Finanças

3 comportamentos que levam o seu dinheiro embora


Deixar de lado a procrastinação, a automedicação e a precipitação são algumas medidas que podem ajudar a organizar sua vida financeira


  Por Rejane Tamoto 14 de Maio de 2016 às 09:00

  | Editora rtamoto@dcomercio.com.br


Pequenos deslizes decorrentes da preguiça e procrastinação, automedicação e precipitação podem se tornar uma arma contra o bolso. 

De nada adianta obter informações sobre as melhores aplicações se o investidor não consegue organizar questões simples de sua rotina financeira, como suas contas correntes, cartões de crédito, programas de milhagem e parcelamentos.

E para ser organizado é preciso combater três comportamentos nocivos, como o de procrastinar (o conhecido ato de deixar para depois), o de se automedicar financeiramente e a agir com pressa na hora de tomar uma decisão. 

1- PROCRASTINAÇÃO E PREGUIÇA

A preguiça e a procrastinação (o conhecido ato de deixar para depois) podem contaminar atitudes simples do dia a dia, como a decisão de fechar uma conta-corrente que não está mais sendo utilizada. 

O resultado é o pagamento de tarifas mensais sem necessidade. Falta de tempo para ir à agência bancária encerrar uma conta é uma desculpa comum. "Recomendo ter conta em apenas dois bancos, em um que a pessoa prefere e em outro para receber rendimentos do trabalho. O ideal é fechar, no máximo, após seis meses sem uso", diz Bolívar Godinho de Oliveira Filho, o professor de finanças da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

A mesma recomendação vale para os cartões de crédito. Ter diversos deles, segundo o professor, pode levar à desorganização da vida financeira. "O ideal é ter dois de bandeiras diferentes", afirma. O acúmulo de cartões pode levar à preguiça de pesquisar os programas de pontos que os plásticos oferecem. 

Neste caso, além do pagamento de anuidades desnecessárias, o consumidor deixa de ganhar prêmios que podem ser até viagens aéreas. Por isso é recomendado parar para ler o regulamento dos programas de fidelidade e ficar atento ao vencimento dos pontos.

"Em alguns programas é possível renovar e deixar os pontos guardados. É melhor do que transferir para outro programa, que pode inutilizá-los no vencimento", diz o professor. 

Quem tem preguiça de controlar o dinheiro também deve evitar comprometer-se em muitos parcelamentos no cartão. "O ideal é evitar dividir as compras realizadas com frequência, ou seja, no supermercado e na farmácia.", afirma. 

Sobrou um dinheiro no fim do mês, mas ele ficou na conta corrente, parado? Essa é outra manifestação da preguiça. 

Dinheiro parado significa deixar de ganhar rendimentos e perder para a inflação. O ideal é ter o hábito e a preocupação de guardar uma parte da renda em aplicações financeiras que protejam o dinheiro da inflação. É importante que a aplicação tenha liquidez para que seja acessada em caso de imprevistos.

Mas é importante que o recurso não fique na poupança. Para ter uma ideia, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 3,25% no acumulado deste ano até abril. No mesmo período, o rendimento acumulado da caderneta de poupança foi inferior a isso, de apenas 2,60%.

O professor diz que os títulos do Tesouro Nacional, que podem ser comprados e vendidos no site do Tesouro Direto, são uma alternativa bem interessante para o quem quer guardar quantias menores. No entanto, dá um pouco de trabalho aos preguiçosos: será necessário abrir conta em uma corretora de valores, escolher o título e efetuar as operações de compra.

"O investidor deve se informar no site, para entender melhor o funcionamento. Depois da primeira operação tudo ficará mais fácil, já que tudo é feito pela internet", diz Oliveira Filho. 

2- AUTOMEDICAÇÃO

E é justamente na hora de investir que surgem outros comportamentos perigosos, como a automedicação – que corresponde a escolher um investimento só porque foi rentável para outra pessoa. 

Um exemplo é contratar um fundo de investimento só porque o vizinho disse que teve um rendimento alto no ano passado. O primeiro erro está em acreditar que a rentabilidade passada é igual à futura, porque não é. O segundo é escolher um produto porque fez bem para o outro, mas que pode não atender ao objetivo pessoal.

Os fundos de investimento funcionam como condomínios e têm regras e detalhes que constam em um prospecto, que deve ser lido com atenção antes da contratação. Outro detalhe importante é verificar a taxa de administração. 

"Se for de renda fixa, avalie fundos que tem uma taxa de administração menor que 2%", afirma o professor da Unifesp. Outra recomendação importante, além da taxa de administração, é avaliar bem o fundo e seu gestor, bem como a instituição financeira. Veja se ela tem tradição, controle e bom desempenho.

De forma geral, quanto mais o poupador tem para aplicar em um fundo, menos ele deve desembolsar com a taxa de administração. 

Seja qual for a escolha, antes de aplicar o dinheiro, o investidor deve passar por uma Análise de Perfil do Investidor, preenchendo um questionário para conhecer o perfil de risco. A partir do resultado dessa análise, poderá escolher a aplicação de acordo com o objetivo pessoal e prazo que tem para deixar o dinheiro aplicado. 

PRECIPITAÇÃO OU PRESSA

Outro problema comum é não pesquisar antes de tomar uma decisão para arcar com um imprevisto, como o conserto de um carro, que não pode ser coberto pelo orçamento. A primeira ideia é recorrer ao cheque especial, sobre o qual incidem juros médios de 330% ao ano, ou 13% ao mês. O mesmo vale para quem, sem pensar, utiliza o cartão de crédito além do limite e depois efetua o pagamento mínimo da fatura.

Antes de optar por uma das alternativas, o professor recomenda parar e pesquisar. "Procure os bancos e pesquise as taxas do crédito consignado. É melhor fazer um empréstimo a uma taxa menor para liquidar a dívida." 

Em todo caso, outro comportamento a ser evitado é a precipitação pelo medo de perder. O melhor jeito de evitar essa pegadinha do comportamento é conhecendo bem o perfil de risco antes de investir. Quem não tem estômago para aplicações de renda variável deve evitá-las ou, como sugere Oliveira Filho, aplicar um percentual bem pequeno do que tem disponível para investir.

"Deve ser um percentual do que tem para investir que não gere desconforto no caso de perdas no mercado de ações ou mesmo em fundos multimercados", afirma. 

 O fato de um fundo não ter boa performance e render pouco em um determinado mês não é motivo para o resgate imediato. Mesmo porque, ao sacar antes do prazo, pode haver cobrança de maior alíquota de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos. Quem fica mais tempo no fundo tem redução de alíquota, que vai de 22,5% para 15%. Nesse caso, o investidor deixa de ganhar. 

"Mas se o rendimento caiu muito, recomendo olhar a carteira do fundo no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para verificar se o problema tem origem no mercado ou nos títulos que compõem carteira. É preciso saber se é temporário. Se não for, às vezes é melhor sair. De qualquer forma, o melhor é fazer uma reavaliação das aplicações a cada seis meses", afirma Oliveira Filho.

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