Economia

Varejo segue em recuperação, mas de forma lenta e desigual


Influenciado pelo efeito calendário, setor de supermercados foi o único que manteve a estabilidade nas vendas em abril, segundo os economistas da ACSP. Porém, greve dos caminhoneiros deve exercer influência negativa em maio e junho


  Por Instituto Gastão Vidigal 14 de Junho de 2018 às 19:05

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Em abril, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do varejo restrito (que não inclui
veículos e material de construção) subiu 0,6%, frente ao mesmo mês de 2017. 

Em relação a abril do ano passado, o crescimento teve perfil desigual por conta do efeito calendário. Os supermercados, mostraram estabilidade nas vendas. O feriado da Semana Santa caiu em março
neste ano, enquanto em 2017 ocorreu em abril. 

Já o varejo amplo, que inclui veículos e material de construção, apresentou alta de
8,6%, na mesma base de comparação, beneficiado pela queda dos juros e alongamento de
prazo. Os acumulados de 12 meses apresentaram aumentos de 3,7% e 7,0%, respectivamente. 

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A maior influência positiva no varejo restrito correu por conta do ramo de farmácias, enquanto móveis e eletrodomésticos, informática, material de construção e veículos foram beneficiados pelos juros mais baixos e prazos de financiamento maiores.

Em síntese, o varejo segue em recuperação, mas de forma lenta e desigual. A paralisação dos caminhoneiros deverá exercer influência negativa nos dados de maio e junho, porém, não será capaz de mudar a trajetória de retomada das vendas do comércio, que também tem se beneficiado da base de comparação fraca do ano passado.

IMAGEM: Thinkstock