Economia

Temer dá um salto nas expectativas dos estrangeiros


Morgan Stanley melhora a projeção para o PIB enquanto analistas de Wall Street e a revista The Economist recebem a notícia com otimismo. Mas também alertam para os riscos


  Por Estadão Conteúdo 12 de Maio de 2016 às 17:15

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Ao assumir como presidente em exercício, Michel Temer foi recebido com expectativas otimistas no exterior. Os investidores e analistas em Wall Street veem um governo Temer com alívio, mas também com cautela. 

A expectativa é que o presidente em exercício tome medidas econômicas amigáveis ao mercado e os nomes da equipe econômica agradaram.

Os analistas, porém, alertam para os riscos das investigações da Operação Lava Jato envolver mais políticos em Brasília, o que pode dificultar a governabilidade, e de uma oposição barulhenta do PT.

O Brasil é um dos principais destinos para aplicações de recursos dos investidores dos EUA em países emergentes e o mercado vem acompanhando o processo com atenção. Os dados mais recentes do Instituto Internacional de Finanças (IIF), instituição com sede em Washington formada pelos maiores bancos do mundo, mostram que o apetite dos investidores pelo Brasil aumentou nas últimas semanas, na expectativa de que a saída de Dilma leve o Brasil a conseguir ajustar a economia e impedir novos rebaixamentos do rating soberano. 

A recessão foi exacerbada pelos problemas políticos e o investidor global se animou com a perspectiva de mudança de regime, avalia o economista do Scotiabank, Pablo Bréard. O gestor da Janus Capital, Dan Raghoonundon, disse estar mais otimista com Temer do que jamais esteve com a gestão Dilma.

Ele acredita que o peemedebista conseguirá avanços com um ajuste fiscal, principalmente porque a gravidade da deterioração das contas públicas demanda uma ação rápida. 

"Os próximos 100 dias do governo serão críticos", disse, destacando que Temer tem dado declarações em que mostra compreender a gravidade da situação do país. "Temer tem mostrado entender que o excessivo gasto público e os déficits são parte do problema, não dá solução, como alguns membros do governo Dilma acreditavam."

A Operação Lava Jato, aliás, é apontada pela consultoria de risco político Eurasia e também por vários economistas e agências de rating como uma das maiores ameaças ao governo de Michel Temer.

Na avaliação da Eurasia, o avanço das investigações pode inclusive implicar o peemedebista, além de mais membros de seu partido, dificultando a governabilidade e trazendo mais incertezas. Para a diretora da Fitch Ratings, Shelly Shetty, a Lava Jato traz riscos imprevisíveis para a política e a economia brasileira nos próximos meses.

Se a Lava Jato preocupa, a provável equipe econômica de Temer, como Henrique Meirelles na Fazenda, e o economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn, no Banco Central, agrada os analistas.

O banco de investimento Brown Brothers Harriman (BBH) aponta que Meirelles tem "respeito do mercado" e Shelly, da Fitch, destaca que são nomes com experiência e que uma equipe econômica forte é essencial para se conseguir uma coalização no Congresso e aprovar medidas, algumas impopulares, para o ajuste fiscal. "Fiquei bastante animado com a equipe sinalizada até agora", diz Raghoonundon, da Janus.

PROJEÇÃO PARA O PIB MELHORA

O banco norte-americano Morgan Stanley melhorou as previsões de desempenho do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do país) do Brasil e reduziu as estimativas de juros e inflação, na expectativa de um cenário menos incerto e turbulento no governo de Michel Temer. 

A expectativa de contração da economia de 2016 foi reduzida de queda de 4,3% para recuo de 3,8%. Em 2017, a previsão para o crescimento da economia foi elevada de 0,6% para 1,1%. O banco também fez uma estimativa para 2018 de avanço de 2,5% no PIB.

Para a inflação, a previsão do Morgan passou de alta de 8,1% este ano para 6,9%. Em 2017, o banco agora espera aumento de preços de 5,4%, abaixo dos 7% previstos anteriormente. Para 2018, a inflação é vista dentro da meta do Banco Central, de 4,5%. Uma revisão também foi feita nas projeções para a Selic, que deve cair dos atuais 14,25% para 13,25% este ano e baixar para 10% em 2017, nível que deve continuar em 2018.

"A crise política brasileira ainda está se desenrolando, mas acreditamos que há alguma clareza sobre a trajetória de políticas econômicas para os próximos trimestres", afirmam os analistas do Morgan, Arthur Carvalho, Guilherme Paiva e Thiago Machado no relatório com as previsões.

O calcanhar de aquiles do Brasil continua sendo a política fiscal e, sem medidas de ajustes, a trajetória da dívida pública será de piora continuada, avalia o banco. A expectativa, porém, é de que as chances de aprovação no Congresso de medidas de ajuste sejam maiores agora do que foram em 2015.

No caso da inflação, a avaliação do banco é de que a valorização do real deve ser um dos principais fatores para retirar a pressão para a alta dos preços - por isso a revisão para baixo das estimativas. Com isso, o Banco Central deve ser capaz de cortar juros "mais cedo e de forma mais agressiva" do que o esperado anteriormente. Apesar de as expectativas para a inflação estarem em queda, os analistas do banco não veem um corte da Selic ocorrendo antes da reunião de política monetária de outubro.

THE ECONOMIST  VÊ MELHORA, MAS TAMBÉM RISCOS

A revista britânica The Economist avalia que Michel Temer tem ideias melhores que Dilma Rousseff para a economia. Isso, porém, não quer dizer que o peemedebista será bem sucedido na Presidência da República. Para a publicação, "as coisas podem facilmente dar errado" para o novo ocupante do Palácio do Planalto.

Na edição impressa que começa a ser distribuída nesta sexta-feira, a Economist publica uma reportagem sobre o presidente em exercício brasileiro e destaca positivamente a pauta econômica sugerida pelo PMDB. Ainda que reclame pela falta de detalhes, a revista diz que o documento "Ponte para o Futuro" "defende uma série de medidas sensatas da privatização e livre comércio até as reformas do mais que generoso sistema de previdência pública, das leis trabalhistas esclerosadas e do sistema tributário bizantino" do Brasil.

"A julgar pelos ministros que o senhor Temer deve anunciar, ele pretende executar algumas dessas ideias", diz a revista, ao citar nomes como Henrique Meirelles, Eliseu Padilha e Romero Jucá, além da maior proximidade com o PSDB.

A revista cita que Temer pode avançar com reformas estruturais, cortar gastos públicos e, a despeito da recessão, aumentar a confiança, reduzir a inflação e permitir ao Banco Central começar a reduzir o juro.

Apesar do otimismo, a The Economist alerta que "as coisas podem facilmente dar errado". O primeiro problema é a proximidade entre o PMDB e o escândalo de corrupção na Petrobras. "Seis dos congressistas do PMDB, incluindo o senhor Jucá, estão sob investigação", lembra a revista.

O segundo risco relatado pela Economist é que o novo presidente pode ter dificuldades em avançar com as reformas no Congresso. A revista cita que parlamentares são relutantes em votar a favor do corte de gastos e aumento de impostos. Além disso, o presidente em exercício tem que correr porque a atenção dos parlamentares rapidamente mudará para a Olimpíada no Rio e as eleições municipais.

FOTO: Valter Campanato / Agência Brasil






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