Economia

Taxa Selic é mantida em 14,25% ao ano


O desemprego e a recessão já derrubaram a confiança e o consumo das famílias e isso deverá levar ao recuo da inflação, avalia Alencar Burti, presidente da ACSP


  Por Redação DC 20 de Janeiro de 2016 às 20:30

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Em uma decisão dividida, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu manter a taxa básica de juros da economia Selic em 14,25% ao ano. Foram seis votos a favor da manutenção e dois pela elevação da Selic em 0,50 ponto percentual. 

Votaram pela manutenção da taxa Selic em 14,25% ao ano os seguintes membros do Copom: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Luiz Edson Feltrim e Otávio Ribeiro Damaso.

Os votos pela elevação da taxa Selic para 14,75% ao ano foram dos seguintes membros do Comitê: Sidnei Corrêa Marques e Tony Volpon.

"Avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos, e considerando a elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 14,25%", informou o Comitê em nota. 

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), apoiou a decisão.
 
“A manutenção da Selic foi acertada. O desemprego e a recessão já derrubaram a confiança e o consumo das famílias, e isso deverá levar ao recuo da inflação”, avalia Burti. 
 
Ele lembra que ainda serão sentidos os efeitos das elevações da Selic praticadas anteriormente. 

“Elas foram suficientes para reverter a escalada inflacionária e para produzir resultados em 2016 e em 2017. O fim dos grandes reajustes de tarifas públicas e do câmbio também corroboram nesta direção”, afirma o presidente da ACSP.     

Desta maneira, a taxa Selic permanece estacionada no mesmo patamar desde julho de 2015 após o início do ciclo de aperto monetário que teve início em abril de 2013.

A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) divulgou, em nota, que avalia como 'acertada' a decisão do Copom. "Um novo ciclo de aperto monetário não é a solução para que a inflação retorne à meta estabelecida", informou. 

A avaliação é a de que aumento da taxa básica de juros apenas agravaria a recessão como também a situação das contas públicas. A entidade também defendeu a necessidade de um ajuste fiscal, já que o descontrole de preços está intimamente relacionado ao descontrole dos gastos públicos. 

Para a federação, o ajuste deve contemplar superávits primários mais robustos e metas de longo prazo, bem como regras explícitas que limitem o crescimento dos gastos correntes em relação ao PIB. "Sem isso, dificilmente a inflação retornará para níveis próximos à meta."

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou sensata a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) diante da recessão da economia brasileira e das incertezas do cenário global.

“A indústria considera inaceitável a inflação de dois dígitos. Mas destaca que os aumentos recentes dos índices são resultado de reajustes dos preços administrados, das expectativas negativas e da inércia inflacionária. Por isso, o uso da taxa de juros como único instrumento de controle da inflação é pouco efetivo e aprofunda a recessão”, destacou o comunicado.

De acordo com a CNI, apenas o ajuste fiscal, com corte de despesas obrigatórias e reformas que aumentem a competitividade do Brasil conseguirão derrubar a inflação e restabelecer a confiança no país.

Entre as medidas defendidas pela confederação, estão a reforma da Previdência Social, a modernização das leis do trabalho, a redução da burocracia, a ampliação da infraestrutura e a simplificação dos tributos. 

POLÊMICA

A decisão do Copom foi marcada pela polêmica e desconfiança de ingerência política da presidente Dilma Rousseff.

Na primeira reunião do ano, os membros do Copom optaram em não mexer na taxa Selic para não aprofundar a recessão no país, apesar do risco de a inflação fechar este ano mais uma vez acima do teto da meta depois de bater 10,67% em 2015.

Dividido e sob críticas generalizadas que minaram ainda mais a sua já baixa credibilidade, o BC evitou uma nova subida da Selic, movimento combatido fortemente pelo PT e até mesmo por economistas considerados mais conservadores, que colocaram em dúvida a eficácia da alta dos juros para derrubar a inflação na atual conjuntura de crise do país.

A manutenção da Selic em 14,25% pela quarta vez consecutiva marca uma reviravolta na estratégia do BC, que até segunda-feira dava todas as sinalizações de que iria usar novamente a arma dos juros para coordenar as expectativas dos agentes econômicos e mostrar que seria capaz de colocar a inflação na trajetória do centro da meta de 4,5% em 2017.

O cenário mudou depois que o presidente do BC, Alexandre Tombini, divulgou na terça-feira (19/01), poucas horas antes do início da primeira etapa do Copom, comunicado alertando para a piora das previsões para a economia brasileira feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O informe provocou abalo no mercado e foi interpretado como um sinal de rendição de Tombini às pressões da presidente e uma desculpa para mudar de estratégia na última hora.

Essa percepção aumentou nesta quarta-feira (20/01) com as declarações do ex-presidente Lula minimizando o risco de inflação em 8% e recomendando ao BC que não subisse os juros, porque "nem os banqueiros querem".

A incerteza foi tamanha que os investidores passaram a incluir até mesmo nas apostas a possibilidade de queda dos juros, o que não ocorreu.

A mudança do Copom alimentou a avaliação de que o BC não tem autonomia e foi vista como adesão do BC ao projeto da presidente de dar uma nova guinada na política econômica junto com o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, para garantir a recuperação mais rápida da economia.

FOTO: Thinkstock

Atualizado às 21h16

Com informações de Estadão Conteúdo e de Agência Brasil