Economia

Trump preocupa empresários que possuem operações no exterior


O presidente americano tem criticado empresas que transferem operações para outros países. No seu primeiro dia de governo, ele deu uma amostra da sua visão protecionista ao cancelar o Tratado Transpacífico


  Por Estadão Conteúdo 23 de Janeiro de 2017 às 19:21

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Líderes de companhias norte-americanas com operações no exterior começam a demonstrar preocupação com a retórica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Nas últimas semanas, Trump tem criticado nominalmente algumas empresas por planejarem mover parte de sua capacidade produtiva para fora, entre elas a Ford a United Technologies e a General Motors.

Os ataques reverberam sobre empresas que seguiram a tendência do "outsourcing", a transferência ou terceirização da produção e de serviços de tecnologia da informação para países com a Índia, China e Filipinas. 

Algumas delas já procuram alternativas nos EUA, ao passo que provedores de produtos fabricados no exterior focam na automação como uma forma custo-efetiva para trazer a produção - não necessariamente os empregos - de volta.

Embora poucos queiram discutir isso até o momento, "cada companhia que integra a Fortune 500 (lista das 500 maiores dos EUA por receita) usa algum serviço no exterior", afirmou Frank Casale, presidente emérito do conselho do Instituto de Outsourcing e cofundador do Instituto para o Processo de Automação Robótica.

O temor é que esses serviços possam ser submetidos a tarifas especiais, como o republicano vem defendendo. Ele pode não deter companhias de assinar acordos para terceirizar sua produção ou serviços, mas pode atrasar contratos que já estão em negociação enquanto executivos aguardam novos sinais da administração.

Com isso, o ciclo normal de fechamento de grandes contratos, entre dezembro e janeiro, pode acabar adiado, afirmou Pravin Rao, diretor-executivo da empresa indiana de outsourcing de serviços, em uma conferência com analistas em novembro.

"Existe o medo de ser exposto e malvisto por fazer outsourcing" afirmou Eric Dezenhall, um consultor de gerenciamento de crises e ex-membro da equipe de comunicação do ex-presidente Ronald Reagan.

Ele notou, no entanto, que Trump tem algumas vulnerabilidades, como ter utilizado aço estrangeiro em seus prédios e ter parte de seu material de campanha produzido na China. 

Por outro lado, Dezenhall afirmou que tem desencorajado líderes a apontarem para essas incongruências. "O que ele pode fazer contra você é bem pior do que você pode fazer contra ele", notou.

Desde o ano passado, ambos os candidatos vêm criticando a indústria de outsourcing, o que levou executivos a se prepararem para a mudança.

"Sempre pensamos que iria acontecer alguma mudança, com (a candidata democrata, Hillary) Clinton ou com Trump", afirmou Donald Mones, que trabalha com decisões de outsourcing em um grande. 

Com a vitória do republicano, essa decisão foi acelerada, afirmou Mones, que também preside o escritório de Nova York da Associação de Profissionais de Outsoucing.

Em parte por causa da alta dos custos trabalhistas no exterior, a prática de transferir serviços e produção para fora tem desacelerado nos últimos anos. 

O crescimento dos gastos em áreas como TI e atendimento ao consumidor tem recuado fortemente, de 30% anualmente uma década atrás para uma expectativa de 8% em 2020, segundo a empresa de pesquisa IDC. 

TRATADO TRANSPACÍFICO

Trump deu outro passo polêmico nesta segunda-feira (23/01) ao cancelar, por meio de decreto, a participação dos Estados Unidos do Tratado Transpacífico de Comércio Livre (TPP, sigla em inglês). 

O TPP foi o mais importante acordo internacional assinado pelo ex-presidente Barack Obama, destinado a estabelecer novas bases para as relações comerciais e econômicas de 12 países do Oceano Pacífico, reduzindo tarifas e estimulando o comércio para impulsionar o crescimento.

Os países signatários são: Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura, Estados Unidos e Vietnã. 

Com a medida, Trump começa a reconfigurar o papel dos Estados Unidos na economia global.

Durante a campanha, o presidente Trump já havia anunciado que iria abandonar formalmente a Parceria Transpacífico, por considerar o acordo ruim para os trabalhadores americanos. 

A parceria ainda não tinha sido aprovada pelo Congresso americano e agora, com a saída dos Estados Unidos, o acordo praticamente se inviabiliza, já que a parceria tinha como pressuposto o mercado americano. 

O posicionamento dos Estados Unidos no mercado global vai obrigar os países que têm comércio forte com o mercado americano a reavaliar suas estratégias.

"Estamos falando sobre isso há muito tempo", disse Trump, ao assinar o decreto formalizando a saída dos Estados Unidos do TPP. Para ele, a retirada do pacto comercial é "uma grande coisa para o trabalhador americano".

Assessores de Trump afirmam que o novo presidente pretende avançar rapidamente na renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). 

A negociação do Nafta começou na gestão do presidente George Bush e o acordo foi levado ao Congresso pelo presidente Bill Clinton. Trumpo terá encontros com os mandatários do Canadá e do México, os dois principais parceiros do Nafta. 

O acordo tem sido um dos principais motores do comércio americano há quase duas décadas, mas há algum tempo tem sido questionado por, supostamente, diminuir a oferta de emprego e reduzir os salários do trabalhador norte-americano.

IMAGEM: Thinkstock





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