Economia

Volta da confiança é gradual e vem primeiro por mudança de governo, diz Meirelles


O ministro citou o corte de 4 mil cargos comissionados, de subsídios, subvenções, de despesas diretas, assim como também a resolução da incerteza política


  Por Estadão Conteúdo 17 de Maio de 2016 às 10:59

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta terça-feira, (17/05), esperar que a retomada da confiança na economia brasileira seja acelerada. Na sua avaliação, a retomada da confiança é algo que é geométrico, começa devagar e se acelera. Ele enfatizou que já viveu esse processo.

Segundo Meirelles, a retomada da confiança se dará de forma gradual. Em primeiro lugar, pela mudança de governo e resolução da incerteza política. Ele lembrou que ainda há uma decisão nos próximos meses a ser tomada pelo Senado para eliminar a incerteza política. "O Senado é soberano e vai tomar a decisão para eliminar outras fontes de incertezas", afirma.

Meirelles insistiu que esse processo de retomada da confiança vai evoluir com a reforma da Previdência e fixação do prazo de 30 dias para a proposta e durante a divulgação de medidas fiscais. Ele citou o corte de 4 mil cargos comissionados, de subsídios, subvenções e de despesas diretas.

Indicado como formulador de política econômica, Carlos Hamilton Araújo deu uma assistência ao ministro na resposta da pergunta.

CENÁRIO EXTERNO

Meirelles afirmou que o cenário externo envolve alguns desafios dentro de um quadro geral conhecido.

Na avaliação de Meirelles, a economia norte-americana segue crescendo normalmente dentro do processo de recuperação, mas reforçou que ainda existem preocupações. O ministro lembrou que o desemprego norte-americano está caindo e que a inflação está controlada. "As autoridades americanas se manifestam com segurança na evolução da situação", disse.

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Sobre a Europa, Meirelles ressaltou que o continente está num processo de recuperação gradual, assim como a China, mas preferiu fazer colocações genéricas. "Não nos compete formular opiniões das políticas de outros países, mas o cenário externo está em recuperação", disse antes de frisar que não compete a ele especificamente fazer previsões.

"Não existe um clima de crise eminente de algo que possa nos afetar diretamente, temos uma política de monitoramento constante".

O dirigente da Fazenda disse ainda não ter encontrado dificuldades ao chegar na Fazenda com os dados e documentos da Pasta. Segundo ele, os computadores, a base de dados está integral e os titulares estão em regime de colaboração integral. "Não encontramos nenhum tipo de dificuldade aqui no Ministério da Fazenda", afirma.

CONTINGENCIAMENTO

Meirelles afirmou que cumprirá os prazos para publicação do relatório de receitas e despesas, que será anunciado até sexta-feira, mas não antecipou o contingenciamento ou uma nova proposta de meta fiscal. O ministro disse que, até a data, terá mais informações.

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"Os prazos serão respeitados e obviamente a partir daí faremos a melhor avaliação possível dentro dos prazos necessários", ressaltou.

Meirelles disse ainda não achar correto que, antes de "sequer termos anunciado a meta ou os números, já comecemos a falar qual seria ou não o tributo".

PREVIDÊNCIA

O ministro avaliou que o prazo de 30 dias para a definição da reforma da Previdência é adequado.

O prazo foi definido ontem em reunião com o presidente em exercício Michel Temer. "Eu concordo com esse prazo", afirma Meirelles, acrescentando que essa foi a sua sugestão.

"Não temos uma proposta pronta e não vamos fazer nada precipitado", afirmou.

Meirelles disse que a proposta de reforma tem que ser discutida com as centrais sindicais e o Congresso Nacional. "A ideia é que quando apresentarmos a proposta já tenhamos passado por uma série de discussões", afirma.

CPMF e CIDE

O ministro da Fazenda disse que o governo ainda não tomou uma decisão sobre a opção de aumentar a alíquota da Cide - contribuição sobre os combustíveis. Ela seria um plano B caso a volta da CPMF não seja aprovada pelo Congresso Nacional.

Segundo ele, o governo ainda estuda o tamanho do buraco das contas públicas e todas as medidas para aumentar a arrecadação estão em estudo pelo ministério, pela Presidência da República, pela Casa Civil e pela Secretaria de Governo.

Foto: Thinkstock






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