Economia

Varejo diminui intensidade do recuo em maio


Perspectiva para os próximos meses, segundo os economistas da ACSP, é de lenta recuperação das vendas, devido à flexibilização gradual das medidas de restrição


  Por Instituto Gastão Vidigal 14 de Julho de 2020 às 08:50

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Em maio, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o varejo restrito (que não inclui veículos e material de construção) registrou queda de 7,1% sobre igual mês de 2019, resultado bem abaixo das expectativas de mercado. Já o varejo ampliado (que incorpora todos os segmentos) mostrou recuo maior, que alcançou a 14,9%. 

Em relação a abril, um mês livre de efeitos sazonais, houve aumento no volume de vendas de ambos os tipos de varejo (13,9% e 19,6%, respectivamente). Porém, maio foi fortemente influenciado pela fraquíssima base de comparação do mês anterior, considerado, até agora, o mês com o pior resultado.

Apesar de o varejo apresentar essa recuperação mensal, continua em queda no comparativo anual, embora esta tenha sido atenuada por certo relaxamento das medidas de isolamento social e pelas políticas compensatórias
implementadas pelo Governo, que diminuem o impacto negativo da pandemia sobre emprego e os salários, segundo análise dos economistas do Instituto Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

No acumulado em 12 meses, os resultados se diluem, mostrando estabilidade para o varejo restrito e leve queda de 1,0% para o ampliado, mas também já indicam tendência decrescente para o resto do ano. 

A desaceleração do recuo das vendas do varejo, em termos anuais, poderia ser explicada principalmente por certo afrouxamento das medidas de isolamento social, ocorrida em maio, e pela atenuação dos efeitos negativos da pandemia sobre os empregos e o salário das famílias, decorrente da redução de jornada e salário e da distribuição do auxílio emergencial.

Nessa mesma base de comparação, a queda mais intensa correspondeu ao segmento tecidos, vestuário e calçados – como antecipado por pesquisa da ACSP, sendo também significativa no caso de móveis e eletrodomésticos, outros artigos de uso pessoal e doméstico e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação.

O único ramo que mostrou aumento nas vendas foi o supermercadista, beneficiado por ser definido como essencial e pela maior demanda em função do home office. No varejo ampliado veículos e material de construção também sofreram contrações mais intensas.

A perspectiva para os próximos meses, segundo os economistas da ACSP, é de lenta recuperação das vendas, devido
à flexibilização gradual das medidas de restrição, apontando, de todo modo, para queda anual - que poderia ser atenuada pela redução da taxa de juros básica (Selic), e pela maior concessão de crédito para as empresas de menor porte, responsáveis pela maior parte da geração de empregos. 

FOTO: Marcello Casal Jr./Agência Brasil





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