Economia

Varejo espera recuperação do PIB brasileiro, o pior de 31 países


Apesar de resultado negativo, há um arrefecimento no ritmo de desaceleração, indicando que o PIB pode se estabilizar ainda em 2016, segundo ACSP


  Por Redação DC 01 de Junho de 2016 às 15:20

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Com a queda de 5,4% no PIB do primeiro trimestre de 2016 na comparação com igual período do último ano, o Brasil teve o pior desempenho da economia no período entre 31 países pesquisados, segundo levantamento da consultoria Austin Rating. O país ficou na última colocação, atrás de países como Rússia, Grécia e Ucrânia. 

Apesar de esperar por mais um ano de recessão, o varejo já consegue visualizar sinais de recuperação

Para o setor varejista, a queda do PIB no primeiro trimestre indica desaceleração da crise e sinalização positiva para os próximos meses. A avaliação é de Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

“Os resultados mostram um arrefecimento no ritmo de desaceleração, indicando que o PIB pode se estabilizar ainda em 2016. O mais importante agora é recuperar a confiança do consumidor para que, consequentemente, ocorra uma retomada tanto da produção quanto do consumo a partir do ano que vem”, afirma Burti.

Sobre o comércio varejista - um dos setores mais atingidos no trimestre - o presidente da ACSP explica que isso ocorre em função dos juros elevados, da alta taxa de desemprego, da queda da massa salarial e da perda de confiança.

“Todos esses fatores afastam o consumidor das lojas. O Brasil se encontra em uma grave crise econômica, política, social e ética. Mas estamos otimistas com o novo governo, cujas medidas econômicas iniciais já anunciadas seguem na direção correta de reequilibrar a economia”, afirma Burti.

Luiza Helena Trajano, empresária, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) e presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza considerou que há uma "luz no fim do túnel". 

"Três coisas movem o varejo e elas são a renda, o emprego e o crédito", comentou. "O emprego caiu demais, a renda caiu demais e as pessoas não estão buscando crédito", acrescentou.

Luiza considerou, porém, que as tendências da economia parecem estar melhorando. "Parece que agora a economia está encontrando uma luz no fim do túnel", afirmou. De acordo com ela, o IDV tem mantido conversas com membros do governo Michel Temer, mas a empresária não deu detalhes.

A presidente do IDV destacou ainda que o atual cenário traz algumas oportunidades para varejistas. Ela ressaltou como exemplo a possibilidade de renegociação de aluguéis. De acordo com ela, o Magazine Luiza tem conseguido abrir lojas em cidades onde isso antes não vinha sendo possível.

Voltando a citar o Magazine Luiza como exemplo, a empresária disse que, desde o ano passado, todas as áreas do grupo têm se concentrado na atividade de vendas. Ela apresentou um vídeo no qual a companhia afirma que, num mercado que encolhe, o Magazine Luiza terá foco em ganhar participação de mercado sobre concorrentes.

Luiza ainda defendeu que o momento atual exige foco dos empresários em eficiência. "Nesse momento, você refaz sua empresa e melhora a produtividade, que ainda é baixa", declarou.

COMPARAÇÃO COM OUTROS PAÍSES

De acordo com o levantamento da Austin, as Filipinas tiveram o melhor desempenho do primeiro trimestre de 2016, com crescimento de 6,9% do PIB. Em seguida aparecem a China, a Indonésia, o Peru e a Malásia, que ocupam as cinco primeiras posições.

O levantamento considera 31 países que já divulgaram seus resultados oficiais da economia para o primeiro trimestre.

Entre os países pesquisados, também aparecem a Espanha (6ª colocação), a Coréia do Sul (9ª posição), México (10ª), Estados Unidos (13º) e Alemanha (18ª).

O relatório cita ainda que países com situação pior do que o Brasil, como a Venezuela, ainda não divulgaram dados oficiais.

De acordo com a Austin Rating, o resultado da economia brasileira também esteve abaixo da média registrada entre todos os Países do Brics, que reúne Índia, China, Rússia e África do Sul. Em média, a economia do grupo de países ficou estagnada no período.

A consultoria ainda projeta uma queda de 3,81% para o resultado da economia neste ano.

"A trajetória recessiva do PIB para este ano, com a expectativa de encerrar com queda pelo segundo ano consecutivo, infelizmente, segue se materializando", informa relatório da consultoria.

A estimativa de queda no ano também coloca o País com o pior desempenho entre as dez principais economias do mundo. Atualmente, de acordo com a consultoria, o País ocupa a 9ª colocação entre as maiores economias do mundo.

Foto: Thinkstock

Com informações de Estadão Conteúdo