Economia

Situação fiscal é o grande desafio para o próximo presidente


Economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) acreditam que o próximo mandatário fará um grande esforço de contenção das despesas


  Por Instituto Gastão Vidigal 28 de Agosto de 2018 às 20:05

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Nas últimas semanas, a crise econômica ocorrida na Turquia se somou às incertezas provocadas pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, aumentando a instabilidade do cenário externo, num contexto de expectativa de novos aumentos da taxa de juros internacional.

O estopim dessa crise foi a sobretaxação das exportações de aço e alumínio daquele país por parte do governo norte-americano, que colocou em risco sua capacidade de pagamento dos compromissos externos, levando a expressiva depreciação de sua moeda.

Situações como esta costumam gerar aumento da aversão ao risco por parte dos investidores internacionais em relação as economias emergentes em geral, o que tende a afetar de forma mais intensa aquelas que apresentam maiores fragilidades, como é o caso da Argentina.

A dificuldade política de reduzir o excesso de despesas públicas, impulsionado durante a gestão Kirchner, de forma mais rápida, agravando os desequilíbrios das contas externas, provocou aumento da taxa de câmbio, obrigando o País a negociar um empréstimo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Brasil também se viu afetado, levando o Real a ter uma das maiores perdas de valor dentre as moedas de países emergentes.

Embora nosso país não apresente problemas nas contas externas, ao contrário da Argentina e da Turquia, adoece de preocupante desequilíbrio das contas públicas, que gera endividamento crescente do governo, ameaçando sua solvência futura.

No período mais recente, porém, o comportamento da taxa de câmbio se descolou da evolução da economia mundial, rompendo a barreira de R$ 4, devido à divulgação da mais recente pesquisa de intenções de voto, que mostrou que os candidatos que lideram o levantamento não são aqueles mais comprometidos com a realização de reformas estruturais.

Por mais que a evolução da taxa de câmbio durante as próximas semanas passe a depender mais fortemente dos próximos desdobramentos do cenário eleitoral, o denominador comum com o contágio externo é a desafiadora situação fiscal do País.

De todo modo, o desequilíbrio das contas públicas é uma realidade que irá se impor ao próximo presidente, seja ele quem for, e, portanto, pode se esperar que haja algum esforço de contenção das despesas durante sua gestão.

Vale lembrar também que o Banco Central dispõe de quase US$ 400 bilhões de reservas internacionais e de um conjunto de instrumentos de intervenção no mercado cambial que pode minimizar as flutuações da cotação da moeda estrangeira, evitando seus efeitos negativos sobre os custos de produção e a inflação.

 

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