Finanças

5 dicas para tirar férias sem se preocupar com o orçamento


O planejamento com até um ano de antecedência pode garantir a sonhada viagem – e sem desfalcar a conta bancária


  Por Rejane Tamoto 24 de Maio de 2016 às 08:00

  | Editora rtamoto@dcomercio.com.br


O friozinho já chegou. Você já planejou onde vai aproveitá-lo? Ou ainda: já sabe onde passará as férias de verão? A resposta pode ser um belo "sim" se o leitor é daqueles que gosta de planejar as férias com antecedência – e faz disso até uma diversão. 

Mas se a resposta for negativa, ainda dá tempo de preparar o bolso para aproveitar ao máximo o descanso merecido em um lugar que sonha. 

Os especialistas em finanças pessoais dizem que a escolha do destino e a definição do objetivo da viagem – se realizados com antecedência – ajudam a desenhar um orçamento inicial para as férias. 

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Os próximos passos, observam, são planejar e poupar para pagar os bilhetes aéreos, a hospedagem e, em caso de viagem internacional, a moeda do país de destino.  

Durante esse processo, dá até para guardar uma reserva para gastar durante o período das férias. Tudo depende de planejamento e pesquisa. "Acho que o objetivo da viagem é mais importante. Pense no que quer fazer, se muitas atividades de lazer ou descansar. Isso vai ajudar a fazer a escolha ideal de hospedagem",diz André Massaro, educador e consultor financeiro. 

Segundo ele, quem deixa para pensar nisso depois corre o risco de realizar gastos desnecessários. "Quem viaja para fazer muitas atividades na maioria das vezes não precisa de um hotel de maior custo, até porque não passará muito tempo nele. O mesmo vale para quem quer descansar e escolhe um hotel que não corresponde às expectativas." 

1- ESCOLHA O DESTINO O QUANTO ANTES

Mauro Calil, educador financeiro e especialista em investimentos do banco Ourinvest, diz que o primeiro passo para fazer o planejamento adequado é escolher o destino (nacional ou internacional).

"O ideal é saber disso com um ano de antecedência. Assim que acabar as férias já comece a pensar nas  próximas."

O mais importante, completa, é planejar realizar um sonho que seja condizente com a conta bancária. "Para isso, evite se endividar para fazer a viagem. Com um bom plano é possível passar férias muito legais e sem aperto antes, durante e depois", afirma Calil. 

Com objetivo e destino definidos, os especialistas recomendam fazer a compra  da passagem aérea e o pagamento das diárias de hotel. O ideal é fazer a reserva com até 11 meses de antecedência, para conseguir descontos nos preços. Se a viagem for para uma cidade brasileira, o ideal é que a compra seja realizada com uma antecipação mínima de 60 dias. 

2- PARCELE, MAS QUITE ANTES DE EMBARCAR

Os especialistas em finanças recomendam aos consumidores adeptos ao parcelamento da passagem aérea e da hospedagem que tentem quitar o valor antes de embarcar.

"É frustrante aproveitar um benefício e ficar pagando depois que já usou. Pesquisas dizem que isso gera até sentimento de culpa. Recomendo que o parcelamento seja feito com maior antecedência e que o viajante saia de casa com tudo pago", diz o consultor Massaro.

3- PAGUE PARA VOCÊ

Calil dá uma sugestão ainda mais ousada e sugere o autoparcelamento das férias. Para isso, é preciso estabelecer uma quantia mensal para aplicar em renda fixa e resgatar antes da viagem. "É sempre melhor receber juros do que pagar", lembra. 

Para quem tem um prazo muito curto para embarcar, como o mês de julho, Calil recomenda que guarde o dinheiro em uma aplicação que tenha liquidez. "Neste caso, a pessoa vai precisar de liquidez e para ter rentabilidade teria de ter mais tempo", afirma. 

4- APLIQUE DE ACORDO COM O PRAZO

Já quem tem de três meses a um ano de prazo para investir antes da viagem pode optar por aplicações em renda fixa que não cobram Imposto de Renda (IR). "Para quem quer poupar e gastar na viagem de dezembro é possível comprar  uma LCI (Letras de Crédito Imobiliário) ou um CDB (Certificado de Depósito Bancário) que pague um bom percentual de CDI (Certificado de Depósito Interbancário)".

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A compra de títulos do Tesouro Nacional também é uma alternativa para fazer o dinheiro render, mas o prazo de resgate – e a antecedência da viagem – devem ser superiores a um ano. Sobre os títulos há taxa da corretora ou banco, custódia e Imposto de Renda.

O consultor Massaro tem uma dica diferente para quem quer proteger o dinheiro para gastar no exterior. "Os fundos cambiais protegem contra a oscilação do dólar, por exemplo. Mas antes de contratar é preciso verificar o tíquete de entrada, que é alto", afirma. 

5- ESCOLHA O MEIO DE PAGAMENTO

Com o dinheiro na mão, o próximo passo é comprar a moeda, se a viagem for internacional. Os especialistas em finanças não têm dúvida: o melhor é fazer uma única compra de moeda, sem se preocupar com os altos e baixos da cotação diária. Há também os viajantes que preferem fracionar as compras para pagar por uma taxa média. O fato é que não dá para especular com o câmbio.

O viajante pode escolher comprar a moeda por meio de cartão pré-pago, sobre o qual há incidência de Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) de 6,38%, o mesmo percentual cobrado no cartão de crédito para compras no exterior.

A vantagem do pré-pago é que ele permite controle dos gastos e o viajante trava a taxa de câmbio, e não corre o risco de levar um susto na hora que receber a fatura do cartão de crédito.

Além disso, pode ser bloqueado em caso de furto ou roubo, o que não ocorre quando o viajante opta por levar tudo em papel moeda - cujo imposto é bem menor, um IOF de 1,1%. 

Massaro diz que o cartão pré-pago é uma boa forma de levar o dinheiro da viagem, desde que seja carregado na moeda que será usada no destino, em dólar, peso ou euro, por exemplo.

"O cartão de crédito deve ser levado apenas para uma emergência. Quem usar o pré-pago deve lembrar de planejar os saques, para não ter muito ônus com as tarifas cobradas", recomenda.

O momento mais esperado para muitos brasileiros é o de fazer compras no exterior, ainda mais se tudo tiver sido planejado.

"Isso é herança do  tempo em que não tínhamos coisas simples, como uma marca de batata frita no Brasil. Então há mesmo uma educação para fazer compras fora do País.

Mas para não se  perder, recomendo que o consumidor faça uma lista e uma pesquisa de comparação de preços rápida na internet. Não é justificável comprar tudo só porque está no exterior", observa Massaro.

Calil diz que, embora a aquisição de supérfluos seja uma motivação para  planejar a viagem com antecedência, é preciso mesmo fazer uma pesquisa e lista de compras. "Nem todo lugar fora do Brasil é um bom destino de compras. Nos Estados Unidos é possível encontrar ótimos preços. Já na Itália, não", compara o  especialista.

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