Economia

Setor de serviços puxa leve alta do PIB no segundo trimestre


Crescimento de apenas 0,2% reflete fraca atividade econômica; greve no transporte rodoviário é apontado como um dos fatores responsáveis por analistas


  Por Estadão Conteúdo 31 de Agosto de 2018 às 09:41

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 0,2% no segundo trimestre do ano, refletindo a fraca atividade econômica no País.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (31/08), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o PIB do 1º trimestre do ano foi revisado de 0,4% para 0,1%.

Analistas do mercado apontam que a paralisação dos caminhoneiros, no fim de maio e início de junho, foi um dos fatores determinantes para o tímido resultado, ainda que, para uma parcela dos especialistas, a avaliação seja de que outros fatores já indicavam um resfriamento do ritmo de expansão.

Na comparação com o segundo trimestre de 2017, o PIB avançou 1,0% no segundo trimestre deste ano. Ainda segundo o IBGE, o PIB do segundo trimestre do ano totalizou R$ R$ 1,693 trilhão.

O resultado ficou dentro da pesquisa realizada pelo Projeções Broadcast com 49 instituições. As estimativas variavam entre retração de 0,62% a alta de 0,50%, com mediana de crescimento de 0,10% em relação ao primeiro trimestre do ano.

O economista-sênior do Haitong Banco de Investimentos, Flávio Serrano, apontou, antes da divulgação dos dados do IBGE, que a paralisação dos caminhoneiros foi determinante para a redução da atividade econômica. A estimativa da instituição do analista era de retração de 0,2% do PIB.

"A queda é basicamente por efeito da greve. Se observarmos o desempenho desagregado dos setores, a indústria foi claramente a mais afetada pela parada na produção em diversas categorias", comentou.

Ele também afirmou que o resultado deve ser melhor no terceiro trimestre. "O resultado é ruim, mas também foi impactado por questões pontuais, então deverá se recuperar no próximo trimestre [terceiro]", apontou.

O economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, lembra que chegou a esperar 0,80% de expansão para o PIB do segundo trimestre no início do ano, mas as últimas estimativas foram de alta de 0,40%.

Para ele, a desaceleração na expectativa deveu-se não somente aos efeitos da greve dos caminhoneiros, mas também a um processo de arrefecimento da atividade que se iniciou no primeiro trimestre.

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"A greve ajudou a travar o crescimento em um ambiente onde a confiança já estava baixa. Os dados de abril vieram relativamente bons, depois caíram em maio e, em junho, vieram números estranhos", relembrou. Segundo Vieira, o consumo também ficou mais fraco com a paralisação.

POR SETOR

O Produto Interno Bruto (PIB) da indústria caiu 0,6% no segundo trimestre ante o primeiro trimestre de 2018. Na comparação com o segundo trimestre de 2017, o PIB da indústria mostrou alta de 1,2%.

Já os serviços puxaram o resultado para cima e avançaram 0,3% no segundo trimestre ante o primeiro trimestre de 2018. Na comparação com o segundo trimestre de 2017, o PIB de serviços mostrou alta de 1,2%.

O consumo das famílias ficou praticamente estável no segundo trimestre ante o primeiro trimestre de 2018. Na comparação com o segundo trimestre de 2017, o consumo das famílias mostrou alta de 1,7%.

O consumo do governo, por sua vez, subiu 0,5% no segundo trimestre ante o primeiro trimestre de 2018. Na comparação com o segundo trimestre de 2017, o consumo do governo mostrou alta de 0,1%.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos, caiu 1,8% no segundo trimestre ante o primeiro trimestre de 2018. Na comparação com o segundo trimestre de 2017, a FBCF mostrou alta de 3,7%.

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O IBGE revisou o PIB do primeiro trimestre de 2018 ante o quarto trimestre de 2017, que passou de alta de 0,4 % para aumento de 0,1%. O órgão também revisou a taxa do PIB do quarto trimestre de 2017 ante o terceiro trimestre de 2017, de 0,2% para estabilidade (0,0%).

A taxa do terceiro trimestre de 2017 ante o segundo trimestre de 2017 foi revista de 0,3% para 0,6%, enquanto o resultado do segundo trimestre de 2017 ante o primeiro trimestre de 2017 passou de 0,6% para 0,4%. 

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