Finanças

A Selic estacionou, mas os juros do crédito continuam subindo


Diferentes pesquisas mostram que 2016 começou com elevação no custo de empréstimos para consumidores e empresários


  Por Agência Brasil 11 de Fevereiro de 2016 às 15:24

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O custo do dinheiro está maior e continuou subindo em janeiro, segundo indicadores de duas instituições: a Fundação Procon de São Paulo e a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

O movimento de alta das taxas de juros para consumidores e empresários continua por causa da incerteza das instituições em relação à economia. Com a inflação elevada, aumento do índice de desemprego e perda do poder de compra da população, há risco maior de aumento na inadimplência.  

De acordo com uma pesquisa feita em agências de sete bancos pela Fundação Procon, houve elevação dos juros do cheque especial e do empréstimo pessoal a clientes do Banco do Brasil e Itaú

Segundo a pesquisa, a taxa média de juros para o cheque especial entre os bancos ficou em 12,79% ao mês em janeiro, 0,27 ponto percentual superior à taxa média do mês anterior (12,52%). 

No Banco do Brasil, a taxa passou de 11,8% para 11,91% ao mês e no Itaú, passou de 10,56% para 12,33% ao mês.

No empréstimo pessoal, a taxa média de juros entre os bancos pesquisados foi 6,41% ao mês, 0,4 ponto percentual acima do verificado no mês anterior (6,37%) ao mês. No Banco do Brasil, a taxa passou de 5,5% para 5,6% ao mês e no Itaú variou de 6,22% para 6,43% ao mês.

O Procon de São Paulo alerta o consumidor para ficar atento ao custo de utilização dessas modalidades de crédito. “As taxas de juros refletem o impacto da situação econômica atual do país. No caso de necessitar de crédito, é recomendável pesquisar as melhores taxas e negociar com a instituição financeira, especialmente quando mantiver um vínculo como correntista”.

As duas instituições citadas foram contatadas pela reportagem, mas até o momento da publicação do texto não se manifestaram sobre a pesquisa.

ELEVAÇÃO PELO 16º MÊS SEGUIDO

As taxas de juros das operações de crédito voltaram a subir em janeiro de 2016, na 16ª elevação consecutiva, de acordo com a Anefac.

A entidade pesquisa seis linhas de crédito que tiveram juros elevados no mês (juros do comércio, cartão de crédito rotativo, cheque especial, crédito direto para  financiamento de veículos, empréstimo pessoal de bancos e empréstimo pessoal de financeiras). 

Com isso, a taxa média de juros geral para pessoa física, subiu 0,11 ponto percentual de dezembro para janeiro deste ano e atingiu 7,67% ao mês (142,74% ao ano). Essa é a maior taxa de juros desde fevereiro de 2005.

No caso das empresas (capital de giro, desconto de duplicatas e conta garantida), também houve elevação nas três linhas de crédito pesquisadas. 

A taxa de juros média geral para pessoa jurídica apresentou elevação de 0,06 ponto percentual ao passar de 4,27% ao mês (65,16% ao ano) em dezembro de 2015 para 4,33% ao mês (66,31% ao ano) em janeiro de 2016. Essa é a maior taxa de juros desde fevereiro de 2009.

De acordo com o diretor de estudos e pesquisas econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, um dos motivos que explica as elevações dos juros é o cenário econômico que aumenta o risco dos índices de inadimplência também subirem. 

“Este momento se baseia no fato de os índices de inflação estarem mais elevados, com aumento de impostos e juros maiores, que reduzem a renda das famílias. Agregado ao baixo crescimento econômico, deverá promover crescimento dos índices de desemprego”, disse Oliveira.

Ele acrescentou que como as expectativas para 2016 “são igualmente negativas quanto a todos estes fatores”, as instituições financeiras aumentam suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência. O outro fator que explica a elevação das taxas é o aumento das taxas de juros futuros, por conta da turbulência política e econômica.

IMAGEM: Thinkstock






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