Economia

Vietnã quer ser ponte entre Brasil e Ásia


Alencar Burti, presidente da ACSP, recebeu Do Thang Hai (dir.), vice-ministro da indústria do Vietnã, e H.E. Vuong Dinh Hue, vice-primeiro ministro do país asiático, que disse apostar na rápida recuperação da economia brasileira


  Por Redação DC 04 de Julho de 2018 às 15:50

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O “Fórum de Comércio e Investimento Vietnã e Brasil” reuniu empresários dos dois países na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) na última terça-feira, 3/7, para estreitar os laços comerciais entre as duas nações.

O evento foi organizado pelo São Paulo Chamber of Commerce, órgão de comércio exterior da ACSP, e pelo Governo da República Socialista do Vietnã. O evento contou com participação do vice-primeiro ministro do Vietnã, H.E. Vuong Dinh Hue.

“Em 2019, os dois países comemorarão 30 anos de relações diplomáticas. Dessa forma, as empresas brasileiras aqui presentes devem ter em mente que é uma interessante janela de oportunidades. Um fórum dessa magnitude traz consigo ótimas oportunidades de negócios bilaterais em diversas atividades”, disse Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Ele lembrou que o Vietnã é um dos principais parceiros comerciais do Brasil na Ásia e que a relação comercial vietnamita-brasileira atualmente passa por um positivo momento de intensificação, alcançando US$ 3,9 bilhões.

“O Vietnã torna-se definitivamente um dos principais centros asiáticos com capacidade de atrair empresários de São Paulo para o comércio internacional.”

O vice-primeiro ministro vietnamita mencionou reunião com Michel Temer na segunda-feira, 2/7. “Nós já fizemos um encontro bem-sucedido com o presidente, o que mostra que Vietnã e Brasil têm uma parceria muita boa. E o novo acordo vai abrir caminho entre os dois países. O Vietnã tornou-se o melhor ambiente competitivo da Ásia.”

Hue acredita que o Brasil crescerá bastante no futuro. “O Vietnã está disposto a se tornar uma plataforma para que o Brasil entre no mercado asiático e, do outro lado, o Brasil também será a porta de entrada do Vietnã no Mercosul”, declarou ele, que também falou sobre a Copa do Mundo: disse que até o momento acertou todos os placares para o Brasil no mundial, inclusive do jogo contra o México.

Para ele, assim como o jogador Neymar, o Brasil vai superar a recessão. “Por essa razão, digo que o Brasil passou por uma recessão, mas acredito que vai crescer de novo. O Vietnã vai criar condições favoráveis para unir empresários brasileiros e vietnamitas.”

A representante do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Débora Vainer Barenboim-Salej, falou sobre a elevação do fluxo de comércio bilateral nos últimos 10 anos, que ilustra o rápido desenvolvimento e o grande potencial dessa relação.

“Nosso intercâmbio saltou de R$ 29 milhões, em 2001, para R$ 4 bilhões, em 2017. Esse é o melhor resultado histórico. O montante foi superior ao fluxo comercial do Brasil com parceiros mais tradicionais, inclusive deste continente”, destacou ela.

De acordo com a embaixadora, o Brasil também tem interesse em se aproximar da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), da qual o Vietnã é um dos mais destacados membros.

O agrupamento congrega 10 países que somam uma população de cerca de 634 milhões de pessoas e um PIB superior a US$ 2,7 trilhões.

“Os membros da ASEAN, tomados em conjunto, equivalem à quinta maior economia do mundo. Em 2017, o comércio do Brasil com a ASEAN foi da ordem de US$ 18,5 bilhões”, disse ela.

A visita ao Brasil possibilitou a assinatura de novos atos bilaterais nas áreas de promoção comercial, serviços aéreos e cooperação e agricultura. Para Débora, um desses atos particularmente interessa aos empresários presentes no fórum, que é o acordo de cooperação técnica entre a APEX Brasil e sua congênere vietnamita: a Câmara de Comércio e Indústria do Vietnã.

O acordo permitirá a ambas as partes a organização de eventos comerciais, intercâmbio de informações sobre inteligência comercial, entre outras atividades.

O fórum ofereceu sessão de networking com grandes empresas vietnamitas multissetoriais que estão em busca de parcerias para importação, exportação e investimento direto.

 

IMAGEM: Patricia Gomes Baptista/ACSP