Economia

Um país com 22,9 milhões de desempregados


Esse era o volume de pessoas com potencial para trabalhar e sem emprego no 3º tri deste ano, segundo o IBGE. Cenário pessimista continua até o 2º tri de 2017, afirma FGV


  Por Estadão Conteúdo 22 de Novembro de 2016 às 10:03

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O país tem hoje 22,9 milhões de pessoas desempregadas, subocupadas ou inativas, mas com potencial para trabalhar.

O resultado significa que, no terceiro trimestre de 2016, estava faltando trabalho para todo esse contingente de brasileiros, de acordo com os dados da Pesquisa por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa composta da subutilização da força de trabalho - que contabiliza a taxa de desocupação, taxa de desocupação por insuficiência de horas trabalhadas e da força de trabalho potencial - ficou em 21,2% no terceiro trimestre.

No segundo trimestre, o resultado foi de 20,9%, alcançando 22,7 milhões de pessoas. No terceiro trimestre de 2015, a taxa era consideravelmente mais baixa: 18%.

A maior taxa composta da subutilização da força de trabalho foi observada no Nordeste, de 31,4%, enquanto a menor foi registrada na região Sul, 13,2%.

Bahia (34,1%), Piauí (32,6%) e Maranhão (31,9%) e Sergipe (31,9%) foram os estados com as maiores taxas de subutilização da força. Os menores resultados foram observados em Santa Catarina (9,7%), Mato Grosso (13,2%) e Paraná (14,2%).

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SÃO PAULO

A taxa de desocupação no Estado de São Paulo ficou em 12,8% no terceiro trimestre, de acordo com dados da Pnad Contínua. O resultado foi o mais elevado da série histórica, iniciada no primeiro trimestre de 2012.

Em igual período do ano passado, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua em São Paulo estava em 9,6%. No segundo trimestre de 2016, o resultado foi de 12,2%.

A renda média real do trabalhador em São Paulo foi de R$ 2.629 no terceiro trimestre, ante R$ 2.571 no trimestre imediatamente anterior, alta de 2,3%.

Em relação ao mesmo período do ano anterior, entretanto, houve queda de 2,6%. No segundo trimestre de 2016, a renda média real era de R$ 2.701 na região.

No último dia 27, o IBGE divulgou os resultados gerais do mercado de trabalho apenas para o total do País. A taxa de desocupação foi de 11,8% no terceiro trimestre.

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional.

A nova pesquisa substitui a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrangia apenas as seis principais regiões metropolitanas, e também a Pnad anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano.

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PESSIMISMO

Os dados recentes do mercado de trabalho reforçam o cenário de pessimismo para o emprego até o segundo trimestre de 2017, quando finalmente a taxa de desocupação deve começar a se estabilizar.

A avaliação é de Tiago Barreira, pesquisador do Centro de Pesquisa Econômica Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Os resultados Pnad Contínua do IBGE divulgados nesta terça-feira (22/09 mostram que a taxa de desemprego atingiu patamar recorde no terceiro trimestre em 19 unidades da federação, e São Paulo ficou acima da média nacional.

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"Vemos perspectiva de piora do desemprego até o primeiro trimestre do ano que vem. A taxa de desocupação começa a ficar estável no segundo trimestre, e no terceiro começaremos a ter queda no desemprego", prevê Barreira.

No caso de São Paulo, o patamar recorde de desemprego tem relação com as dispensas de trabalhadores da indústria e do setor de serviços, estima o pesquisador. 

"É uma região com uma concentração grande de indústria e do setor de serviços. O mercado de trabalho fica mais exposto à queda na atividade. Santa Catarina, por exemplo, é mais dependente de exportações e do agronegócio, então a taxa de desemprego é mais baixa (6,4%)", afirma.

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Em relação ao terceiro trimestre de 2015, todos os estados brasileiros registraram aumento na taxa de desemprego este ano. 

"Não houve nenhum estado que fosse um ponto fora da curva. Todos apresentaram aumento no desemprego e redução do nível de ocupação", conclui o pesquisador do Ibre/FGV.

Foto: Thinkstock

*Atualizado às 17h37






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