Finanças

A revolução digital chegou aos bancos... mas trouxe riscos


Murilo Portugal, presidente da Febraban, diz que crimes cibernéticos são considerados baratos para se cometer e caros para se combater


  Por Estadão Conteúdo 09 de Novembro de 2017 às 15:34

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A revolução digital em curso no mundo é um tema que ganha cada vez mais espaço e importância para o sistema financeiro, disse nesta quinta-feira, 9/11, Murilo Portugal, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), durante abertura do 7º Congresso Internacional de Gestão de Riscos, que a entidade realiza em São Paulo.

Para Portugal, o acelerado crescimento do número de dispositivos móveis, smartphones e tablets, as mídias sociais e a capacidade de extrair informação de grandes quantidades de dados não estruturados têm contribuído de forma importante para a inovação e a disseminação das atividades financeiras e modificado o padrão de transações e de relacionamento bancário.

"Esse novo padrão certamente traz mudanças na forma de gestão e integração dos riscos dos bancos, assim como traz novos e importantes desafios para os reguladores", disse.

O sistema financeiro no mundo, especialmente no Brasil, sempre esteve na vanguarda do progresso e das inovações tecnológicas, explicou o presidente da Febraban. O desafio, disse ele, é preservar e estimular esta característica do setor, ampliando cada vez mais a quantidade e qualidade dos produtos à disposição dos clientes, evitando, ao mesmo tempo, os riscos que possam trazer.

"A segurança cibernética foi o principal fator de preocupação para os CROs (chief risk officers) internacionais em pesquisa realizada no Risk Minds, o maior evento global de gestão de risco. Crimes cibernéticos são considerados baratos para se cometer e caros para se combater", disse.

O presidente da Febraban lembrou também que estamos praticamente na metade do processo de implementação dos normativos de Basileia 3 no Brasil. Iniciado em 2013, já são quase cinco anos de trabalho e discussões para estar em estrito cumprimento com os compromissos assumidos no acordo de Basileia.

"Procuramos adotar as novas regras de forma programada, de modo a minimizar eventuais impactos sobre a economia brasileira. O resultado é bastante positivo e a adoção das novas regras está confirmando para o mundo a boa situação dos bancos brasileiros", reiterou Portugal.

O Índice de Basileia (capital total) do sistema bancário brasileiro situava-se em 17,4% em junho. O Índice de Capital Principal de Basileia 3, o de maior qualidade, atingiu 12,7%, ante um mínimo regulatório de 7% a ser requerido em 2019, sendo de 8% para as instituições financeiras domesticamente importantes no Brasil, sem considerar as exigências de adicional de capital contracíclico, atualmente fixado em zero, e eventuais adicionais de capital a serem requeridos.

O sistema, de acordo com Portugal, se enquadra com folga no requisito mínimo de Alavancagem de Basileia 3, medido pelo nível de Capital de nível 1 sobre os Ativos Nominais. O índice geral do sistema bancário brasileiro estava em 7% em junho deste ano, ante o requisito mínimo atual de 3%.

Segundo o presidente da Febraban, os bancos brasileiros também adotam estratégias conservadoras de avaliação de risco de crédito, o que tem se mostrado particularmente relevante e preservado a rentabilidade do sistema no momento econômico desafiador que o País acabou de atravessar.

"O nível de provisionamento para fazer frente à inadimplência permanece elevado, com níveis suficientes de cobertura sobre os créditos não honrados acima de 90 dias e outros ativos problemáticos".

IMAGEM: André Lessa/Estadão Conteúdo