédito para as micro e pequenas empresas e que ainda carece de detalhes é a que trata sobre a duplicata eletrônica

“A ACSP já tem a CRDC (Central de Registro de Direitos Creditórios) operando nesse sentido, e também tem condições de operar com outros recebíveis. Estamos apenas aguardando os detalhes”, diz. A CRDC verifica se as duplicatas têm lastro em notas fiscais e acompanha sua vida por meio de um número único, até o vencimento, guardando depois por oito anos seu histórico.

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, acredita que as medidas serão a essência da construção de um mercado de crédito amplo e de custo competitivo no Brasil.

Acrescenta ainda, em nota, que a equipe econômica merece apoio não só pelas teses que defende, mas também pelas entregas que tem feito na prática.

"A retomada do crescimento será o resultado de uma decolagem segura e suave. O tempo das balas de prata ficou para trás. A prioridade é persistir no tripé formado pelas metas de inflação, câmbio flutuante e gestão responsável das contas públicas", destaca o presidente do Bradesco.

O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, classificou com positiva a agenda do Banco Central, divulgada mais cedo pelo órgão regulador.

"Vejo a agenda proposta pelo Banco Central buscando maior competição através de mais transparência e eficiência na intermediação financeira, em benefício do tomador de crédito, como muito positiva e merecedora de todo apoio", avalia o executivo, em nota à imprensa.

SPREAD

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) manifestou apoio ao governo e ao Banco Central no esforço para possibilitar a redução do spread bancário de maneira "consistente e sustentável". 

A criação de um grupo de trabalho para sugerir medidas sobre o assunto, conforme nota da entidade à imprensa, vai na direção desejada de reduzir os custos da intermediação financeira e, consequentemente, do crédito.

"A agenda anunciada pelo Banco Central também contempla medidas estruturais importantes que contribuirão para dar maior racionalidade e transparência às relações entre o Tesouro Nacional e o Banco Central", destaca a Febraban, que também cita as medidas mencionadas pelo regulador para ampliar a educação financeira dos cidadãos, mecanismos de solução de conflitos sem necessidade de judicialização e ainda iniciativas para maior transparência na atuação do setor.

Na visão da Febraban, o anúncio da simplificação do depósito compulsório, o estabelecimento do depósito remunerado, a promoção das duplicatas eletrônicas e a regulamentação das Letras Imobiliárias também devem contribuir para incentivar o crédito e reduzir seu custo. 

A Federação também acredita que o aperfeiçoamento do cadastro positivo, com o fim da responsabilidade objetiva e solidária das fontes de informação e dos usuários do cadastro, aumentará os incentivos para sua mais rápida implantação.

"O conjunto de medidas irá contribuir para melhorar o ambiente de crédito de forma estrutural e duradoura. A Febraban e seus bancos associados darão colaboração ativa e construtiva à autoridade monetária para que as medidas anunciadas tenham bons resultados, no prazo definido, e contribuam para o aumento da oferta de crédito, do investimento e para a retomada da criação de empregos", conclui a entidade.

FOTO: Thinkstock

Com Estadão Conteúdo