Economia

Vendas do varejo paulistano caíram à metade entre março e agosto


Levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostra que, a partir de julho, com a maior flexibilização da economia, houve reação do setor


  Por Redação DC 08 de Setembro de 2020 às 19:20

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


As vendas do varejo na capital paulista mostram clara reação, mas os números ainda apontam que o índice está longe de uma recuperação completa. 

De acordo com levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a queda média durante os meses de pandemia (entre março e agosto) foi de 54%, na comparação com igual período do ano passado.

“A atividade vem mostrando sinais de recuperação, conforme a reabertura da economia, mas ainda é gradual e irregular, já que há setores que sequer paralisaram suas atividades, como os supermercados. Já outros, como vestuário, foram mais afetados pela pandemia de covid-19”, diz Marcel Solimeo, economista da ACSP.

Em agosto, na comparação com julho, entretanto, a alta foi de 24,8%, a segunda consecutiva no comércio paulistano. Em julho, comparando-se com junho, o aumento foi de 19,8%.

O aumento das vendas do comércio em agosto seria um reflexo das medidas de flexibilização do funcionamento do comércio e do Dia dos Pais. “As altas estão ocorrendo na comparação com os meses anteriores, em cima de bases menores, mas ainda distantes do ano passado. Acho que somente em dezembro, com a flexibilização das regras para o comércio, é que estaremos mais próximos de 2019”, afirma Marcel Solimeo. 

Conforme os dados da ACSP, os meses mais críticos foram abril e maio deste ano, com quedas de 63,8% e 67% nas vendas, respectivamente, sobre o ano anterior.

O Balanço de Vendas é elaborado no Instituto de Economia da ACSP com base em amostra fornecida pela Boa Vista Serviços.

Um dos fatores que tornará a recuperação das vendas lenta é a perda da renda do trabalhador nos últimos meses. Os consumidores estão inseguros com relação aos seus postos de trabalho. Consumidores de classe média, destaca Solimeo, estão segurando seus gastos, o que influencia o consumo.

O economista ressalta que há setores que terão uma recuperação ainda mais lenta, como a área de serviços voltada para feiras e convenções, que ainda deverá ter grandes restrições por conta da covid-19. “Uma recuperação mais consistente deve ser observada a partir do início de 2021”, opina o economista.